O país que queremos edificar passa pelos nossos parques
Da praia à serra, da contemplação da natureza a aventuras radicais, o Brasil oferece uma variedade de paisagens e experiências que fazem do país um dos destinos mais prestigiados do mundo. Poucos lugares têm uma natureza tão rica e única quanto a nossa. Mais de 20% das espécies do planeta estão cá, distribuídas por seis biomas, em terreno e na chuva. Esse patrimônio está protegido por mais de 300 parques nacionais e estaduais, sendo 16 reconhecidos porquê Patrimônio Mundial Procedente da UNESCO.
Essa riqueza vai além da paisagem, ela também faz segmento de quem somos. Segundo estudo da Morada Geral, 45% da população brasileira afirma que a natureza é o principal motivo de orgulho de ser brasílico. Ou seja, as pessoas enxergam essas áreas porquê segmento da identidade vernáculo. Ainda assim, porquê país, seguimos sem compreender plenamente o potencial que elas representam.
Só em 2025, os Parques Nacionais receberam 13,6 milhões de visitas e sustentaram muro de 220 milénio empregos. Por trás desses números estão guias, donos de pousadas e restaurantes, além de pequenos empreendedores que vivem, de forma sustentável, da natureza. E há espaço para crescer, as projeções do Instituto Semeia indicam que a visitação nos parques nacionais pode chegar a quase 20 milhões até 2030, gerando muro de R$ 20 bilhões por ano de impacto econômico, contribuindo para a geração de renda, o fortalecimento das economias locais e a conservação ambiental. É um horizonte ávido, mas provável.
Reconhecer nossa vocação para o turismo de natureza é valorizar nosso patrimônio procedente e transformá-lo em desenvolvimento sustentável. Para isso, é fundamental que o tema seja visto porquê prioridade pelos governos, com políticas públicas em uma visão de médio e longo prazo. Três frentes são decisivas nesse caminho: reconhecer o ecoturismo porquê atividade econômica estratégica, aprimorar a infraestrutura e os serviços oferecidos nos parques e tornar essas áreas motivo de orgulho para a população brasileira. Iniciativas já em curso mostram que esse investimento traz resultados concretos para o meio envolvente, para a economia e para as comunidades do entorno.
No Chile, a partir de 2010, a pasta de turismo passou a ser vinculada diretamente ao Ministério da Economia, o que demonstra a relevância que essa atividade representa para o país. Costa Rica e África do Sul também são referências mundiais por fazerem de suas belezas naturais âncoras competitivas para o turismo doméstico e internacional, sempre de forma sustentável. No Brasil, porém, o turismo de natureza ainda é pouco integrado às estratégias de desenvolvimento econômico, com iniciativas muitas vezes dispersas entre diferentes áreas do governo. Progredir nessa agenda exige uma atuação integrada entre economia, turismo e meio envolvente, com metas de visitação e maior conexão dos parques às rotas turísticas já estruturadas.

Atrair mais visitantes depende também de oferecer condições adequadas para recebê-los, e esse ainda é um duelo no Brasil. Segundo o Diagnóstico de Uso Público, do Instituto Semeia, quase 60% dos parques não têm estruturas básicas de atendimento ao visitante, porquê banheiros e centros de visitantes, ou as têm de forma precária. Ampliar investimentos é necessário, e existem políticas públicas já sendo endereçadas nesse sentido. A Lei 15.180/2025 autoriza os órgãos gestores de Unidades de Conservação (nacionais, estaduais e municipais) a criarem fundos privados de incentivo à visitação. Tal política visa incentivar o uso público nas Unidades de Conservação, conciliando recursos públicos e privados para financiar projetos, infraestrutura, serviços e gestão da visitação nas áreas protegidas.
Outro duelo é a falta de conexão das pessoas com a natureza por meio dos nossos parques. Grande segmento dos brasileiros ainda vive distante desses espaços , seja pela falta de aproximação, de informação ou de oportunidades de visitar. Quem não conhece esses locais dificilmente cria vínculos com eles. Por isso, aproximar as pessoas da natureza é uma estratégia para formar defensores e embaixadores desse patrimônio. Diversas iniciativas já vêm construindo esse caminho na prática. Entre muitos exemplos, vale sobresair a campanha vernáculo Um Dia no Parque, idealizada pela Rede Pró-UC e apoiada pelas organizações que integram a Coalizão Pró-UC, a qual procura aproximar a sociedade das Unidades de Conservação e ampliar o reconhecimento sobre a prestígio dessas áreas. Também destacamos cá casos internacionais, porquê os programas Junior Ringir e Every Kid Outdoors, coordenados pelo Serviço Pátrio de Parques dos EUA são exemplos de políticas públicas voltadas ao engajamento das pessoas com os parques desde a puerícia. São iniciativas que, por meio da ensino ambiental, geram pertencimento, estimulam visitas recorrentes e ajudam a formar cidadãos orgulhosos de seu patrimônio procedente.
As prioridades estratégicas e os casos de sucesso apresentados deixam evidente para as lideranças políticas que é provável replicar e ampliar o que já funciona. E indicam caminhos para superar os desafios que ainda limitam o potencial dos parques, porquê a falta de investimentos, as lacunas de infraestrutura e a escassez de incentivos à visitação.
Essas iniciativas estão detalhadas na agenda Parques do Brasil: Patrimônio Pátrio e Vetores de Desenvolvimento, do Instituto Semeia. A partir dela, nasceu um movimento coletivo que conta com 75 organizações de meio envolvente e turismo em resguardo do turismo de natureza porquê prioridade nos próximos mandatos. A proposta é que candidatas e candidatos eleitos à Presidência, aos governos estaduais e ao Legislativo incluam o tema em seus planos de governo, garantindo que ele saia do papel e ganhe espaço real nas políticas públicas.
A natureza brasileira é mais do que motivo de orgulho, é também, um patrimônio capaz de impulsionar o desenvolvimento do país e fortalecer a conservação ambiental. Com o início de novos mandatos, temos uma oportunidade decisiva de prosseguir nesta agenda, fortalecendo a gestão, a geração e a valorização das áreas protegidas públicas e privadas. Se a natureza faz segmento de quem somos, valorizá-la deve fazer segmento do projeto de país que queremos edificar.
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