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Vem aí o Próximo Congresso Mundial de Áreas Protegidas e Conservadas

Vem aí o Próximo Congresso Mundial de Áreas Protegidas e Conservadas

Nota: Oriente item de divulgação é o primeiro de uma série sobre “Reflexões Atuais acerca de Áreas Protegidas e Conservadas, muito porquê dos Territórios Indígenas e Tradicionais”, que programamos manter até os importantes eventos nacionais e internacionais sobre o tema, provavelmente no final de 2027. Ela é promovida pelo Grupo de Pesquisa sobre Conservação Colaborativa e Áreas Protegidas e Conservadas (Geccap; sediado no Departamento de Geografia da FFLCH da USP), pelo Grupo de Pesquisa em Áreas Protegidas (GAP; sediado no Instituto Federalista do Sudeste de Minas Gerais, campus Barbacena), pela a Coligação das Ciências pelas Áreas Protegidas e Conservadas (composta por estes e outros grupos de pesquisa) e pelo grupo Cauim de estudos e práticas dialógicas no contexto de povos e territórios tradicionais (sediado na UnB). 

Introdução

Em outubro de 2025, no Congresso Mundial de Conservação, organizado pela UICN, realizado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, foi anunciado o Panamá porquê a sede do próximo Congresso Mundial de Áreas Protegidas e Conservadas, a ser realizado em setembro de 2027.

Os eventos globais desse tema são realizados pela Percentagem Mundial de Áreas Protegidas (CMAP) e pelo Secretariado da UICN em intervalos aproximados de dez anos, desde a dezena de 1960. O último ocorreu em 2014, em Sidney, na Austrália. 

Assim, 35 anos depois de Caracas, em 1992, a América Latina volta a receber especialistas e interessados nesse tema de todo o mundo.

As primeiras reflexões e propostas sobre o teor temático para o próximo congresso já foram preparadas e apresentadas, em oficina internacional ocorrida no final de julho deste ano, na ilhéu de Vilm, setentrião da Alemanha. (Na qual responsável principal participou.) Reflexões significativas levaram às questões sobre porquê promover a melhor conservação da natureza verosímil em um mundo repleto de incertezas quanto ao horizonte, porquê ampliar a conservação eficiente de forma sustentável e porquê prometer direitos e fomentar maior envolvimento da sociedade nessa conservação. A partir dessas questões centrais, os resultados dessa oficina indicaram três eixos temáticos para o próximo congresso mundial, disponibilizados no item recentemente publicado: “Protected and conserved areas in a changing world: Key themes for a global response”. Indicamos, a seguir os eixos de forma resumida:

  1. Mudanças globais e biodiversidade: oportunidades e ameaças para áreas protegidas e conservadas (APCs);
  2. Ampliação da conservação eficiente: prometer os avanços e catalisar as ações para ampliação da graduação de forma sustentável; e
  3. Conservação e pessoas: direitos, responsabilidades e relacionamentos (das sociedades com a natureza) em um mundo em mudança.   

Assim, diante dos grandes desafios decorrentes da combinação das crises climática e de biodiversidade – em sinergia com crises políticas e sociais –, em seguida a adoção do Projecto Global de Biodiversidade (PGB) de Kunming-Montreal (KM; {sigla} referente às duas cidades sede – Kunming, na China, e Montreal, no Canadá – das duas partes da CoP-15), a humanidade se vê compelida a transformar os compromissos em ações e resultados concretos, integrando políticas, conhecimentos diversos e variados agentes sociais em torno de um mesmo propósito: prometer um planeta vivo, justo e resiliente. Porquê secção da implementação do PGB no Brasil, em seguida importante processo de participação da sociedade, o Ministério do Meio Envolvente e Mudança do Clima (MMA) estabeleceu a Estratégia e o Projecto de Ação Nacionais para a Biodiversidade (Epanb) 2025–2030, considerando porquê pilastra vertebral as Metas Nacionais de Biodiversidade para 2030, aprovadas pela Percentagem Pátrio da Biodiversidade (Conabio).

