Home Blog Artigos o que os condomínios ainda ignoram sobre eventos climáticos
o que os condomínios ainda ignoram sobre eventos climáticos

o que os condomínios ainda ignoram sobre eventos climáticos

A chuva mal começa quando os primeiros sinais aparecem: o portão da garagem trava e as luzes passam a oscilar. Em poucos minutos, o condomínio fica sem força e o que parecia somente um temporal generalidade começa a transpor do controle. A chuva avança do lado de fora e, lá dentro, ninguém sabe ao evidente o que fazer.

Situações uma vez que essa têm se tornado cada vez mais frequentes e expõem um risco real: muitos condomínios ainda não têm preparo para mourejar com eventos climáticos extremos.

Mas se o poder público já investe em simulações para treinar respostas a desastres, dentro dos condomínios a lógica ainda é outra: a maioria só descobre suas fragilidades quando o problema já começou.

Em Santa Catarina, o maior simulado de desastres do país, realizado em março pela Resguardo Social, mostrou progressão no preparo das comunidades, com maior domínio de protocolos e respostas mais organizadas. Ainda assim, o principal repto continua sendo humano.

Diretor De Gestão De Desastres
Coronel Renaldo revela que o sinistro é, por definição, o encontro de um fenômeno originário com uma sociedade vulnerável

Segundo o diretor de gestão de desastres da Resguardo Social estadual, coronel Renaldo Onofre Laureano Junior, o problema não está somente no evento climatológico em si. “O sinistro é, por definição, o encontro de um fenômeno originário com uma sociedade vulnerável”, diz.

E essa vulnerabilidade, muitas vezes, começa antes da chuva.

Problemas silenciosos que aparecem na tempestade

Eventos extremos não criam falhas do zero. Eles expõem fragilidades que já estavam ali, muitas vezes ignoradas. Pequenos sinais vão surgindo: uma infiltração em dias de chuva, uma calha que transborda, uma telha solta pelo vento. Zero que, isoladamente, pareça urgente. Mas tais sinais, quando somados, indicam que o prédio já não responde uma vez que deveria.

Quando o evento climatológico chega, a chuva encontra caminhos indevidos, a drenagem não dá conta e estruturas passam a ser exigidas no limite. O que antes era administrável passa a gerar impacto dentro das unidades, nas áreas comuns e, em alguns casos, na própria operação do condomínio.

O engenheiro social Leopoldo Vinter, técnico em assessoria técnica condominial, explica que situações simples podem escalar rapidamente. “A falta de limpeza de calhas, por exemplo, é um pouco de insignificante dispêndio, mas pode suscitar infiltrações, danos a móveis e prejuízos significativos dentro das unidades”, diz.

Esse tipo de problema, segundo o engenheiro social Ricardo Moacyr Mafra, da Rigaro Engenharia e Arquitetura, está diretamente ligado à exiguidade de manutenção contínua. Infiltrações em fachadas, falhas em coberturas e deficiências em sistemas elétricos e hidráulicos estão entre as patologias mais comuns e que tendem a se exacerbar justamente em períodos de chuva intensa, quando tudo é mais exigido.

Ricardo Mafra
Ricardo orienta que a manutenção contínua das estruturas é uma das principais formas de reduzir riscos

Ele labareda atenção, principalmente, para os sistemas de drenagem. Com a impermeabilização crescente das cidades e a redução de áreas verdes, aumenta a obediência de soluções artificiais para escoamento da chuva – muitas delas baseadas em bombas de recalque. Quando esses sistemas falham, o impacto costuma ser subitâneo.

“Para mitigar o risco de colapso em eventos críticos, é fundamental que o empreendimento tenha um sistema de drenagem muito dimensionado, com redundância operacional e integrado a dispositivos de proteção, uma vez que geradores de força”, explica.

Na prática, o efeito pode ser subitâneo: garagens alagam, veículos são atingidos e elevadores param. Em cenários mais críticos, o problema vai além do visível: a chuva pode comprometer sistemas de drenagem externos e atingir a própria estrutura das edificações. Foi o que aconteceu em um condomínio no setentrião do estado, em seguida um período prolongado de chuvas intensas.
A força da chuva comprometeu uma galeria de drenagem próxima, afetando as fundações de um prédio vizinho. O piso da garagem cedeu parcialmente, surgiram fissuras em pilares e foi necessária a atuação da Resguardo Social. “Esse tipo de ocorrência mostra que os eventos climáticos podem, sim, atingir diretamente a estrutura da fundação quando há interação com o entorno”.

