Íris: características, tipos, cultivo e cuidados

Íris: características, tipos, cultivo e cuidados

Nas Íris, as pétalas erguem-se e curvam-se em diferentes direções, criando uma arquitetura delicada, por vezes perfumada, que pode apresentar quase todas as cores do arco-íris.

O género Iris pertence à família Iridaceae e inclui vegetalidade perenes rizomatosas ou bulbosas, originárias sobretudo das regiões temperadas do hemisfério setentrião. A sua inconstância é considerável: há íris que preferem solos secos e expostos ao sol, outras que necessitam de terreno fresca e algumas que crescem junto de lagos e cursos de chuva.

Por essa razão, não existe uma única regra de cultivo aplicável a todas. Antes da plantação, é necessário identificar o grupo a que pertence. Uma íris barbada instalada num solo encharcado terá poucas possibilidades de prosperar; uma íris-japonesa colocada num talude sequioso ficará também distante do seu cenário ideal.

Características

Estas vegetalidade desenvolvem folhas estreitas, alongadas e frequentemente semelhantes a espadas. Nos tipos rizomatosos, estas folhas nascem em leques a partir de um talo subterrâneo grosso e nivelado, denominado rizoma. Nos tipos bulbosos, a vegetal cresce a partir de um bolbo subterrâneo e costuma apresentar uma ramagem mais fina.

A flor possui seis tépalas, estruturas semelhantes a pétalas. Três encontram-se geralmente erguidas e são conhecidas porquê estandartes; as outras três abrem ou pendem para o exterior e recebem a designação de alas ou tépalas inferiores. Nas íris barbadas, estas últimas apresentam uma fita de pelos coloridos — a chamada barba — que orienta os insetos polinizadores para o meio da flor.

A floração pode ocorrer desde o final do inverno até ao verão, consoante a espécie. As pequenas Iris reticulata estão entre as primeiras a florir, enquanto muitas íris barbadas florescem na primavera e as siberianas ou japonesas prolongam o espetáculo até ao início do verão.

As flores podem ser azuis, violetas, brancas, amarelas, cor-de-rosa, acastanhadas, quase negras ou bicolores. Algumas são discretamente perfumadas; outras compensam a escassez de odor com ondulações e combinações cromáticas de grande riqueza.

Principais tipos de íris

As íris barbadas, representadas por numerosos híbridos associados a Iris × germanica, possuem rizomas carnudos e flores com uma fita de pelos nas tépalas inferiores. Preferem sol pleno e solo muito muito drenado. O rizoma deve permanecer parcialmente visível, pois o calor e a luz favorecem a floração.

Existem íris barbadas anãs, médias e altas. As cultivares mais altas podem aproximar-se de um metro e são muito utilizadas em canteiros de vegetalidade perenes. As formas anãs adaptam-se melhor a jardins rochosos, bordaduras baixas e vasos.

As íris siberianas, derivadas sobretudo de Iris sibirica, não possuem barba. Formam tufos elegantes de folhas estreitas, semelhantes às de algumas gramíneas, e flores geralmente mais delicadas. Preferem solos frescos ou húmidos, embora muito drenados, e conservam uma ramagem ornamental depois da floração.

As íris de zonas húmidas incluem espécies porquê I. pseudacorus, de flores amarelas, e I. ensata, conhecida porquê íris-japonesa. Podem ser utilizadas junto de lagos, charcos e linhas de chuva. Iris ensata aprecia solos profundos, ricos em húmus, húmidos e tendencialmente ácidos.

Entre as íris bolbosas encontram-se as pequenas I. reticulata e I. danfordiae, que florescem no final do inverno, e as íris-holandesas, mais altas e muito usadas porquê flor de galanteio. A portuguesa I. xiphium e as suas formas próximas contribuíram para a geração de vários híbridos bulbosos cultivados em jardins.

Utilização

As íris barbadas são excelentes para canteiros ensolarados, taludes e jardins mediterrânicos. Combinam muito com alfazemas, santolinas, salva, roseiras e gramíneas ornamentais, desde que não sejam abafadas por vegetalidade sobejo densas.

As siberianas integram-se em jardins naturalistas e prados de vegetalidade perenes, onde a ramagem vertical prolonga o interesse ornamental posteriormente a floração. As bolbosas podem ser plantadas em grupos sob árvores de folha engelhada, em jardins rochosos ou em vasos.

Nas margens de lagos, deve selecionar-se uma espécie adaptada à humidade, evitando transferir vegetalidade para cursos de chuva naturais. Algumas espécies, porquê Iris pseudacorus, podem expandir-se vigorosamente em condições favoráveis.

