Rosa do deserto (Adenium obesum)
Apesar do nome geral, a rosa do deserto não é uma roseira. Pertence à família Apocynaceae, a mesma dos loendros, das vincas e das dipladénias. O nome científico aceite é Adenium obesum, espécie originária de uma extensa região que abrange a África tropical ocidental e oriental e chega à Península Arábica. No habitat oriundo, cresce sobretudo em zonas áridas, desertos e matos secos.
Adaptada ao calor e a períodos de escassez de chuva, esta vegetal exige muita luminosidade, um substrato drenante e proteção contra o indiferente. Em Portugal, deve ser cultivada preferencialmente em vaso, para que possa permanecer no exterior durante os meses quentes e ser resguardada no inverno.
Características
Adenium obesum é uma vegetal perene, arbustiva e suculenta, com um talo basal muito engrossado e uma dimensão habitual próxima de 1 a 1,5 metros. Entre um pequeno embondeiro e uma vegetal florida em miniatura, a rosa do deserto possui uma silhueta muito original. O tronco engrossado, quase escultórico, sustenta ramos curtos, folhas brilhantes e flores que surgem em tons de branco, rosa, vermelho ou púrpura.
A propriedade mais marcante da rosa do deserto é o cáudice, uma base dilatada formada pelo tronco e pelas raízes, onde a vegetal armazena chuva e nutrientes. Esta estrutura permite-lhe resistir aos longos períodos secos dos seus territórios de origem e confere a cada réplica uma forma único.
Do cáudice nascem ramos grossos, lisos e acinzentados. As folhas concentram-se sobretudo nas extremidades, são simples, ovais ou oblongas e apresentam uma tonalidade virente claro. Quando as temperaturas descem ou a chuva se torna escassa, a vegetal pode entrar em dormência e perder parcial ou totalmente a ramagem. Esta queda não significa necessariamente que esteja doente.
As flores têm forma tubular, abrindo-se em cinco lóbulos largos. Nas vegetais silvestres predominam o branco, o rosa e o vermelho, muitas vezes com uma gorgomilos mais clara. A seleção hortícola deu origem a cultivares com flores amarelas, púrpura, quase negras, bicolores, dobradas ou com várias camadas de pétalas. A floração ocorre sobretudo durante os meses quentes, embora vegetais mantidas numa estufa luminosa e aquecida possam florir durante períodos mais prolongados. A falta de sol é uma das causas mais frequentes de pouquidade de flores.
Depois da polinização podem formar-se dois frutos estreitos e alongados, semelhantes a pequenos cornos. Quando amadurecem, abrem-se e libertam sementes providas de pelos sedosos, facilmente transportadas pelo vento.
A rosa do deserto é tóxica?
Todas as partes da vegetal são tóxicas por ingestão. A suco contém glicósidos cardíacos e pode também provocar irritação na pele e nos olhos. A rosa do deserto deve permanecer fora do alcance de crianças, cães e gatos. Em caso de ingestão por um bicho, contacte imediatamente um médico veterinário. Use luvas durante a poda e lave cuidadosamente as ferramentas e as mãos.
Utilização
A rosa do deserto é principalmente adequada ao cultivo em vaso. O recipiente permite controlar a drenagem, valorizar o cáudice e trasladar a vegetal para um lugar protegido quando chegam os meses frios.
Pode ser colocada num terraço, varanda, recinto ou junto de uma janela muito luminosa. Em jardins de clima quente e sem geadas, integra-se muito em composições com catos, aloés, agaves e outras vegetais tolerantes à seca.
A forma engrossada do tronco permite também conduzi-la porquê uma pequena árvore ornamental, através de podas cuidadosas. É frequentemente apresentada porquê bonsai, embora se trate, mais precisamente, de uma vegetal caudiciforme moldada segundo princípios semelhantes.


Condições de cultivo
A primavera é a melhor estação para plantar ou reenvasar a rosa do deserto. Escolha um vaso exclusivamente ligeiramente maior do que o torrão e com vários orifícios de drenagem. Os recipientes de terracota são particularmente úteis porque permitem uma secagem mais rápida do substrato.
Utilize uma mistura própria para catos e suculentas, melhorada com pedra-pomes, perlite, areão hortícola ou areia grossa. Um substrato pesado e rico em turfa pode guardar chuva durante muito tempo e provocar o putrefacção das raízes e do cáudice. A espécie exige uma drenagem muito eficiente.
Coloque a vegetal à mesma profundidade a que se encontrava no recipiente anterior. Nos exemplares adultos, a segmento superior do cáudice pode permanecer visível, mas a exposição das raízes deve ser feita gradualmente. Depois do reenvasamento, espere alguns dias antes de regar, sobretudo se alguma raiz tiver sido cortada.
