À invenção da Tillandsia reichenbachii

À invenção da Tillandsia reichenbachii



 

Há vegetação que parecem desafiar algumas das regras mais elementares da jardinagem. A Tillandsia reichenbachii é uma delas. Não precisa de um vaso pleno de terreno para crescer, utiliza as raízes sobretudo para se prender a um suporte e recolhe grande segmento da chuva através das folhas. Uma vez que se isto não fosse suficientemente único, acrescenta ainda uma ramaria prateada, de figura quase escultórico, e flores delicadamente perfumadas.

Esta pequena bromélia sul-americana é uma magnífico escolha para quem aprecia vegetação de coleção, mas também para quem procura uma espécie original e relativamente resistente para cultivar dentro de lar ou num espaço exterior protegido.

 

Características

À primeira vista, a Tillandsia reichenbachii parece quase feita de prata. As folhas são estreitas, rígidas e recurvadas, revestidas por uma quantidade considerável de pequenas estruturas conhecidas porquê tricomas. É precisamente esta cobertura que lhes confere a tonalidade cinzento-prateada tão particularidade. Os tricomas estão longe de ter uma função meramente decorativa. Nas tillandsias, estas estruturas especializadas ajudam a captar chuva e nutrientes depositados sobre as folhas. Quanto mais visível é a cobertura prateada de uma tillandsia, maior tende a ser a sua adaptação a condições relativamente secas e luminosas.

As folhas que podem atingir aproximadamente 14 cm e uma vegetal que, em floração, ultrapassa os 20 cm. As folhas estreitas e recurvadas distribuem-se ao longo de um talo limitado e robusto, criando uma silhueta irregular e muito interessante. É, no entanto, durante a floração que esta aspecto quase austera revela outro lado. A inflorescência ergue-se supra da ramaria e produz flores em tons azul-violeta. A espécie é também apreciada pelo perfume das flores suave e semelhante ao da alfazema.

 

Uma vegetal que vive sem terreno

Na Natureza, as vegetação epífitas utilizam troncos e ramos de árvores porquê suporte, sem retirarem manjar da vegetal onde estão instaladas. Portanto, não são parasitas. Nas tillandsias, as pequenas raízes têm sobretudo uma função de fixação, enquanto a superfície das folhas desempenha um papel fundamental na sucção da chuva e dos nutrientes.

A World Flora Online refere a ocorrência de Tillandsia reichenbachii porquê epífita em zonas arborizadas, desde muro de 200 até 2000 metros de altitude, o que ajuda a compreender a capacidade de adaptação da espécie a condições ambientais distintas.

 

Utilização

Poucas vegetação oferecem tanta liberdade decorativa porquê a Tillandsia reichenbachii. Uma vez que não precisa de terreno, pode ser montada sobre cortiça, madeira, ramos secos ou outros suportes que não acumulem chuva.

Fica particularmente interessante suspensa, integrada numa pequena coleção de bromélias ou utilizada em composições verticais. O contraste entre a ramaria cinzento-prateada e uma peça de madeira envelhecida pode resultar numa combinação de grande simplicidade e elegância.

No entanto, convém não transformar a originalidade numa embuste para a vegetal. Recipientes de vidro totalmente fechados e composições onde não exista circulação de ar podem ser visualmente apelativos, mas são pouco adequados a longo prazo. Para uma tillandsia, o ar que circula em volta das folhas não é um luxo: faz segmento das suas condições de vida.

 

Condições de cultivo / instalação

Na Tillandsia reichenbachii, o melhor é fixá-la a um suporte de cortiça, madeira ou outro material resistente à humidade. Pode utilizar fio fino ou outro sistema de fixação que não estrangule nem danifique a vegetal. Com o tempo, as raízes poderão ajudar a prendê-la naturalmente.

Também é importante posicioná-la de forma a que a chuva não permaneça retida no núcleo das folhas.

Luminosidade: quanto mais prateada, maior a vontade de luz

A Tillandsia reichenbachii aprecia muita luminosidade. A própria Jardins já assinalava esta espécie porquê resistente e adequada a locais muito iluminados, embora protegidos do sol direto nos meses mais quentes. Dentro de lar, deverá permanecer relativamente próxima de uma janela luminosa. A luz intensa filtrada é uma boa opção. No inverno pode receber qualquer sol suave, mas o sol potente do meio do dia, sobretudo através de um vidro durante o verão, pode provocar queimaduras.