O repto não se restringe em ampliar a extensão das áreas protegidas, mas deve focar em fortalecer sistemas integrados de conservação que articulem áreas protegidas (APs), outros mecanismos espaciais eficazes de conservação (omecs; também chamados de áreas conservadas) e territórios indígenas e tradicionais (TITs), sob gestão eficiente e com representatividade ecológica e governança equitativa, entre outras qualidades importantes definidas nas metas globais e brasileiras de biodiversidade.

Portanto, rumo ao Panamá, torna-se principal ampliar e fortalecer a conservação eficiente e equitativa de todos os ecossistemas, incluindo o fortalecimento das unidades de conservação (UCs), a consolidação do reconhecimento dos TITs e a regulamentação e progressão no reconhecimento de omecs. Para isso, é fundamental considerar também as equipes suficientes, adequadas e principalmente dedicadas, os recursos econômicos suficientes, exequíveis e estáveis e conseguir a indispensável prioridade dos poderes públicos (todos) para o alcance das Meta 3 Global (também conhecida porquê 30×30) e a correspondente Meta 3 Brasileira. Ou seja, mais do que numérica, essas metas são compostas por elementos qualitativos fundamentais e indissociáveis do montante da espaço totalidade protegida. 

Mas isso tudo só será verosímil se as áreas protegidas e conservadas – considerando as diversidades biológica e social – forem consideradas porquê prioridade por grande secção da sociedade, porquê ativo econômico, capital social e político e valores fundamentais para a qualidade de vida. Na verdade, trata-se de um compromisso ético com todas as gerações humanas, presentes e futuras, e o com a natureza da Terreno. Lembremos que a Conferência da Biodiversidade de 2024, em Cali, Colômbia, trouxe a mensagem de que era hora de fazer as pazes com a natureza

O Brasil e toda América Latina têm muito a contribuir nesses processos, dos níveis locais aos globais. A região reúne uma combinação preciosa de diversidades ecológicas e culturais, além de propósitos e experiências inovadoras em políticas públicas e gestão comunitária, demonstrando que é verosímil conciliar conservação e sustentabilidade de forma justa e equitativa. Dessa forma, o próximo Congresso Mundial de Áreas Protegidas e Conservadas representa uma oportunidade único para promoção de ações para um presente e um horizonte sustentáveis, para e por todos/as, fundamentados na valorização da sociobiodiversidade. Sociobiodiversidade não só porquê os produtos e serviços de povos indígenas e comunidades tradicionais, mas as próprias visões mais integrais de mundo – ou cosmovisões – que os geram.Em preparação para 2027, leste é o momento de renovar compromissos, fortalecer alianças, considerar os compromissos globais e nacionais e ações locais e inspirar as atuais e as futuras gerações a cuidar da Terreno generalidade. Se trabalharmos juntos por um mundo justo que defende e valoriza a natureza, reafirmaremos, nesse momento histórico, o papel estratégico da América Latina e do Brasil.

Considerado o primeiro evento global sobre áreas protegidas, a Conferência Mundial sobre Parques Nacionais, ocorrida em Seattle, em 1962, nos EUA, tinha porquê objetivos incentivar a promoção de parques nacionais em todo o mundo e estabelecer definições e padrões para sistemas de áreas protegidas (seguindo com o fortalecimento do paradigma dos parques nacionais, a partir das Convenções de Londres, de 1933, e a de Washington, de 1940). 

Em 1972, em Yellowstone, também nos EUA, a Segunda Conferência Mundial sobre Parques Nacionais focou nos impactos antrópicos sobre essas áreas protegias e contribuiu para a gênese da Convenção do Patrimônio Mundial da Unesco e da Convenção de Ramsar sobre zonas úmidas de relevância internacional. 

Desde o Congresso Mundial de Parques de 1982, em Bali, na Indonésia passou-se a considerar os processos de mensuração da eficiência da gestão de áreas protegidas, muito porquê a relação delas com os grupos sociais locais e as possibilidades de maior potencial de sinergia. 

