Paisagismo seguro protege moradores e pets
Antes de entrar no playground, percorrer pelo jardim ou passear com o pet, poucos moradores imaginam que algumas das vegetais ornamentais mais comuns nos condomínios podem simbolizar um risco à saúde.
Espécies valorizadas pela formosura, resistência e fácil manutenção escondem um potencial tóxico capaz de provocar desde irritações na pele e nas mucosas até quadros graves de intoxicação, asfixia e, em situações extremas, paragem cardíaca quando ingeridas ou manipuladas de forma inadequada.
O tema vem ganhando espaço entre especialistas em paisagismo, profissionais da saúde e administradores condominiais e impulsionando um novo concepção: o Paisagismo Seguro. A proposta defende que a elaboração dos jardins vá além da estética, priorizando também a segurança de crianças, idosos e animais de estimação, que compõem os grupos mais vulneráveis a acidentes com vegetais tóxicas.
A paisagista Simone Arthur Promanação, criadora do projeto Jardim do Bicho, explica que o paisagismo seguro segmento do princípio de que um jardim deve ser planejado considerando quem utilizará aquele espaço. “O objetivo não é varar a vegetação, mas ampliar o contato com a natureza e o bem-estar de forma tecnicamente planejada e segura”, afirma.
Segundo a perito, a escolha das espécies deve levar em conta fatores porquê toxicidade, presença de espinhos, frutos ou sementes atrativas, liberação de látex irritante e até a resistência das vegetais ao uso quotidiano por crianças e animais. Entre as espécies que exigem uma atenção próprio estão: comigo-ninguém-pode, jiboia, costela-de-adão, antúrio, copo-de-leite, lírio-da-paz, espirradeira, mamona, espada-de-São-Jorge e cica.
Atenção para a manutenção
Outro vista ainda pouco abordado, segundo Simone, é a escolha dos métodos de controle de pragas e de vegetais indesejadas utilizados na manutenção dos jardins, pois de zero adianta selecionar espécies vegetais seguras e, posteriormente, utilizar produtos capazes de provocar intoxicações em pessoas ou animais.

“Acompanhamos o relato de uma tutora que perdeu dois cães da raça shar-pei depois a emprego de herbicida, popularmente divulgado porquê ‘mata-mato’. Segundo as informações fornecidas pela tutora, o resultado foi aplicado na passeio do condomínio em frente à residência sem aviso prévio, sinalização ou isolamento do sítio. Os animais teriam caminhado sobre a dimensão tratada e, posteriormente, ingerido o resultado ao lamber as patas. Apesar do atendimento veterinário, ambos morreram dias depois”, alerta Simone.
Tema avança no Legislativo
A preocupação também chegou ao Poder Legislativo: diversos municípios discutem projetos para restringir ou proibir o cultivo de espécies tóxicas em áreas públicas e coletivas. Entre eles está o Projeto de Lei n.º 594/2025, em São Paulo, além de propostas em Curitiba, Rio de Janeiro, Natal (RN), Cuiabá e na Parlamento Legislativa do Amazonas. Embora ainda em tramitação, as iniciativas já demonstram uma tendência de incorporar a segurança ao planejamento paisagístico urbano.
O que fazer em caso de intoxicação?
A orientação é buscar atendimento médico imediatamente. Em Santa Catarina, também é provável entrar em contato com o CIATox/SC, unidade pública de referência em Toxicologia Clínica vinculada ao Hospital Universitário da UFSC, pelo telefone gratuito 0800 643 5252.
Quando a ocorrência envolver animais, o tutor deve procurar imediatamente um médico-veterinário, mesmo na privação de sintomas, que podem surgir tardiamente. Sempre que provável, recomenda-se fotografar a vegetal inteira, além de folhas, flores, frutos e sementes, para facilitar sua identificação.
Cinco cuidados para um paisagismo mais seguro em condomínios
1. Identifique as vegetais do condomínio — mantenha registro das espécies, preferencialmente pelo nome científico, e atenção próprio às áreas frequentadas por crianças e animais.
2. Evite substituições sem avaliação prévia — novas vegetais devem ser analisadas quanto à toxicidade, presença de espinhos, látex irritante, frutos e sementes potencialmente perigosos.
3. Tenha zelo com produtos químicos — fertilizantes, herbicidas e pesticidas devem ser armazenados corretamente e aplicados conforme as instruções do trabalhador, com isolamento e sinalização da dimensão tratada.
4. Sinalize riscos identificados — vegetais potencialmente perigosas devem ter o entrada restringido até que sejam avaliadas, manejadas ou substituídas.
5. Faça inspeções periódicas — verifique vegetais espontâneas (que nascem naturalmente na terreno, sem terem sido plantadas ou semeadas), frutos e sementes caídos, resíduos de poda e alterações feitas no jardim. A prevenção deve fazer segmento da rotina de manutenção.
Manadeira: paisagista Simone Arthur Promanação