Jarros ou callas: características, cultivo e diferenças
Com a sua espata branca erguida entre folhas amplas e luminosas, os jarros fazem segmento da memória de muitos jardins portugueses. Surgem junto de muros antigos, linhas de chuva, poços e terrenos húmidos, onde formam grandes tufos e anunciam a primavera com uma elegância quase cerimonial. Também conhecidos porquê jarros-brancos, jarros-das-noivas ou callas, pertencem à espécie Zantedeschia aethiopica. Apesar do nome científico, não são originários da Etiópia, mas da África Meridional, designadamente da África do Sul e do Lesoto. Pertencem à família Araceae, a mesma dos antúrios, filodendros e lírios-da-paz.
Ao lado destes jarros brancos tradicionais, existem as chamadas callas coloridas, muito apreciadas na floricultura e frequentemente associadas ao paladar italiano por flores de namoro de linhas depuradas. Embora pertençam ao mesmo género, não são simples versões coloridas de Zantedeschia aethiopica: derivam sobretudo de outras espécies e de híbridos hortícolas, exigindo um cultivo mais sequioso e maior proteção contra o insensível.
Características
Zantedeschia aethiopica é uma herbácea perene e geófita, que cresce a partir de um rizoma carnudo subterrâneo. Forma tufos densos e vigorosos, com 60 centímetros sobre um metro de fundura e largura, podendo ultrapassar estas dimensões em solos férteis e permanentemente húmidos.
As folhas e as hastes florais surgem diretamente do rizoma. Em condições favoráveis, a vegetal expande-se e origina colónias extensas. Nos climas amenos pode poupar segmento da ramaria durante o inverno; em locais frios ou sujeitos a geadas, a segmento aérea pode vanescer e voltar a rebentar na primavera.
As callas coloridas são mais compactas, com 30 a 60 centímetros de fundura. Adaptam-se muito ao cultivo em vaso e entram em dormência depois da floração.
Folha, flor e fruto
Os jarros brancos possuem folhas grandes, verdes e brilhantes, de forma sagitada, sustentadas por pecíolos compridos e carnudos. Formam uma volume vegetal superabundante, capaz de gerar um envolvente quase tropical.
Nas callas coloridas, as folhas são mais pequenas e estreitas. Muitas variedades apresentam manchas ou pintas claras, quase translúcidas. Esta propriedade permite distingui-las dos jarros brancos mesmo fora da floração.
Aquilo a que habitualmente se labareda flor do jarro é, botanicamente, uma inflorescência. A grande estrutura branca em forma de funil é uma espata, ou seja, uma folha modificada. No meio encontra-se o espádice amarelo, sobre o qual se distribuem numerosas flores verdadeiras, muito pequenas.
Na Zantedeschia aethiopica, a espata é normalmente branca, podendo comprar tonalidades esverdeadas conforme envelhece, e surge entre o final do inverno e o verão.
Nas callas coloridas, as espatas podem ser amarelas, laranja, cor-de-rosa, vermelhas, bordô, púrpura ou quase negras. Existem ainda variedades bicolores ou com margens contrastantes. A floração ocorre entre o final da primavera e o verão.
Depois da polinização, o espádice pode produzir várias bagas carnudas, inicialmente verdes e posteriormente amareladas. Cada fruto contém uma ou várias sementes envolvidas por polpa.
Toxicidade
Os jarros contêm cristais de oxalato de cálcio e são tóxicos por ingestão. A suco pode irritar a pele e os olhos, enquanto a mastigação das folhas, rizomas ou hastes provoca dor, inchaço da boca e perturbações digestivas. Devem ser mantidos fora do alcance de crianças pequenas e animais domésticos. Demais, todas as operações de manutenção devem ser realizadas com luvas.


Jarros brancos e callas coloridas: qual é a diferença?
O jarro branco tradicional pertence à espécie Zantedeschia aethiopica. É uma vegetal vigorosa, relativamente resistente e adaptada a solos húmidos, podendo crescer junto de charcos, valas e margens de cursos de chuva.
As callas coloridas pertencem sobretudo a cultivares e híbridos relacionados com espécies porquê Zantedeschia rehmannii, Z. albomaculata, Z. jucunda e formas tradicionalmente associadas a Z. elliottiana. São normalmente mais pequenas, menos resistentes ao insensível e exigem um solo fértil, mas bastante mais drenado.
O jarro branco pode tolerar terrenos encharcados e manter-se ativo durante grande segmento do ano. As callas coloridas têm um ciclo mais marcado: crescem e florescem na estação quente, posteriormente a qual a ramaria seca e o rizoma entra em dormência. Durante esse repouso, a rega deve ser suspensa ou muito reduzida.
Em Itália, as designações calla bianca e calle colorate são comuns no setor ornamental. A segunda sentença identifica sobretudo estes híbridos compactos, utilizados em vasos e flor de namoro, e não variedades coloridas do jarro branco.
Em Portugal, os jarros brancos vistos fora dos jardins não são autóctones. São vegetais exóticas escapadas de cultivo que se tornaram subespontâneas em locais húmidos, incluindo valas, margens de lagoas, cursos de chuva e terrenos encharcados.
Utilizações
Os jarros podem ser utilizados em maciços, jardins de inspiração subtropical, margens de lagos e zonas húmidas. São particularmente eficazes plantados em grupos, onde a repetição das espatas brancas cria um efeito luminoso entre a ramaria.
Zantedeschia aethiopica pode também ser cultivada porquê vegetal marginal, em cestos próprios para vegetais aquáticas, até muro de 30 centímetros de profundidade. Deve, todavia, controlar-se a sua expansão e evitar a introdução em linhas de chuva naturais.
As callas coloridas são mais adequadas para vasos, floreiras e canteiros muito drenados. Devido ao porte compacto, adaptam-se a varandas, pátios e pequenos jardins. Tanto as brancas porquê as coloridas produzem excelentes flores de namoro.