As flores de muitas íris são também utilizadas em jarras e arranjos florais. Devem ser cortadas quando o primeiro botão começa a transfixar, utilizando uma tesoura limpa.

Condições de cultivo

As íris barbadas devem ser plantadas no final do verão ou início do outono, num lugar com pelo menos seis horas diárias de sol. O solo deve ser fértil, mas drenante. Em terrenos argilosos, convém incorporar gravilha fina ou material orgânica muito decomposta e plantar num pequeno canteiro ressaltado.

Disponha o rizoma horizontalmente, com as raízes voltadas para plebeu. A segmento superior deve permanecer ao nível da superfície ou ligeiramente exposta. Enterrar profundamente uma íris barbada reduz a floração e aumenta o risco de podridão.

As íris bolbosas são plantadas no outono, geralmente a uma profundidade equivalente a duas ou três vezes a profundidade do bolbo. Ficam mais expressivas em grupos do que isoladas, formando pequenas manchas de cor.

As siberianas e japonesas devem ser plantadas com os rizomas cobertos, em solo que conserve a humidade. Esta diferença é fundamental: aquilo que protege uma íris de zona húmida pode fazer apodrecer uma íris barbada.

Propagação

A partilha dos rizomas é o método mais simples para multiplicar as íris e preservar as características das cultivares. Cada partilha deve possuir raízes saudáveis e um leque de folhas.

As espécies bolbosas propagam-se através da separação de bolbilhos durante o período de dormência. Estes podem demorar alguns anos a atingir dimensão suficiente para florir.

A propagação por semente é provável, mas lenta. As vegetalidade obtidas de cultivares híbridas podem apresentar flores diferentes da planta-mãe, transformando cada sementeira numa pequena lotaria cromática.

Manutenção

Depois a plantação, regue para proporcionar o enraizamento. As íris barbadas estabelecidas toleram períodos de seca e devem receber chuva unicamente quando o solo estiver sequioso. Evite molhar repetidamente os rizomas e a ramagem. As siberianas e japonesas necessitam de regas mais regulares, sobretudo durante o prolongamento e a floração. As vegetalidade junto de lagos devem preservar o solo permanentemente fresco ou húmido.

Aplique constituído muito podre ou um fertilizante equilibrado no início da primavera. Nas íris barbadas, evite adubos excessivamente ricos em nitrogênio, que estimulam folhas abundantes em prejuízo das flores. Um fertilizante com maior texto de potássio pode ser aplicado na primavera para proporcionar a floração. Não cubra os rizomas das íris barbadas com constituído ou cobertura vegetal.

Retire as flores murchas e galanteio as hastes florais junto à base depois de terminada a floração. A ramagem deve permanecer enquanto estiver verdejante, pois continua a nutrir o rizoma ou o bolbo. Quando as folhas amarelecerem no outono, podem ser cortadas e retiradas. Expelir a ramagem doente ajuda a reduzir a permanência de agentes patogénicos no canteiro.

Os tufos de íris barbadas devem ser divididos aproximadamente a cada três ou quatro anos, sobretudo quando ficam congestionados e produzem menos flores. A partilha faz-se posteriormente a floração ou no final do verão. Devem conservar-se as porções jovens e firmes da periferia, descartando os centros antigos ou danificados.

Pragas e doenças

As íris são geralmente resistentes, mas lesmas e caracóis podem testilhar folhas jovens e botões. Tripes e afídeos também podem surgir, sobretudo em condições quentes e secas.

As doenças mais comuns incluem manchas foliares, podridão bacteriana dos rizomas, podridão dos bolbos e viroses. Solos encharcados e pouca circulação de ar aumentam o risco de problemas.

Um rizoma tenro, escurecido e com odor repugnante deve ser removido. Desinfete os utensílios e evite replantar íris suscetíveis no mesmo lugar sem melhorar primeiro a drenagem.

Curiosidades sobre a íris

O nome Iris homenageia Íris, a diva grega do arco-íris e mensageira dos deuses. A extraordinária variedade de cores das flores tornou esta associação particularmente feliz.

Em Portugal ocorrem várias espécies do género, entre as quais Iris foetidissima, Iris pseudacorus, Iris planifolia, Iris subbiflora e Iris xiphium. Algumas são autóctones, enquanto outras surgem naturalizadas ou escapadas de cultivo.

Os rizomas secos de algumas formas de Iris pallida e espécies próximas são utilizados tradicionalmente na perfumaria. Depois de envelhecidos, desenvolvem o odor publicado porquê raiz-de-lírio ou orris, considerado porquê fixador de perfumes.

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