Fatores de risco ambientais podem aumentar em até 50% as quedas entre idosos
De conformidade com o Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), a prevalência de quedas na população idosa residente em áreas urbanas é de 25% — ou seja, um a cada quatro idosos sofre uma queda em um período de 12 meses. Essa estatística aumenta consideravelmente com a idade: tapume de 40% dos idosos com 80 anos ou mais caem todos os anos. Já em instituições de longa permanência, a frequência é ainda maior, alcançando os 50%.
O traumatismo é a quinta maior motivo de mortalidade na tira etária supra dos 65 anos, sendo a queda responsável por 70% das mortes acidentais em pessoas com mais de 75 anos. Quase metade desses óbitos é decorrência direta de complicações de uma fratura de fêmur.
“Depois a hospitalização por queda, algumas complicações podem culminar com a morte. O trambolhão foi considerado um dos principais preditores de mortalidade em estudos realizados no exterior”, aponta o médico profissional em geriatria, Dr. Mauro Montaury de Souza. O profissional labareda a atenção para os fatores de risco ambientais, que podem responder por até 50% das quedas entre idosos que vivem em comunidade.
Diante disso, a acessibilidade nos condomínios se torna um quesito urgente. A arquitetura do prédio e suas áreas comuns devem seguir os padrões de segurança descritos na norma ABNT NBR 9050, garantindo o livre entrada para idosos e pessoas com deficiência (PCD). O condomínio deve incluir rampas com inclinação correta, elevadores integrados, sinalização visual com letras maiúsculas em fontes legíveis e iluminação reforçada.
Atenção próprio deve ser dada aos pisos, que precisam ser estritamente antiderrapantes e recontar com diferenciação de cores nos degraus das escadas. O uso de tapetes decorativos em áreas de passagem não é recomendado.
“A queda é um fator de tá risco para o idoso, pois pode provocar fraturas graves, incapacidade motriz e até a morte”, alerta a enfermeira e coordenadora do Núcleo de Estudos da Terceira Idade da Universidade Federalista de Santa Catarina (UFSC), Jordelina Schier.
Prevenção e atenção ao idoso no condomínio
Estrutura e Manutenção:
• Adequação técnica: Adeque as áreas comuns às normas de acessibilidade (NBR 9050);
• Atenção à limpeza: Evite deixar resíduos de sabão ou detergente durante a lavagem de corredores e calçadas, isolando a dimensão até que esteja totalmente seca;
• Iluminação em dia: Nunca deixe áreas pouco iluminadas ou com lâmpadas queimadas;
• Segurança nas subidas: Locais de encosta ou talude devem possuir obrigatoriamente corrimãos contínuos e sinalização tátil;
• Informação de emergência: Avalie a instalação de interfones de emergência ou “botões de pânico” em locais baixos nas garagens e subsolos.
Gestão humana e social:
• Autonomia: Preserve a independência do morador idoso, mas coloque a estrutura do prédio a seu obséquio;
• Inclusão ativa: Consulte o idoso antes de realizar projetos de socialização e verifique se ele gostaria de participar;
• Combate ao isolamento: Promova encontros e eventos de integração entre diferentes gerações para evitar o isolamento social;
• Saúde mental: Incentive a prática de atividades físicas moderadas nas áreas comuns e jogos que estimulem a memória e a originalidade.
Treinamento da equipe:
• Mapeamento de riscos: Conheça o perfil dos moradores e identifique quem reside sozinho ou necessita de maior assistência;
• Integração de funcionários: Oriente imediatamente os novos colaboradores e prestadores de serviço sobre a presença e o desvelo com os moradores idosos;
• Capacitação da portaria: Treine porteiros e zeladores para que saibam amparar, facilitar e identificar sinais de urgência com a terceira idade;
• Ficha de emergência: Mantenha um cadastro atualizado com os contatos de familiares, médicos e números de telefone dos amigos mais próximos para casos de premência;
• Primeiros socorros: Mapeie previamente as limitações de saúde e possíveis doenças crônicas de moradores vulneráveis para otimizar o tempo de resposta em caso de primeiros socorros.