Nem sempre, porém, a origem está nos vícios construtivos. Muitas vezes, é resultado da combinação entre desgaste originário, falta de manutenção e condições extremas. “Um evento climatológico pode evoluir rapidamente de um transtorno para uma situação de cume impacto financeiro e operacional”, alerta Leopoldo.

Leopoldo Vinter
Leopoldo alerta que um evento climatológico pode evoluir rapidamente de um transtorno para uma situação de cume impacto financeiro e operacional

No termo, o que está em jogo não é somente reagir muito à chuva, mas perceber, antes, tudo aquilo que já indicava que um pouco não estava evidente.

O erro mais generalidade: agir quando já é tarde

Se os problemas estruturais são um risco, o comportamento das pessoas costuma exacerbar o cenário. Mesmo diante de sinais claros, a reação mais generalidade ainda é esperar. A decisão de transpor, agir ou tomar uma medida preventiva é adiada – muitas vezes pela sensação de que não vai ser tão grave assim.

De consonância com a Resguardo Social, é essa morosidade que torna a resposta a emergências mais difícil e arriscada. “Isso leva a resgates complexos de última hora. Quando percebem o risco, o problema atingiu o vértice e as rotas de fuga já estão comprometidas”, diz.

Esse mesmo padrão se repete na gestão dos condomínios. A cultura de prevenção ainda enfrenta resistência, seja pela pressão por reduzir custos, seja pela dificuldade de priorizar riscos que ainda não se concretizaram. Manutenções são adiadas, revisões ficam para depois e decisões importantes acabam sendo postergadas. Mas a conta chega. E é quase sempre mais subida.

A manutenção contínua das estruturas é uma das principais formas de reduzir riscos, independentemente da ocorrência de eventos extremos. “A proteção das edificações depende da conscientização de moradores e gestores, principalmente síndicos, sobre a valimento de manter tudo em adequado estado de conservação”, explica Mafra.

Estudos da espaço de engenharia indicam que reparar um problema pode custar até 25 vezes mais do que preveni-lo, dependendo do momento em que ele é identificado. Na prática, quanto mais cedo se atua, menor o dispêndio e o impacto. “Existe uma cultura generalizada de baixa atenção à prevenção. Há uma pressão manente por redução de custos condominiais, o que muitas vezes leva à postergação de manutenções essenciais. No entanto, essa economia aparente tende a se transformar em gastos muito maiores no porvir”, afirma Leopoldo.

Projecto de contingência: o que separa o susto do caos

Quando a rotina de um condomínio é interrompida por um evento extremo, o que define o desfecho não é somente a intensidade da chuva, mas o nível de preparo para mourejar com ela. Sem um projecto simples, decisões são tomadas no improviso e, em situações de risco, isso custa tempo, segurança e quantia.

Por outro lado, quando existe um projecto de contingência estruturado, a resposta tende a ser mais rápida e organizada. Isso inclui saber quem faz o quê, uma vez que a notícia será conduzida e quais medidas devem ser adotadas em cada tipo de ocorrência, seja ela uma queda de força ou dilúvio.

Para o síndico profissional Rodrigo Lüttke, a diferença está justamente na antecipação. “O melhor que um síndico pode fazer é desenvolver um projecto de contingência. Ele precisa prever situações uma vez que falta de força e de chuva, pessoas presas em elevadores, emergências médicas e falhas estruturais”, diz.

Rodrigo Luttke
Rodrigo indica que o síndico deve fabricar um projecto de contingência para prever falhas estruturais, operacionais e emergências com moradores

Mas existe um ponto que, segundo ele, costuma ser negligenciado e que pesa diretamente no momento da crise: a notícia. “O maior erro que o síndico pode cometer é se ausentar. Quando falta notícia, surgem boatos e instabilidade”.

Mesmo sem todas as respostas, manter os moradores informados e dar previsibilidade sobre os próximos passos ajuda a reduzir o pânico e manter a organização interna.

Há também impacto financeiro. Em situações emergenciais, agir rápido depende de recursos disponíveis. Em um dos casos enfrentados por Lüttke, um vendaval danificou o telhado de um condomínio e foi o fundo de suplente que permitiu a resposta imediata, evitando prejuízos maiores.

