Acanto: Arquitetura viva no jardim
O género Acanthus, pertencente à família Acanthaceae, reúne tapume de 30 espécies distribuídas pelas regiões mediterrânicas, África e Ásia. Entre elas, o acanto ou Acanthus mollis é, sem incerteza, a mais conhecida. O seu nome encerra uma curiosa dualidade: deriva do helênico akantha, que significa “espinho”, enquanto mollis, em latim, significa “macio”. É uma descrição perfeita desta vegetal, cujas folhas são largas, suaves ao toque e profundamente recortadas, embora as inflorescências apresentem brácteas espinhosas.
A sua valimento vai muito além da jardinagem. Segundo a tradição, foi uma vegetal de acanto que inspirou o estatuário helênico Calímaco a fabricar os elegantes capitéis coríntios. Desde logo, as folhas de acanto tornaram-se um dos motivos ornamentais mais reproduzidos na arquitetura clássica, permanecendo presentes em edifícios, igrejas e monumentos por toda a Europa.
Características
O Acanthus mollis é uma vegetal perene, resistente, longeva, pouco exigente depois de estabelecida e que combina uma ramaria superabundante com uma floração subida e expressiva.
O maior portento do acanto reside na sua ramaria arquitetónica. As grandes folhas verde-escuras, brilhantes e profundamente lobadas podem atingir 80 cm de comprimento, formando volumosas rosetas que conferem textura e elegância aos canteiros durante grande segmento do ano.
No final da primavera e no início do verão, surgem vigorosas hastes florais que podem depreender tapume de 1,5 m de fundura. As flores brancas, parcialmente envolvidas por grandes sépalas e brácteas de tons púrpura, agrupam-se em espigas verticais de incrível efeito ornamental. Estas flores atraem abelhas, zangões e outros insetos polinizadores, tornando o acanto uma vegetal interessante também do ponto de vista da biodiversidade.
Atenção na Região Autónoma da Madeira
Na Madeira, o Acanthus mollis está classificado uma vez que espécie invasora. A legislação aplicável às espécies incluídas na Lista Pátrio de Espécies Invasoras interdita, entre outras ações, a sua detenção, compra, venda, transporte, cultivo e utilização uma vez que vegetal ornamental. Por esse motivo, as recomendações de plantação deste item destinam-se a Portugal continental.


Utilização
Graças ao seu porte escultural, o acanto enquadra-se perfeitamente em jardins mediterrânicos, clássicos ou contemporâneos, destacando-se em grandes maciços herbáceos, junto a muros de pedra ou em zonas de meia-sombra, onde a sua ramaria cria contrastes interessantes com agapantos, íris, sálvias e gramíneas ornamentais.
Pode também ser utilizado uma vez que ponto focal, no fundo dum canteiro ou associado a vegetação de ramaria mais ligeiro e maleável. Poucas espécies conseguem oferecer um efeito tão arquitetónico com tão poucos cuidados.
Condições de cultivo
Apesar da figura exótica, o acanto adapta-se muito muito a numerosas condições do clima de Portugal continental. Prefere solos profundos, férteis e muito drenados, mas tolera diferentes tipos de terreno, incluindo solos alcalinos e pedregosos. Depois de estabelecido, suporta períodos de seca graças ao seu poderoso sistema radicular, constituído por raízes grossas e carnudas capazes de armazenar chuva e reservas nutritivas.
Desenvolve-se tanto em pleno sol uma vez que em meia-sombra, sendo uma boa escolha para plantar sob a despensa de árvores caducas ou mesmo de pinheiros e carvalhos, onde poucas vegetação conseguem prosperar. Nas regiões de verões muito quentes, beneficia de alguma proteção durante as horas de maior calor, embora continue a revelar uma notável rusticidade.
Nas regiões de inverno suave, o início do outono é geralmente a melhor era para plantar o acanto. O solo defende ainda qualquer calor e as chuvas favorecem o desenvolvimento das raízes antes da chegada do verão. Nas zonas mais frias do Setentrião e do interno, a plantação pode ser realizada no início da primavera depois de pretérito o risco de geadas mais intensas. Deve evitar-se a instalação durante os períodos de calor extremo.
Manutenção
Em seguida a plantação, é recomendável manter alguma regularidade nas regas durante o primeiro ano. Uma vez muito enraizado, o acanto torna-se bastante mais independente e exige pouca manutenção.
Basta remover as folhas secas no final do inverno e trinchar as hastes florais posteriormente a floração, caso se pretenda limitar a produção de sementes ou preservar um aspeto mais desvelo.
No final do verão, sobretudo nas regiões mais secas, a ramaria pode vanescer completamente, entrando a vegetal em dormência. Não há motivo para rebate: com a chegada das primeiras chuvas de outono, rebenta novamente com todo o vigor.
Existe, todavia, um aspeto que merece atenção. As raízes do acanto são profundas, espessas e extremamente regenerativas. Qualquer migalha deixado no solo pode originar uma novidade vegetal, tornando difícil a sua remoção depois de estabelecida. Por esse motivo, convém escolher cuidadosamente o lugar definitivo antes da plantação. É uma vegetal pouco exigente, mas com uma vincada vocação para permanecer.
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