viver celebrando o que existe há muito tempo
Last Updated on: 21st julho 2026, 10:37 am

Muitas vezes, a vocação de alguém nasce ainda na puerícia, moldada pelo envolvente, pela bagagem cultural ou até mesmo por influência direta do ofício dos pais. E foi esse o ponto de partida da história do pesquisador peruviano Paul Solórzano. Técnico em mobiliário moderno brasiliano, ele hoje vive no país e é o pai do Nhawpa, ateliê no qual realiza o minucioso restauro de peças antigas, resgatando memórias.
Paul nasceu em Huánuco, uma cidade fundada pelos Incas, e mudou-se com a família para Lima ainda pequeno, mas essa intervalo não apagou as raízes andinas: as tradições gastronômicas, a música folclórica e o linguagem quéchua continuaram presentes no cotidiano do lar. Ao chegarem à capital, seu pai montou uma marcenaria em vivenda, logo ele cresceu entre madeiras, ferramentas e um grande quintal de terreno, onde brincava de fazer escavações. Na idade, seu sonho era ser arqueólogo, pois ficava sempre imaginando o que existia além das montanhas que cercavam o bairro. Mais tarde, porém, o maravilha pelo fazer manual falou mais cimalha e ele se formou ebanista em um liceu de artes e ofícios, seguindo o legado da família de maneira muito oriundo.
A vinda para o Brasil aconteceu há oito anos, para realizar uma dupla titulação em Arquitetura e Urbanismo. Ao longo deste trajectória, Paul se apaixonou pelo design vernáculo, por isso construiu cá sua trajetória porquê pesquisador. “Cresci em uma vivenda onde o trabalho fazia segmento da rotina, e isso se mantém até hoje. Em meu endereço em São Paulo, tenho uma livraria construída ao longo dos anos, especializada em mobiliário moderno brasiliano, além de móveis e obras de arte têxtil que fazem segmento das minhas pesquisas”, ele diz.







Ao buscar o espaço ideal para viver com seu namorado, o artista Vico Moreira, Paul sabia que precisava de ambientes amplos o suficiente para morar e trabalhar. Esta vivenda, situada em um bairro planejado e bastante arborizado da zona oeste, foi a escolha certa. O par não sentiu urgência de realizar grandes reformas, mas o uso dos cômodos foi ajustado de tratado com as demandas de cada um. O velho salão de jogos virou o ateliê de pesquisa de Paul, a suíte principal se transformou no estúdio de pintura de Vico e a sala de TV agora funciona porquê sítio de ror onde o pesquisador expõe segmento de sua coleção de cadeiras Thonet.
“Fui organizando a vivenda aos poucos. Levamos quase um ano para entender porquê cada espaço funcionaria melhor na nossa rotina”, Paul lembra. Lar, ateliê, laboratório de pesquisa… todas as alternativas são verdadeiras nessa história. O mobiliário e as peças escolhidas a dedo não exclusivamente fazem segmento das coleções do par, porquê também servem de fontes de estudo, a partir das quais o técnico se aprofunda em técnicas, materiais e processos de fabricação. Ou por outra, ele entende a vivenda porquê um tanto que se constrói ao longo da vida, por isso prioriza itens que atravessam o tempo e continuam relevantes. ”Cada objeto cá acompanha a minha jornada”, completa.








Logo na ingresso, quem chega é recebido por um têxtil de Cusco bordado com os três pilares andinos que guiam a formação do morador: Allinta Yachay (bom pensamento), Allinta Munay (bom coração) e Allinta Llank’ay (bom trabalho). Outra peça de grande valor afetivo é a estátua criada por Paul a partir das caixas plásticas usadas no transporte de seus livros durante a mudança, simbolizando o poder transformador da instrução em seu caminho. Na lista de favoritos, não poderiam faltar exemplares importantes na história do design brasiliano, porquê a poltrona de Giuseppe Scapinelli, um grande xodó por ter sido seu primeiro item assinado, e o traste de Zanine Caldas, que impressiona ao resguardar o tecido original da dez de 1950.





De muitas formas, o lar compartilhado por Paul e Vico traduz a núcleo da termo quéchua ñawpa, inspiração para o nome do ateliê. O termo, que significa “o que existe há muito tempo”, resume tudo o que Paul procura valorizar: as heranças andinas, o repertório familiar, o trabalho manual e a história do mobiliário brasiliano mesclada à sua própria. “Foi no Brasil que construí minha vida adulta, dei início à minha pesquisa, comecei a namorar o Vico e formei uma rede de amigos. Ao mesmo tempo, viver cá também me fez olhar para o Peru de outra forma e comemorar ainda mais minha cultura”, diz. Assim, ao honrar as memórias do pretérito e hospedar o presente, ele segue desenhando um horizonte referto de significado.
Texto por Bruna Lourenço | Coordenação de taxa por Paula Passini | Fotos por Felco