Do jardim à paisagem – Revista Jardins
O Jardim dos Barbadinhos é um jardim tropical que se revela uma vez que um manifesto paisagístico onde ciência fitologia, sensibilidade artística e vivência familiar se entrelaçam.
A cidade observada pelas vegetação
Conheço Lisboa, onde sou jardineiro há inúmeras décadas, de uma perspetiva dissemelhante, talvez inusitada pelo interesse que sempre senti pela paisagem vegetal urbana. Quanto mais urbana, mais possibilidades de me aventurar em surpresas e descobertas. E, quanto mais urbana, mais eu aprendia admirando demoradamente todas as vegetação dos parques e jardins públicos, isoladas ou em matas, semi espontâneas ou com função uma vez que vegetação de alinhamento, de mero ornamento ou de “obra”. Sobretudo, aquelas que os populares com arrojo e esmero plantavam por recriação. Estas constituíram a maior nascente de ensinamento.
A paixão moveu a minha experiência iniciada na jardinagem básica. Rapidamente dediquei-me à construção de paisagens que assentou num conhecimento adquirido, quase em individual, pela reparo no comportamento e aclimatação ao nosso país, das espécies que mais me deslumbraram: as vegetação com distribuição oriundo de regiões tropicais e subtropicais do planeta. Neste tema da fitologia e paisagismo, posso declarar que justifiquei todo o tempo da minha vida.


O jardim uma vez que obra íntima
Aprendi que ter mundo significa admirá-lo no que mais nos aprazente. Essa foi a razão de me focar no traçado de pequenas paisagens tropicais em jardins privados em Portugal. A exuberância estética das vegetação tropicais tem um poderoso efeito esmagador quando os espaços são planeados para promover a contemplação, sobretudo a partir do interno. Tal uma vez que é provável nesta mansão duma família lisboeta. Foi assim assinei mais um projeto de paisagismo com profunda satisfação.
Quando ali cheguei e me deparei com um soberbo palco de jardim por imaginar, senti-me tão seguro quanto natural no entrosamento evidente da coleção de espécies tropicais que de repentino escolhi. Fi-lo para delícia de quem vibra uma vez que honesto enamorado pelo belo ou revelando-se ao perito que se surpreenderá com o elenco, que antevê uma variedade inusitada, diria – arriscando-me tal uma vez que quando planto as espécies mais sensíveis – que assim se torna uma proposta pioneira nos jardins de Lisboa.
Cada jardim tropical que componho, assumo-o uma vez que uma extensão dos meus amados jardins pessoais. Irmanado ao espírito de um artista que nunca se desconecta emocionalmente da obra criada. Por tudo isso, o sabor no prazer em riscar uma vez que se para uso pessoal se destinasse formou-se de repentino.
Uma revolução vegetal nos Barbadinhos
Para o Jardim dos Barbadinhos, reuni uma seleção de espécies que, estando num qualquer jardim botânico, iria seguramente enaltecer, entusiasmar e enriquecer a sua coleção. A esta opção reclamo-a uma vez que assinatura e índole que insisto em primar na geração de jardins. Assim, tenho incondicionalmente em mente o esforço de posicioná-los supra do design, que nunca poderá ser subestimado, pois apresenta-se uma vez que um pilarin questionável.



A leitura da paisagem: cor, ritmo e sobrevivência
A leitura do Jardim dos Barbadinhos principia com uma paleta de cores em tons fortes. No lado esquerdo, alastra pelos espaços intermédios no jogo de folhas ornamentais de diferentes padrões e coloração de verdes, para terminar nos pálidos, à direita. Quanto mais me aprofundava na diferença de espécies listadas para formar o jardim tropical, mais embrenhava a dificuldade em definir a sua localização para conseguir prometer a sobrevivência das vegetação às condições ecológicas do espaço. As correções à teoria inicial são uma lanço sempre certa quando chega o momento de plantar. É a oportunidade única e final para emendar o projecto previsto. De todo o processo, é a profundeza que mais fascínio me provoca, onde a imaginação explode e o poder de solução só acontece fruto de muita experiência empírica, prática e concentração de ensaios.
O movimento está presente nas enormes frondes rendilhadas dos fetos arbóreos, que assumem a face feminina do jardim, enquanto as formas compactas e dimensionadas das estrelícias-gigantes evocam a pujança e vigor masculinos. A animação cromática das diversas bromélias é o farol da atração, que funciona entre a discrição da sua dimensão por oposição à cor.
Além da sua extrema venustidade, as bromélias funcionam no espaço uma vez que pontos de cor, chamando a atenção para aquilo que pretendo que seja o início da leitura do jardim. Guiam o olhar a partir duma zona específica que se desenvolve descobrindo emoções que a vontade das suas cores intensas provoca. Todo o jardim decorre uma vez que um desdobrável visual a quem o admira por primeira vez ou o vive uma vez que nascente de simetria quotidiana.
Quando a fitologia encontra a memória familiar
Se, por um lado, o Jardim dos Barbadinhos é contemplado pelo espetáculo que oferece a quem se deslumbra com a paisagem, por outro, revela assumir o poderoso simbolismo que a família atribuiu a cada réplica. Cá, entram em palco todos os membros da família que habitam a mansão, de quem colhi desejos pessoais que os conectam com a Natureza; um pé enraizado por um dos filhos adolescentes ou uma semente germinada, com expectativa, por outro.
O Jardim dos Barbadinhos é um incidente onde pude mesclar a ciência da fitologia no design de jardins com a regalia da origem da jardinagem literária.
Tudo surgiu por compreensão e leitura de modo natural, aceite pela família que vibrará através desta minha frase uma vez que jardineiro paisagista e a quem agradeço.
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