Em Portugal, pode permanecer no exterior durante grande segmento da era amena, numa varanda ou recinto protegido. Com a chegada do insensível, é prudente levá-la para um lugar consolado.

Propagação

Uma vez que acontece com muitas bromélias, cada roseta de tillandsia floresce unicamente uma vez. Mas não é propriamente um adeus: é o início de uma novidade geração.

Durante ou depois da floração, a planta-mãe tende a produzir rebentos laterais, frequentemente chamados “filhos”. Estes podem permanecer unidos, formando progressivamente um tufo, ou ser separados quando atingirem aproximadamente um terço do tamanho da planta-mãe. Para fins domésticos, deixar os rebentos crescerem junto da vegetal original é muitas vezes a solução mais simples — e também uma das mais bonitas, pois com os anos pode formar-se uma verdadeira colónia prateada.

 

Manutenção

A rega é provavelmente o desvelo que levanta mais dúvidas. A Tillandsia reichenbachii deve permanecer muito molhada quando é regada e muito seca entre regas. Mais importante do que seguir um calendário rígido é observar a temperatura, a humidade ambiental, a ventilação e a rapidez com que a vegetal seca. A chuva da chuva é particularmente adequada. Em regiões onde a chuva da rede é muito calcária, a utilização continuada dessa chuva pode deixar depósitos minerais sobre os tricomas e prejudicar a capacidade de sucção das folhas. Evite chuva muito dura.

Pode molhar abundantemente ou submergir a vegetal e, depois, deixá-la escorrer. Em períodos quentes e secos necessitará naturalmente de chuva com maior frequência; no inverno, sobretudo se estiver num envolvente fresco, as regas devem ser bastante mais espaçadas. Depois de regar, há uma regra fundamental: a Tillandsia reichenbachii deve secar relativamente depressa e nunca permanecer sempre húmida.

Não precisa de poda nem de reenvasamento. Retire unicamente folhas totalmente secas ou danificadas.

Uma fertilização muito ligeira durante a período de propagação pode ser benéfica, recorrendo a um fertilizante próprio para bromélias ou tillandsias e sempre numa concentração baixa. Nas vegetação aéreas, mais fertilizante não significa necessariamente mais propagação.

A circulação de ar continua a ser tão importante porquê a chuva e a luz. Uma vegetal sempre húmida num envolvente fechado está muito mais exposta a podridões.

Pragas e doenças

A Tillandsia reichenbachii é relativamente resistente e, em cultivo doméstico, os principais problemas costumam resultar mais de erros culturais do que de doenças. 

O maior inimigo é a podridão, geralmente associada à permanência de chuva entre as folhas, temperaturas baixas e ventilação insuficiente. Tecidos que escurecem e amolecem, principalmente junto ao núcleo da vegetal, devem servir de alerta. No extremo oposto está a desidratação. Folhas excessivamente enroladas, pontas secas e perda de vigor podem indicar chuva insuficiente, calor excessivo ou ar sobejo sequioso.

Quando cultivadas no exterior, as tillandsias podem ocasionalmente ser atacadas por caracóis ou lesmas. Cochonilhas também podem surgir em coleções de vegetação de interno, pelo que vale a pena observar regularmente as axilas das folhas.

 

Curiosidades sobre a Tillandsia reichenbachii

A espécie foi descrita botanicamente por John Gilbert Baker em 1889 e o nome Tillandsia reichenbachii continua atualmente aceite pelas principais bases taxonómicas internacionais.

O epíteto reichenbachii homenageia o botânico teutónico Heinrich Gustav Reichenbach.

Com a sua ramaria de prata, a capacidade de viver sem solo e uma floração perfumada que surge quase porquê uma recompensa para quem a soube observar, a Tillandsia reichenbachii é muito mais do que uma curiosidade fitologia. É uma pequena prova de porquê as vegetação encontram soluções extraordinárias para habitar lugares onde, à primeira vista, pareceria quase impossível crescer.

 

Fotografias de Jorge Freixial.

 

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