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Vegetalidade invasoras em Portugal – Revista Jardins

Vegetalidade invasoras em Portugal – Revista Jardins

A prenúncio silenciosa que transforma a paisagem

Crescem depressa, adaptam-se com facilidade e, muitas vezes, seduzem pela exuberância. As vegetalidade invasoras são hoje uma das maiores ameaças à biodiversidade em Portugal, e a prevenção continua a ser a nossa melhor utensílio.

Todas as vegetalidade invasoras são exóticas, mas nem todas as vegetalidade exóticas são invasoras. A relevo é fundamental. Designam-se porquê invasoras as espécies com origem noutras regiões do mundo que, ao encontrarem condições favoráveis, apresentam prolongamento rápido, elevada capacidade de propagação e grande dificuldade de controlo, provocando impactos ambientais e económicos negativos.

Num primeiro olhar, podem até parecer inofensivas ou meramente ornamentais. Todavia, as espécies invasoras estão entre as maiores ameaças à biodiversidade a nível global. Alteram cadeias alimentares, competem agressivamente com a flora nativa, reduzem a disponibilidade de chuva nos lençóis freáticos — muitas vezes devido às suas elevadas necessidades hídricas — e afetam a produção agrícola ao apropriarem-se de recursos essenciais. Aliás, nalguns casos, podem ainda comprometer a saúde pública e descaracterizar profundamente a paisagem. Os seus impactos são complexos, difíceis de volver e, por vezes, irreversíveis. Por isso, a prevenção é a estratégia mais eficiente. Importa recordar que a plantação destas espécies em território pátrio é proibida.

Segundo o Decreto-Lei n.º 92/2019, estão identificadas 197 vegetalidade invasoras em Portugal. Entre as mais comuns e preocupantes encontram-se as acácias, a erva-das-pampas, o chorão-das-praias e as canas. A sua presença reiterada na paisagem pode levar à falsa perceção de que pertencem naturalmente ao território. Não pertencem. E a sua expansão representa uma prenúncio real aos ecossistemas. Demais, o controlo destas espécies exige mapeamento e monitorização contínuos — um trabalho exigente em que os cidadãos podem participar (mais informações em invasoras.pt). Por término, as estratégias de mediação variam consoante a espécie e o contexto, sendo indispensável uma avaliação técnica caso a caso.

Acácias

(Acacia spp.)

Todas as espécies de acácia presentes em Portugal têm regimento de invasoras. Árvores ou arbustos de prolongamento rápido, produzem abundantes sementes viáveis durante vários anos, cuja germinação é frequentemente estimulada pelo lume. Além da sua elevada capacidade de regeneração, alteram a formação química do solo — nomeadamente através da fixação de nitrogênio —, criando condições desfavoráveis à flora autóctone e conduzindo, a médio prazo, à sua substituição.

Canas

(Arundo donax)

Herbácea perene de grande porte, forma maciços densos sobretudo ao longo de linhas de chuva e na delimitação de campos agrícolas. A propagação por rizomas facilita a sua expansão, e a sua notável capacidade de regeneração em seguida o lume reforça o seu temperamento invasor. Assim, ao ocupar extensas áreas ribeirinhas, compromete a regeneração da vegetação nativa, altera a dinâmica dos ecossistemas fluviais e pode dificultar a circulação da chuva, aumentando o risco de cheias.

Grama-das-pampas

(Cortaderia selloana)

Herbácea de grande porte, amplamente utilizada em contextos ornamentais, produz inúmeras sementes facilmente dispersas pelo vento a longas distâncias. Aliás, o uso das suas inflorescências secas em decoração contribui, involuntariamente, para a sua disseminação. Ao formar maciços densos, condiciona a circulação da fauna, compete intensamente pelos recursos e tende a dominar o espaço. De difícil erradicação, é considerada uma das espécies invasoras mais problemáticas para os ecossistemas nacionais.

Chorão-das-praias

(Carpobrotus edulis)

Subarbusto perene e suculento, frequentemente encontrado em dunas e zonas costeiras, onde forma tapetes densos de prolongamento rastejante. Capaz de modificar as características químicas do solo, nomeadamente através da sua acidificação, impede o desenvolvimento da vegetação autóctone e prenúncio ecossistemas dunares particularmente sensíveis e já fragilizados.

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