A rosa do deserto necessita de sol profuso para crescer de forma compacta e florir. Os exemplares adultos podem permanecer ao sol, enquanto as vegetais jovens beneficiam de sol de manhã e luz filtrada durante as horas mais quentes. Em interiores, deve permanecer junto da janela mais luminosa da mansão. Sem luz suficiente, os ramos tornam-se alongados, o incremento perde vigor e a floração diminui.
Uma vegetal que passou o inverno dentro de mansão deve ser gradualmente habituada ao exterior. A mudança súbita de uma repartição para o sol intenso pode queimar as folhas.
Quanto ao clima, a rosa do deserto aprecia calor e não tolera geadas. Deve ser protegida quando as temperaturas noturnas começam a aproximar-se dos 10 a 13 °C, mantendo-se num lugar sequioso, luminoso e protegido durante o inverno. Uma marquise, estufa ou repartição muito luminosa é geralmente mais adequada do que uma sala aquecida e escura. O calor sem luz pode provocar rebentos fracos e deformados.
Propagação
A rosa do deserto pode ser propagada por sementes, estacas ou enxertia. As sementes frescas germinam rapidamente em condições quentes, num substrato húmido mas nunca saturado. Demais, as vegetais obtidas por semente desenvolvem formas e flores variáveis, o que torna o processo particularmente interessante para colecionadores.
As estacas produzem exemplares geneticamente iguais à planta-mãe. Devem ser retiradas durante a estação de incremento e colocadas num substrato muito drenante. Também podem formar um cáudice, embora oriente processo seja mais lento do que nas vegetais semeadas.
A enxertia é muito utilizada para multiplicar cultivares de flores dobradas ou de cores específicas.
Manutenção
Rega
Durante a primavera e o verão, regue profundamente e deixe a chuva transpor pelo fundo do vaso. Volte a regar exclusivamente quando o substrato estiver praticamente sequioso. Embora tolere a seca, uma rosa do deserto em incremento ativo não deve permanecer semanas sem chuva. O cáudice pode iniciar a perder firmeza e a ramagem deixa de se desenvolver.
No outono, reduza gradualmente as regas. Durante a dormência, principalmente se a vegetal estiver num lugar fresco, forneça muito pouca ou nenhuma chuva. A combinação de indiferente e substrato molhado é particularmente perigosa.
Adubação
Durante o incremento, aplique mensalmente um fertilizante líquido equilibrado, em metade da ração recomendada. Um resultado com pouco nitrogênio e maior proporção de fósforo e potássio pode proporcionar um incremento compacto e uma floração mais profuso.
Suspenda a adubação no outono e no inverno. Uma vegetal dormente não consegue utilizar os nutrientes, que acabam por se apinhar no substrato.
Poda
Pode a rosa do deserto no início da primavera, quando surgem os primeiros sinais de incremento. Retire ramos secos, danificados, cruzados ou excessivamente compridos.
Os cortes feitos supra de uma folha ou de um nó tendem a estimular a ramificação, criando uma despensa mais densa. Utilize sempre uma instrumento limpa e luvas, pois a vegetal liberta uma suco leitosa tóxica.
Pragas e doenças
Afídeos, cochonilhas, cochonilhas-algodão e ácaros podem guerrear folhas, rebentos e raízes. Observe regularmente as extremidades dos ramos e a página subalterno da ramagem. Pequenas infestações podem ser removidas com chuva ou com um tecido húmido.
O problema mais grave é a podridão das raízes e do cáudice, quase sempre associada ao excesso de chuva, indiferente ou má drenagem. Tecidos moles, escurecidos e com odor repugnante devem ser removidos até se encontrar uma zona firme e saudável.
Podem também surgir manchas foliares de origem fúngica, sobretudo quando existe elevada humidade e pouca circulação de ar.
Curiosidades sobre a rosa do deserto
O nome Adenium terá origem numa forma latinizada de Aden, região da Península Arábica. O epíteto obesum significa grosso ou carnudo, numa referência direta ao seu cáudice volumoso.
Apesar da figura delicada das flores, a rosa do deserto é uma vegetal muito resistente. Guarda chuva no tronco, reduz a atividade durante o indiferente e pode perder as folhas para galgar períodos desfavoráveis.
Cada cáudice cresce de maneira dissemelhante, transformando a vegetal numa pequena estátua viva. Com muito sol, regas ponderadas e um inverno sequioso e protegido, a rosa do deserto oferece uma das combinações mais surpreendentes do mundo vegetal: a austeridade de uma paisagem árida coroada por flores de seda.
Leia também:
Senecio articulatus variegata, a estátua viva das suculentas