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Projetos de mineradora financiada pelo Master afetam 127 áreas protegidas 

Projetos de mineradora financiada pelo Master afetam 127 áreas protegidas 

MINERADORA financiada pelo Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, a 3D Minerals possui 88 áreas de exploração de minerais críticos sobrepostas ou na zona de impacto de ao menos 127 áreas protegidas. Ao todo são afetadas dez terras indígenas, cinco territórios quilombolas, 23 unidades de conservação e 89 assentamentos de reforma agrária. 

Amplamente demandados pela indústria bélica e de tecnologia, os chamados minerais críticos – porquê cobre, lítio, terras raras e níquel – são usados na fabricação de diferentes produtos, porquê chips, torres eólicas e carros elétricos  

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A lista de áreas potencialmente impactadas inclui terras indígenas porquê Kayapó (PA), Mãe Maria (PA), Yanomami (RR), Kayabi (MT), Xikrin do Rio Cateté (PA) e Piripkura (MT), além dos quilombos Lagoa Grande (MG), Pitombeira (PB), Kalunga (GO) e Família Magalhães (GO).  

Os dados foram extraídos do Observatório da Transição Energética – plataforma de dados da Repórter Brasil, em parceria com o Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) e o PoEMAS (Grupo de Pesquisa e Extensão Política, Economia, Mineração, Envolvente e Sociedade), que monitora os impactos de empreendimentos ligados à transição energética sobre territórios protegidos. 

Das 88 áreas da 3D Minerals com impacto em territórios protegidos, ao menos 73 já tiveram a pesquisa mineral autorizada pela ANM (Filial Vernáculo de Mineração), segundo dados públicos da sucursal referentes a abril de 2026. Há registros envolvendo cobre, lítio, bauxita, cassiterita e terras raras. 

As áreas foram arrematadas pela 3D durante leilão da ANM em agosto de 2024, unicamente 45 dias em seguida a instalação da empresa. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a mineradora foi a grande vencedora do torneio, obtendo 276 áreas minerárias no país, das quais 116 de minerais críticos.  

Três meses em seguida o leilão, a 3D obteve empréstimo de R$ 152,9 milhões do Banco Master para financiar a obtenção das áreas arrematadas, segundo a Folha.  

O banco recebeu porquê garantia metade das ações da mineradora. Em seguida a liquidação do Master pelo Banco Meão, o empréstimo foi herdado pelo BRB (Banco de Brasília). 

A 3D Minerals pertence aos irmãos Daniel Wanderley e Eduardo Wanderley. Naturais de Belo Horizonte (MG), assim porquê Daniel Vorcaro, eles são conhecidos por negócios no setor de construção social e são novatos na mineração.  

Procurada, a 3D Minerals não retornou até a publicação da reportagem. 

ANM autoriza pesquisa em dimensão quilombola sem considerar comunidade 

Um dos casos que labareda atenção no portfólio da 3D Minerals é um requerimento de exploração de terras raras sobreposto ao quilombo Família Magalhães, no setentrião de Goiás.  

Reconhecida porquê quilombola há 22 anos, a comunidade ainda aguarda pelo título definitivo da terreno. Mesmo assim, a ANM autorizou a pesquisa minerária sobre o território sem consulta prévia aos moradores.  

A Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), ratificada pelo Brasil em 2004, garante a comunidades tradicionais o recta de serem consultadas sobre empreendimentos que as afetem. Porém, os documentos do processo mineral mostram que a sucursal ignorou a existência do quilombo durante a estudo de interferência de dimensão.  

“A dimensão objetivada está livre, conforme relatório de retirada de interferência”, concluiu o documento. Arrematada pela 3D em agosto de 2024, a pesquisa mineral foi autorizada pela ANM em janeiro de 2025.  

“Ninguém procurou a gente. Zero aconteceu até o momento”, afirma Gilvan Magalhães, liderança do quilombo. Ele afirma estar preocupado com o progressão dos projetos de mineração sobre o território. 

Em agosto, a Repórter Brasil mostrou que seis requerimentos de terras raras da mineradora canadense Aclara se sobrepõem ao quilombo Família Magalhães.  

A Aclara trabalha no projeto há pelo menos dois anos. A empresa já concluiu a pesquisa mineral, publicou o estudo de viabilidade, requereu a lavra em maio e deu início ao licenciamento ambiental junto ao governo de Goiás. Toda movimentação teve permissão da ANM, mas sem o consentimento da comunidade. A consulta aos moradores, conduzida pelo Incra, só começou em julho. A mineradora disse que, no licenciamento ambiental, vai excluir do projeto as áreas do quilombo. 

Procurada, a ANM diz que a estudo de interferência de áreas é feita com base na “legislação minerária vigente e normativos aplicáveis” e que a legislação não impede atividades minerárias em territórios quilombolas. “Não há previsão lícito que determine a eliminação da porção interferente nesses casos”, diz a nota. Segundo a sucursal, as áreas com restrição totalidade para mineração são unicamente as Terras Indígenas e as Unidades de Conservação de Proteção Integral (leia a revelação na íntegra). 

