Professora usa o cordel para popularizar temas ambientais
Entre a rotina com os estudantes do ensino fundamental em João Pessoa, capital da Paraíba, e uma pesquisa intensa sobre o mundo das vegetalidade, a professora Cíntia Moreira Lima, 27, encontrou no cordel uma forma de popularizar os estudos da disciplina de ciências, da qual foi responsável até 2025.
“Acredito que a instrução é o principal caminho para fabricar nos alunos uma consciência ambiental. Eu sempre quis ensinar não só por ensinar, mas fazer com que os jovens tenham interesse por aquilo que eu esteja trabalhando, mesmo se pareça, a primeiro momento, difícil”, conta em entrevista ao ((o))repercussão a professora, uma jovem inquieta, com cabelos descoloridos, fala mansa e algumas tatuagens.
Lima esteve em alguns dos eventos mais importantes do calendário ambiental nos últimos anos, uma vez que a COP30, em Belém do Pará. Ela revela com orgulho uma vez que vem mobilizando uma constelação de ativistas em prol da floresta, reunindo professores, artistas, escritores e instituições. Seu trabalho uma vez que agitadora cultural começou quando estava na graduação, às voltas com seu trabalho de desfecho do curso de biologia. No meio do caminho, ela não se deparou com uma pedra: mas com cogumelos que brilhavam no escuro.
“[A princípio] a teoria era fazer um cordel sobre todos os biomas brasileiros, porque a floresta amazônica é inexaurível uma vez que tema”. Na era, Lima viajou pela primeira vez à Amazônia, e lá conheceu o trabalho da professora do Instituto Vernáculo de Pesquisas da Amazônia (INPA), Noemia Ishikawa, sobre cogumelos comestíveis usados pelo povo Yanomami. Daí, nasceu um projeto de adequar para a literatura infanto-juvenil a pesquisa da investigador.
O título saiu em 2021, “Brilhos na Floresta em Cordel”, e fala sobre os fungos bioluminescentes – que brilham no escuro. Com tiragem modesta, mas uma divulgação orgânica expressiva, o livro foi selecionado para a exposição “Simbiose – A conexão pelos fungos”, no Núcleo Cultural Oi Horizonte, no Rio de Janeiro, em 2023.

Linguagem
A adaptação de pesquisas acadêmicas para os mais jovens faz secção da didática utilizada pela professora no dia a dia. Influenciada por autoras uma vez que Claudete Gomes e Jarrid Arraes, Lima construiu, em parceria com o ilustrador Pedro Henrique Roble dos Santos, um universo encantando por onde passa o Rio Preto, destacando alguns habitantes da fauna e da flora no livro “A vida escondida na floresta do Rio Preto”, fundamentado no livro “A vida escondida que sustenta as florestas do Rio Preto”, de Bill Magnussun (e outros autores), investigador da Instauração de Esteio a Pesquisa do Amazonas (Fapeam).
“Árvores que são abrigo, de orquídeas a jacus, com galhos horizontais se encontra a macucu, junto com as micorrizas e macacos parauacu.” descreve Lima em determinado momento em “A vida escondida na floresta do Rio Preto”. Seus versos, potencializados pelas xilogravuras de Pedro Henrique, mostram detalhes de espécies nativas da paisagem ribeirinha, uma vez que flores, peixes e, simples, fungos.


Ainda um gênero predominantemente masculino, o cordel, muito popular em todo o Brasil, circulou tradicionalmente de mão em mão, sendo distribuído em feiras e editados de forma quase sempre independente. Patrimônio Intocável, o gênero atravessou gerações relevante também por conta da artesania proporcionada pelas xilogravuras, associadas ao folclore popular, à religião e a cenas cotidianas. “Ainda existe a visão de que o cordel não tem seu valor e reconhecimento. Queremos quebrar essa barreira, vender nas livrarias, na Amazon, ocupar diferentes espaços”.
Em 2021, Lima criou a editora artesanal Casulo Cordel em colaboração com ilustradores e diagramadores. “Toda vez que vou redigir um cordel, tenho que tocar no coração de alguém”, diz a autora, que proporcionou uma leitura emocionante na conferência TeDX Amazônia, em 2025, inspirada na cantiga Reconvexo. “Minha inspiração, na trova, é Caetano Veloso. E, uma vez que tradutor, Maria Bethânia”.
Lima, que tem começado a desenvolver a linguagem da performance na trova, já tem dois projetos para próximos livros. Um sobre a mito de Ipré, que se desenrola na Bica de João Pessoa, no Parque Arruda Câmara. Uma espécie de “Romeu e Julieta” paraibano, a história mostra o sofrimento da índia Ipré que chorou por seu estremecido Tambiá, guerreiro de uma tribo rival, até que suas lágrimas se transformaram na nascente localizada no parque. O outro, muito popular entre seus alunos, vai explorar outro universo: trata-se de uma obra sobre buracos negros, perceptibilidade sintético e tecnologia. “Quero recontar uma história que mostre uma vez que a ciência e a tecnologia valem a pena”.

