refúgio solar com sotaque portenho
Last Updated on: 22nd maio 2026, 05:36 pm

Basta passar pela porta de ingresso para perceber que quem vive nessa moradia tem um repertório e tanto. A arquitetura traz detalhes únicos, a mistura de cores e estampas é inusitada e a cozinha parece saída direto de uma pasta do Pinterest. Ao mesmo tempo, fica evidente que levante é um lar muito hospitaleiro, compartilhado em família e sempre pronto para receber os amigos. É o tipo de moradia onde o aconchego se expressa em cada escolha.
Tudo isso é propositado, é evidente. A designer gráfica Clari e o executivo Rodrigo vieram da Argentina e há mais de uma dez fizeram de São Paulo o seu porto seguro. Viver longe da cultura de origem reforçou a vontade de gerar um refúgio que os abraçasse por completo, e assim nasceu levante lar que mistura raízes argentinas, espírito brasileira e um olhar sincero para o mundo.
Mas antes de explorar cada quina, vale descrever porquê o par chegou até cá. Clari desembarcou em São Paulo em 2012, vinda de uma temporada em Londres, e Rodrigo chegou um pouco antes, em 2011 — ambos atraídos pelo trabalho e pela vigor pulsante da capital paulista. Eles se conheceram por meio de um grupo de argentinos, eram vizinhos de quarteirão e, depois uma enunciação de paixão em pleno show do The Cure, não se separaram mais.
A vida em família começou em um apartamento — foram 4 endereços no totalidade — mas a pandemia trouxe uma premência que Clari define porquê vital: ter um jardim e áreas livres para ver os filhos crescerem. Foi nessa procura por respiro que encontraram esta moradia e sentiram, logo de rosto, que ali era o lugar manifesto.







Pela amplitude e por descrever com áreas externas tanto na frente quanto nos fundos, a moradia já mostrava ter muito potencial, mas para que ela se tornasse o lar ideal, o par investiu em uma reforma para modificar desde pisos e tetos até a circulação dos cômodos. Clari explica que a transformação aconteceu em duas fases: “Na primeira lanço, focamos na estrutura bruta e o grande herói foi o nosso tarefeiro, que executou tudo com maestria. Já no segundo momento, para trazer o refinamento e o olhar estético que buscávamos, contamos com a Juliana Fiorini, do escritório Verso Arquitetura. Foi nessa lanço que a moradia realmente ganhou espírito”.
No caminhar de reles, o layout foi repensado para proporcionar a convívio: a cozinha, antes fechada, foi integrada à sala, e o vão embaixo da escada ganhou uma utilidade valiosa com a geração de um pia que não existia originalmente. “À noite, enquanto cozinhamos, as crianças estão ali com a gente ajudando ou brincando na sala; essa conexão é chave”, Clari diz. Nas áreas externas, a troca de pisos propôs uma pândega de estampas, enquanto a antiga edícula deu lugar a uma superfície de churrasqueira. Porquê não poderia deixar de ser na moradia de dois argentinos, esse espaço se tornou o coração dos encontros com amigos.






No meio desse processo, algumas escolhas estéticas precisaram se conciliar à vida real. A moradora recorda, por exemplo, a transformação do assoalho de madeira: “O piso da sala passou por dois momentos: no início, pintamos de branco, o que ficou lindíssimo, mas não era zero funcional para a rotina da família com dois filhos pequenos, pois sujava muito fácil. Depois, decidimos lixar tudo para revelar a madeira clara, e amei o resultado!”.
O olhar perfeito de Clari é o que corda todos esses elementos, transformando referências de viagens, bagagem cultural e repertório profissional em uma decoração que foge do óbvio. Para ela, a moradia é uma extensão de seu trabalho autoral: “Meu olhar me faz pensar em termos de formação, estabilidade e paleta de cores. Não vejo os cômodos isolados, mas porquê secção de uma identidade visual única. A escolha de cada peça passa pelo mesmo processo criativo de quando gravura uma estampa ou resultado para minha marca, a Suri Praia: busco simetria, mas sempre com um ponto de contraste. Não sabor de colocar um tanto simplesmente por ser bonito, tem que possuir um ‘porquê’ para aquele objeto, traste ou vegetal estar ali, e precisa ser funcional para a rotina da família”, explica. A mistura destemida dos tecidos listrados com ladrilhos quadriculados e cortinas coloridas é o melhor exemplo de seu treino cotidiano de mix and match.
A valorização do fazer manual é outro pilar que sustenta a decoração, traduzida em uma coleção de peças que carregam o calor do feito à mão. De suas incursões pela Índia para desenvolver a marca Suri Praia, Clari trouxe itens que agora ajudam a imaginar os ambientes — conectando novamente trabalho e lar. Tudo fica ainda mais hospitaleiro com objetos que guardam histórias próprias, porquê as louças herdadas da mãe, que é cozinheira, as mantas feitas por pessoas queridas e outras relíquias encontradas pelo mundo.
O caminhar de cima revela outras surpresas. Um dos grandes trunfos da obra foi a remoção do revestimento nos dormitórios para aproveitar a inclinação do telhado, e isso mudou muito a sensação de amplitude dos espaços. Para a moradora, esse pormenor traz um clima de moradia de campo ou de praia, porquê se estivessem sempre de férias. Outra melhoria que promove o bem-estar no dia a dia foi a reforma dos banheiros, tanto para atualizar os revestimentos antigos quanto para instalar banheiras para o par e para as crianças. “Queria que eles tivessem o mesmo protagonismo que um quarto, um lugar de relaxamento. Sentia muita falta de banheiras nos apartamentos brasileiros, logo ter uma cá é um luxo afetivo”, Clari conta.


Ao longo de mais de uma dez vivendo em São Paulo, Clari e Rodrigo construíram muito mais do que uma rotina; formaram uma base sólida e viram a família crescer — seus filhos, inclusive, são brasileiros. Apesar da saudade e da nostalgia estável por estar longe dos afetos, porquê seus pais, irmãos e amigos, o par encontrou o estabilidade ideal ao abraçar a vigor da cidade que impulsiona seus projetos e planos. Assim, o lar celebra a bagagem do pretérito enquanto abre as janelas para tudo o que o horizonte ainda suplente.
Texto por Bruna Lourenço | Coordenação de taxa por Dora Campanella | Fotos por Felco