a maturidade emocional nas decisões condominiais

a maturidade emocional nas decisões condominiais

Há pouco tempo, durante uma discussão sobre uma demanda em condomínio, alguém comentou que eu tinha sensibilidade à repudiação. Até logo, eu não fazia teoria do que isso significava. Fui pesquisar e percebi que, em alguns momentos, realmente reagia de forma mais intensa às discordâncias. Isso me levou a pensar em alguma coisa muito presente na vida em coletividade, a dificuldade de separar a repudiação de uma teoria da repudiação de quem a apresenta.

Talvez um dos maiores desafios da convívio adulta não seja mourejar com críticas, mas aprender a conviver com o desacordo.

Condomínios são ambientes onde interesses, expectativas e percepções diferentes dividem o mesmo espaço. Assembleias, reuniões e decisões coletivas inevitavelmente produzem divergências. Nem toda proposta será aceita. Nem toda opinião encontrará base. O problema começa quando a recusa de uma sugestão deixa de ser interpretada uma vez que divergência administrativa e passa a ser sentida uma vez que desvalorização pessoal. Talvez muitos conflitos condominiais surjam exatamente nesse ponto.

Existe um comportamento cada vez mais discutido: pessoas que absorvem a repudiação de forma intensa, transformando o “não” dirigido à proposta em um “não” direcionado a si mesmas. E o condomínio, pela convívio estável, funciona quase uma vez que um campo de testes para isso.

O síndico apresenta uma medida de economia e encontra resistência. O mentor propõe mudanças e percebe pouca adesão. O morador leva uma demanda à parlamento e recebe votos contrários. Com facilidade, a mente abandona a estudo racional e entra numa tradução pessoal da discordância.

Mas existe uma pergunta importante: recusaram você ou unicamente a sua teoria? Na maioria das vezes, o que não foi aceito não é a pessoa. É somente a proposta apresentada naquele contexto. Essa separação parece simples, mas raramente é fácil. Porque toda teoria costuma carregar esforço, experiência, convicções e, às vezes, secção do próprio ego. Quanto maior a fusão entre identidade e opinião, maior tende a ser o desconforto diante da discordância.

Por isso, maturidade emocional talvez seja desenvolver a capacidade de separar duas coisas: O valor da pessoa; Da utilidade, oportunidade ou aderência da proposta.

Uma sugestão pode ser rejeitada por inúmeros motivos, limitação financeira, falta de prioridade, momento inadequado, divergência legítima ou simplesmente porque a maioria pensa dissemelhante. Zero disso define o valor humano de quem propôs. A convívio condominial exige compreender que opiniões precisam ser colocadas sobre a mesa para estudo coletiva, não sobre um altar esperando aprovação obrigatória.

O bom e maduro tirocínio da sindicatura pressupões que liderar não é ter todas as ideias aceitas, mas continuar contribuindo depois as discordâncias. Conselheiros equilibrados sabem que colaborar é dissemelhante de buscar validação. E condôminos conscientes percebem que participar da vida coletiva também inclui ouvir “não”.

Talvez um dos maiores aprendizados da convívio seja reconhecer que discordância não é hostilidade, divergência não é desrespeito e repudiação de uma proposta não equivale à repudiação de uma pessoa. Porque ideias precisam ser debatidas com racionalidade. Pessoas precisam ser respeitadas com distinção.

Misturar essas duas coisas costuma transformar decisões comuns em conflitos emocionais desnecessários. E talvez eu escreva isso porque ainda aprendo diariamente que, nem todo “não” diminui quem somos. Às vezes, ele unicamente segue outro caminho.

Rogério de Freitas é síndico profissional, graduado em Governo de Empresas e pós-graduado em Marketing e Gestão Empresarial, Coach Integral Sistêmico

 



Source link

Conheça

Importante

Obs: Não nos responsabilizamos pelo conteúdo dos anúncios divulgados no site ou por qualquer orçamento ou trabalho realizado por terceiros.