A 3D Minerals não se manifestou 

Processo da 3D Minerals também afeta TQ Kalunga e Chapada dos Veadeiros

O requerimento da 3D Minerals sobreposto ao Quilombo Família Magalhães está na zona de impacto de outras duas áreas protegidas: o quilombo Kalunga e a Chapada dos Veadeiros. 

Ocupando um dos maiores territórios quilombolas do país, a comunidade Kalunga também não foi consultada antes de a ANM autorizar a pesquisa da 3D Minerals. 

A Associação Quilombola Kalunga, que representa a comunidade, enfrenta uma guerra judicial de mais de uma dez contra a ANM para frear a cobiça minerária no território. 

Em 2018, a Justiça Federalista determinou que o logo DNPM (predecessor da ANM) suspendesse os processos minerários incidentes sobre o Sítio Histórico Kalunga e consultasse previamente a comunidade antes de conceder novas autorizações que atingissem o território. A decisão não foi cumprida.

Em agosto de 2025, a Repórter Brasil mostrou que, em meio ao interesse envolvendo minerais críticos, a ANM continuava autorizando pesquisas minerárias dentro do território Kalunga.

Dois meses depois, o MPF pediu o cumprimento da sentença. Só logo a ANM passou a satisfazer a decisão de 2018 de anular os requerimentos minerários, concluída neste ano, segundo apurou a reportagem.

O requerimento de terras raras da 3D Minerals faz também lema com o Parque Vernáculo da Chapada dos Veadeiros, unidade de conservação federalista de proteção integral. 

O projecto de manejo do parque, atualizado em 2021, não delimita uma zona de amortecimento nem estabelece regras específicas para a mineração no entorno. Os limites dessa zona e as regras de uso aguardam definição desde 2017 pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, ligado ao Ministério do Meio Envolvente).

Procurado, o ICMBio declarou, em nota, que a elaboração da zona de amortecimento é uma “prioridade” do instituto. Destacou ter realizado diversas reuniões ao longo de 2026 com os municípios goianos e outros atores envolvidos para elaboração de uma proposta, que atualmente está em temporada final. “A expectativa é que o decreto de geração da Zona de Amortecimento seja publicado ainda em 2026”, diz a nota.

Espaço mais afetada é parque em Mato Grosso contornado por pedidos minerários

Parque Estadual Cristalino, no Setentrião de Goiás, é a dimensão protegida mais afetada pelos requerimentos de minerais críticos da 3D Minerals, mineradora financiada pelo Banco Master, liquidado pelo Banco Meão. Foto: Martinho Philippsen/Parque Estadual Cristalino

A dimensão mais afetada pelos requerimentos de minerais críticos da 3D Minerals é o Parque Estadual Cristalino, unidade de conservação de proteção integral no setentrião de Mato Grosso. 

Dentro do parque, a mineração é expressamente proibida. Já na zona de amortecimento (dimensão de 10 km no entorno), as atividades minerárias também eram proibidas pelo projecto de manejo legalizado em 2010. Porém, em 2014, a gestão do logo governador Silval Barbosa (um ex-garimpeiro e empresário do ramo de mineração) publicou uma portaria e emendou o projecto de manejo, liberando atividades de mineração no entorno, sob protesto do Ministério Público Federalista e de ambientalistas na idade. 

Barbosa foi recluso em 2015 na Operação Sodoma, deflagrada pela Polícia Social de Mato Grosso com suporte do Ministério Público estadual. Conhecida porquê Lava Jato pantaneira, a investigação flagrou desvios de verbas públicas para financiamento de campanhas eleitorais no estado. 

Desde logo, o novo projecto de manejo tem permitido as atividades, “desde que, no processo de licenciamento ambiental, fique comprovado que o desenvolvimento da atividade não causará impacto ou dano direto ou indireto às Unidades de Conservação”. A ANM já concedeu diversas autorizações no sítio. 

O Observatório da Transição Energética aponta 18 processos de minerais críticos no entorno, todos solicitados entre 2018 e 2024, para exploração de cobre e cassiterita. A 3D Minerals responde por nove pedidos, dos quais dois estão na lema da unidade de conservação, enquanto os demais estão na fronteira sul do parque, margeando o rio Teles Pires, um dos formadores do rio Tapajós.

Procurada, a Secretaria de Meio Envolvente de Mato Grosso declarou que “não licencia empreendimentos de mineração no entorno do parque”, mas que, em seguida decisão judicial, licenciou três empreendimentos.

“Os processos seguem os ritos e são avaliados os riscos de erosão, assoreamento e contaminação, a proximidade de rios e nascentes e os possíveis impactos sobre a unidade de conservação”, diz a resposta da secretaria. “A Sema também exige medidas de prevenção, controle e mitigação dos impactos ambientais, principalmente para prometer a proteção do solo e dos recursos hídricos”, continua.

Já a ANM disse que o Parecer 525/2010 permite a licença de autorizações minerárias na zona de amortecimento de Unidades de Conservação de Proteção Integral. (leia as manifestações na íntegra).

* Nota da redação: reportagem alterada em 4 de novembro de 2026 para incluir oposicionamento do ICMBio.

**Esta reportagem foi publicada originalmente pela Repórter Brasil e republicada por ((o))repercussão.

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