Surto de ranavírus mata pererecas e acende alerta na Mata Atlântica
Uma novidade ameaço paira sobre os anfíbios brasileiros. Em um estudo recente, pesquisadores revelaram a morte em larga graduação de pererecas-macaco (Phyllomedusa distincta) pelo ranavírus, vírus que até agora não tinha sido o originador de mortalidade entre espécies nativas no Brasil.
O registro das mortes ocorreu na Suplente Privado do Patrimônio Procedente (RPPN) Santuário Rã-bugio, em Guaramirim (SC), onde também houve redução nas taxas de reprodução. “Os girinos apresentavam sintomas clássicos de ranavirose, porquê hemorragias e inchaço. E os que ainda estavam vivos nadavam com lentidão”, diz a bióloga Aline Fonseca, pesquisadora da Universidade Federalista do Paraná (UFPR) e principal autora do estudo.
Uma das suspeitas é que a disseminação do ranavírus possa estar associada à presença da rã-touro (Lithobates catesbeianus), considerada um reservatório do vírus.
A rã-touro foi trazida ao Brasil nos anos 1930 para ter sua músculos comercializada, mas a falta de interesse dos consumidores levou ao fechamento de ranários e ao descarte de rãs-touro na natureza.
Segundo Aline, foram coletados em campo indivíduos de 11 espécies de anfíbios, incluindo a rã-touro, em 13 pontos da Mata Atlântica nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Exames apontaram a presença do ranavírus em 61% deles.
Embora a perereca-macaco não seja classificada porquê em risco de extinção, duas outras espécies ameaçadas, o sapinho-admirável-da-barriga-vermelha (Melanophryniscus admirabilis) e o sapinho-da-bromélia (Melanophryniscus biancae), ambos com distribuição geográfica limitada no centrosul do Brasil, testaram positivo para o vírus.
Dois em cada cinco anfíbios no mundo estão ameaçados de extinção, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). O Brasil abriga a maior multiplicidade desses animais, sobretudo na Amazônia e na Mata Atlântica.
Entre as principais ameaças enfrentadas pelos anfíbios nas últimas décadas está outra doença, a quitridiomicose, que devastou populações inteiras no mundo todo.
Cientistas brasileiros se preocupam agora com a provável proliferação de mais um patógeno.
“O ranavírus é muito pouco estudado, e não tem sido considerado porquê uma ameaço, mas ele pode realmente levar ao declínio dessa e de outras populações de anfíbios”, alerta Felipe Toledo, professor da Unicamp e coautor do estudo.
Outra questão que soa porquê alerta entre os pesquisadores é o vestimenta do surto de ranavírus ter ocorrido 15 dias depois de ter sido registrada uma redução da umidade relativa do ar. Isso indicaria que a mudança climática poderia influenciar a replicação do vírus. Outro estudo, publicado em 2025, já alertava sobre o impacto do aumento de períodos prolongados de seca nos anfíbios brasileiros.
“É muito preocupante pelo vestimenta de vivermos em uma era de mudanças climáticas. O aumento da temperatura e a queda da umidade relativa do ar podem ser precursores de mais eventos porquê esses que relatamos”, conclui a bióloga.
Imagem do banner: perereca-macaco. Foto: Felipe Toledo.