O caso ilustra um ponto mediano: quando há preparo técnico e financeiro, o condomínio ganha capacidade de resposta. Quando não há, o cenário tende a escalar.

smartech geradores bannermateria

Queda de força e o efeito em masmorra que exige preparo

Se a chuva expõe falhas na estrutura, a falta de força revela outra fragilidade: o quanto o condomínio depende da eletricidade para funcionar – o que, muitas vezes, ainda é subestimado.

Quando a força cai, não é só a luz que apaga. Elevadores param, o controle de entrada falta, câmeras saem do ar e o aprovisionamento de chuva pode ser afetado, já que as bombas deixam de operar.

E, ao contrário do que muita gente imagina, o problema geralmente não está na geração, mas na distribuição. Tempestades derrubam árvores, rompem cabos, alagam subestações e desarmam sistemas de proteção. A força até existe, mas não chega.

Dentro dos condomínios, o impacto é rápido e em masmorra. O que começa com uma queda de força pode virar um problema sério em minutos. “A maioria das pessoas acha que falta força porque esta acabou, mas nem sempre é isso. A concessionária até consegue gerar, mas não consegue entregar”, explica o executivo de negócios da Smartech Geradores, Rodrigo Souza.

Rodrigo Souza
Souza explica que o que faz diferença em momentos críticos é o nível de preparo do gestor

Nesses momentos, o que faz diferença é o nível de preparo. Souza relata que, durante um temporal em 2025, uma clínica médica ficou mais de 48 horas sem força em seguida alagamentos. O funcionamento só foi mantido porque havia um gerador em operação, garantindo a ininterrupção de serviços essenciais.

Em condomínios, a lógica é a mesma: o gerador não evita a queda de força, mas evita que tudo pare ao mesmo tempo. Ainda assim, é generalidade que esse tipo de sistema seja tratado uma vez que secundário. “Vemos muito gerador com bateria descarregada, diesel contaminado, falhas no sistema de comando ou sem testes periódicos”, afirma Souza.


Sinais de alerta: o que não ignorar

Fique atilado a mudanças que podem indicar risco iminente:

Solo
– Fendas no terreno;
– Inclinação de postes ou árvores;
– Muros que começam a “barrigar”

Estrutura de edificações
– Estalos;
– Portas e janelas que passam a emperrar de repente;
– Surgimento de novas rachaduras em paredes ou vigas.

Chuva
– Chuva barrenta acumulada (que pode ser sinal de erosão interna);
– Volume ressaltado de chuva em 24 h ou 72 h.

Natividade: Resguardo Social de Santa Catarina.


Prevenção na prática: o que revisar antes da chuva

Antes que o problema apareça, é a manutenção que faz diferença. Por isso, revisar sistemas essenciais e manter a estrutura em dia reduz significativamente os riscos.
Alguns pontos merecem atenção próprio:

Drenagem (o indispensável que evita prejuízo grande)
– Fazer a limpeza de calhas e caixas de drenagem;
– Verificar tubulações;
– Remover folhas, areia e resíduos;
– Fazer a manutenção das bombas de recalque (última barreira contra alagamentos).

Garagens subterrâneas
– Ter pelo menos duas bombas independentes (redundância);
– Fazer manutenção periódica com profissionais especializados.

Áreas de encosta
– Observar trincas no solo, inclinação de árvores e formação de sulcos;
– Verificar muros de arrimo e taludes;
– Prometer inspeção técnica periódica.

Árvores
– Determinar galhos fragilizados e risco de queda;
– Verificar interferência com rede elétrica;
– Realizar poda com empresa especializada e, quando necessário, com autorização ambiental.

Natividade: Engenheiro Social Ricardo Moacyr Mafra.


Na hora da crise: o que o síndico não pode deixar de fazer

Quando os primeiros problemas aparecem, agir rápido e manter a organização é o que evita que a situação saia do controle.

Na prática, algumas medidas fazem diferença imediata, uma vez que:

  • manter os moradores informados de tudo (já que notícia reduz pânico);

  • acionar escora técnico para retirada de equipamentos em áreas alagáveis;

  • manter os elevadores parados nos andares superiores, evitando contato com a chuva;

  • organizar limpeza e drenagem logo que verosímil;

  • seguir a situação até a normalização da rotina.

Natividade: Síndico Profissional Rodrigo Lüttke.

 



Source link

Conheça

Importante

Obs: Não nos responsabilizamos pelo conteúdo dos anúncios divulgados no site ou por qualquer orçamento ou trabalho realizado por terceiros.