Dióspiro, um fruto outonal

Dióspiro, um fruto outonal

 








Características

O diospireiro (Diospyros kaki) é uma árvore de médio porte, que alcança um tamanho e disposição semelhantes aos da macieira. É originário da China, onde é cultivado há milhares de anos. Da China foi levado para o Japão e outras regiões asiáticas, acabando por espalhar-se pelos vários continentes. Inclusive, os maiores produtores mundiais de dióspiro hoje em dia são a China, a Espanha, a Coreia do Sul, o Japão, o Azerbaijão e o Brasil. Espanha, sendo a maior produtora europeia, exporta para vários países europeus, incluindo Portugal.

É uma fruta de idade, cuja comercialização em Portugal, durante muito tempo, foi limitada pela fragilidade das variedades disponíveis, que não eram adaptadas ao armazenamento e transporte. O desenvolvimento e introdução de novas cultivares, de polpa rija, permitiu a armazenagem e comercialização da fruta durante um período mais longo, embora haja consideráveis diferenças de sabor, cor e textura entre elas.

Assim, existem basicamente duas formas deste dióspiro. Uma tenro, que é mais geral no nosso país, tem casca de uma laranja quase avermelhado quando maduro e é muito adstringente. Quando não está muito maduro, deixa uma sensação repugnante de amargo e rijo na língua. A outra forma é rija, tem uma casca mais clara quando madura e pode ser consumida uma vez que uma maçã, por exemplo, chama-se popularmente dióspiro de roer.

 

Utilização e valor nutricional

O dióspiro é um óptimo fruto para os olhos, graças à sua riqueza em vitamina A e B. É indicado para melhorar o estado de saúde da pele e cabelos, e é um mais valia para a saúde universal do aparelho estomacal. Ajuda a combater a hipertensão e o colesterol e é um fortificante do organização em universal.

O dióspiro é uma fruta bastante guloseima, pelo que devemos ter isso em atenção. É sobretudo consumido uma vez que fruta de mesa, depende dos gostos se preferimos os rijos ou os macios. Os macios são ótimos à sobremesa, abertos e polvilhados com canela. Além de ser consumido ao oriundo, o dióspiro pode ser assado no forno ou consumido em sedento.

Devemos ter atenção ao escolher os dióspiros; quando não estão muito maduros, são muito adstringentes, sobretudo os dióspiros moles. Logo, devemos escolher frutos com o pedúnculo, sem manchas na pele e sem fissuras. Frutos com fissuras têm tendência a azedar.

 

 


Outras utilidades e espécies do género dyospiros


O género dyospiros, aparentado ao ébano, também é cultivado pelas suas madeiras escuras e resistentes. Estas são muito apreciadas para o fabrico de móveis, de instrumentos musicais, entre outras finalidades em que seja necessária uma madeira rija.


É um género espalhado por vários continentes. Além do dióspiro geral em Portugal podemos primar o dióspiro americano (Dyospiros virginiana), muito consumido nos EUA embora bastante mais pequeno do que o nosso dióspiro, o mabolo (Dyospiros blancoi), nativo das Filipinas, que produz uma madeira muito rija e densa, chamada uma vez que outras espécies similares de pau-ferro e um fruto semelhante a um pêssego por fora, com uma polpa branca de mel suave.


O Dyospiros lotus é originário da Ásia e da Europa, e quase desapareceu substituído pelo dyospiros kaki; a maçã dourada (Dyospiros decandra) e o dióspiro preto ou sapote preto (Dyospiros nigra), de casca verdejante e polpa cor de chocolate, com sabor a pudim de chocolate.


Todas estas espécies são muito raras em cultivo no nosso país.

 




Condições de cultivo




O cultivo deve ser feito em solos profundos e muito drenados, de preferência areno-argilosos e com um pH entre 6,5 e 7,5. Devemos escolher um lugar soalheiro, muito amparado dos ventos e não sujeito a geadas tardias, que podem prejudicar a árvore e os frutos.















A propagação pode ser feita por sementes, mas é na maioria das vezes vegetativa, o que permite seleccionar as variedades e obter frutos de melhor qualidade e árvores mais produtivas.

É preciso alguma atenção na escolha das variedades a cultivar. As mais comuns em Portugal, uma vez que a ‘Grinalda de Rei’, ‘Kaki tipo’ e a ‘Roxo luzente’ necessitam de uma maturação completa antes de serem consumidas; são muito adstringentes. Outras, podem ser consumidas logo em seguida a colheita, uma vez que a ‘Fuyo’, a ‘Giro’ ou a ‘Fau-fau’.

 




 




Manutenção

As regas devem ser moderadas, sem encharcamento. Os frutos e os ramos caídos têm de ser retirados para evitar a propagação de pragas e doenças. As podas de limpeza, para expelir os ramos partidos e doentes, permitem um melhor arejamento da árvore.

Quanto às mondas, as vegetação infestantes devem ser retiradas das zonas perto do tronco dos diospireiros; isto evita a competição pelos nutrientes e o refúgio das pragas.

Apesar da poda ser precípuo, em seguida a colheita dos frutos, até para limitar o tamanho da árvore, o diospireiro é uma árvore de médio porte. Chega a produzir muro de 100 kg de fruta anualmente se for muito adubada e estimada. Para uma família média, uma ou duas árvores são suficientes para o consumo.


Para a adubação deve dar-se preferência a material orgânica uma vez que estrume de vaca ou constituído vegetal e outros adubos com bom texto de nitrogênio e de potássio. Deve ser realizada em seguida a colheita dos frutos, no final do Outono, inícios do Inverno.

 

Pragas e doenças

Porquê todas as frutíferas, também os diospireiros estão sujeitos à ação de pragas e de doenças, que, nos melhores casos, podem afetar a produção e a qualidade dos frutos e, nos piores, atingir a saúde da árvore ou até matá-la. Os diospireiros não são das frutíferas mais vulneráveis às pragas e doenças; o seu intensidade de vulnerabilidade é médio. As principais pragas que afetam os dióspiros são a cochonilha, os tripes, a lagarta-da-fruta e a mosca-do-mediterrâneo. 

Quanto a doenças, destacam-se a mancha das folhas e a antracnose. A prevenção e o combate rápido a estes flagelos são sempre as melhores opções.

 

 




Curiosidades sobre o dióspiro




  • O nome do género botânico, Diospyros, vem do heleno velho e significa literalmente “iguaria de Zeus” ou “trigo divino”.
  • A sensação de boca “amarrada” ou “áspera” ao manducar um dióspiro verdejante deve-se ao ressaltado texto de taninos solúveis. À medida que a fruta amadurece, esses taninos transformam-se em formas insolúveis, eliminando essa adstringência e tornando a polpa extremamente guloseima.
  • Exclusivamente 100g de dióspiro fornecem muro de 20% a 22% da ração diária recomendada de vitamina A.
  • Se comprar dióspiros de polpa tenro ainda rijos e quiser aligeirar o seu maduração, coloque-os num saco de papel ou numa fruteira ao lado de bananas ou maçãs.

 

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