Condições de cultivo
Os rizomas são plantados na primavera, sobre cinco centímetros de profundidade. Nas variedades sensíveis, a plantação no exterior só deve ocorrer depois de passar o risco de geada.
Os jarros crescem ao sol ou em meia-sombra. Em solos muito húmidos, toleram uma exposição solar mais intensa. Em terrenos que secam rapidamente, é preferível oferecer sombra parcial, sobretudo durante a tarde. A falta de luz reduz a floração e favorece o desenvolvimento de folhas em detrimento das inflorescências. As callas coloridas apreciam também boa luminosidade, mas devem ser protegidas do sol escaldante e do calor excessivo.
Zantedeschia aethiopica prefere solos férteis, ricos em material orgânica e capazes de poupar a humidade. Cresce muito em terrenos húmidos ou temporariamente encharcados. Por outro lado, as callas coloridas necessitam de um substrato mais ligeiro e drenante. Em vaso, pode utilizar-se uma mistura de substrato universal, constituído muito podre e perlite ou pedra-pomes. O recipiente deve possuir bons orifícios de drenagem
Quanto ao clima, os jarros brancos são os mais resistentes do género e adaptam-se muito a grande segmento do litoral português. Em zonas frias, a ramaria pode ser danificada pela geada, sendo recomendável proteger o rizoma com uma estrato de material orgânica. As callas coloridas são mais sensíveis. Em regiões sujeitas a geadas, os vasos devem ser levados para um sítio protegido ou os rizomas retirados da terreno depois de a ramaria secar. Devem passar o inverno secos, num espaço fresco, ventilado e sem geada.
Propagação
O método mais simples de propagação consiste na partilha dos rizomas. A operação deve ser realizada durante o período de repouso ou no início da primavera. Para tal, retire a vegetal da terreno e separe porções de rizoma com raízes e pelo menos um rebento, deixe cicatrizar os cortes durante algumas horas e replante cada partilha.
A propagação por semente também é verosímil, embora seja mais lenta e não assegure a reprodução leal das características dos híbridos coloridos.

Manutenção
Ao escolher uma calla, é precípuo saber se se trata de Zantedeschia aethiopica ou de um híbrido variegado. Infligir a ambos o mesmo regime de rega é um erro frequente: o jarro branco aprecia humidade ordenado; a calla colorida necessita de drenagem e de um período de repouso sequioso. Assim, os jarros brancos devem ser regados regularmente, mantendo o solo fresco ou húmido durante o desenvolvimento e a floração. Enquanto isso, as callas coloridas devem receber chuva quando a superfície do substrato estrear a secar. Depois da floração, reduza gradualmente a rega e suspenda-a quando a ramaria vanescer.
Aplique constituído na primavera ou um fertilizante equilibrado durante o desenvolvimento. Em vaso, pode reger um tempero líquido quinzenalmente. Quando surgirem as hastes florais, um fertilizante rico em potássio favorece a floração.
Os jarros não necessitam de poda de formação. Retire folhas amarelas, ramaria danificada pela geada e hastes florais envelhecidas, cortando-as junto à base.
Pragas e doenças
Afídeos e tripes podem hostilizar folhas e inflorescências. O excesso de chuva e a falta de drenagem favorecem podridões bacterianas e fúngicas, sobretudo nas callas coloridas. Por término, os rizomas moles, escurecidos ou com odor repugnante devem ser eliminados. Evite plantar material doente e desinfete os utensílios antes de os utilizar noutras vegetais.
Curiosidades sobre as zantedeschia
O nome Zantedeschia homenageia o médico e botânico italiano Giovanni Zantedeschi. A relação italiana começa, portanto, no próprio nome do género e prolonga-se na possante presença das callas na arte floral e na produção de flor de namoro.
Apesar de serem chamadas callas, estas vegetais não pertencem ao género botânico Calla. O velho nome Calla aethiopica é hoje considerado sinónimo de Zantedeschia aethiopica.
Os jarros brancos encontrados em campos e valas portuguesas podem parecer segmento avoengo da paisagem, mas contam uma história de adaptação relativamente recente. Vieram dos jardins, encontraram chuva e clima favoráveis e, com a discrição de quem já conhece o caminho, instalaram-se para além dos muros.
Leia também:
Jarros e inhames