O IV Congresso Mundial de Parques Nacionais e Outras Áreas Protegidas, realizado em  1992, em Caracas, na Venezuela, enfatizou a relação entre as pessoas e as áreas protegidas, recomendou a inclusão da categoria VI (na classificação internacional de categorias de gestão, vigente até hoje com poucos ajustes) e destacou a urgência de identificar locais importantes para a conservação da biodiversidade. Nessa ocasião, também se recomendou a proteção de 10% da natureza e a adoção de uma abordagem regional para a gestão territorial. 

O V Congresso Mundial de Parques, realizado em Durban, em 2003, na África do Sul, marcou o reconhecimento do novo paradigma das áreas protegidas e que novas diretrizes precisavam ser formuladas. Compreendeu-se que era necessário definir e promover a relevância da governança das APs e do papel dos diferentes atores sociais na gestão das áreas protegidas (chamados tipos de governança), buscar os caminhos para a justiça e o compartilhamento de benefícios, além de impulsionar o desenvolvimento de capacidades e o financiamento sustentável. Esse evento produziu diversos documentos específicos, inclusive recomendações para o importante Programa de Trabalho sobre Áreas Protegidas (PoWPA, na {sigla} em inglês), em 2024, da Convenção sobre Variedade Biológica (CDB) – outro marco para o novo paradigma.

Já no sexto evento, o Congresso Mundial de Parques de 2014, em Sidney, na Austrália, foram estabelecidos  diálogos e compromissos para depreender metas de conservação, integrar a conservação às políticas públicas e por outros setores da sociedade – inclusive para melhorar a saúde, o bem-estar e a qualidade da vida humana. Consolidou-se também a atenção dedicada à conservação marinha, muito se iniciou a atenção para a relação entre as áreas protegidas e as mudanças climáticas. Aliás, reafirmou-se se a relevância de aprimorar a flutuação e a qualidade da governança, respeitar as culturas indígenas e tradicionais e inspirar novas gerações.

O evento do Panamá é amplamente aguardado pela comunidade internacional por ser o primeiro encontro com a vigência do atual Projecto Global de Biodiversidade, legalizado no final de 2022, na CoP-15 (na {sigla} em inglês para Conferência das Parques, a reunião deliberativa dos países signatários) da CDB, que estabeleceu as metas para 2030 (ampliando a desejo em relação às Metas de Aichi). É também principalmente esperado pela América Latina porquê uma oportunidade de solidificar seu papel médio na promoção da sociobiodiversidade. 

As metas globais e brasileiras de biodiversidade

Em 2010, na 10ª Conferência das Partes da CDB, em Nagoya, no Japão, aprovou-se o importante projecto estratégico de biodiversidade para o período 2011–2020 Esse projecto estabeleceu visão, objetivos estratégicos e metas compartilhados. Estas últimas ficaram conhecidas porquê as Metas de Aichi. Embora elas não tenham sido alcançadas em sua plenitude, essas diretrizes promoveram avanços importantes, principalmente no campo das áreas protegidas. 

A Meta 11 de Aichi estabeleceu que se deveria proteger pelo menos 10% dos oceanos e 17% das áreas continentais e águas interiores de forma eficiente, ecologicamente representativa e com governança equitativa por meio de sistemas de áreas protegidas (no seu concepção internacional) e omecs. O concepção de omecs, mas, só foi formalmente definido pela CDB em 2018.

Em esforço combinado na América Latina, com promoção da RedParques, com parceiros, houve um processo de impulsionamento da implementação da Meta 11, logo associada à iniciativa similar do Secretariado da CDB. Em perenidade a isso, a partir de proposta inicial da Percentagem Mundial de Áreas Protegidas na região, logo endossada e implementada por um conjunto de agentes, conectados inclusive a partir do III Congresso de Áreas Protegidas da Latino-América e do Caribe (III CapLac), foi feita uma avaliação do alcance da Meta Aichi 11 na região

A construção da visão pan-amazônica de conservação, com foco nas áreas protegidas, pelos 9 países da região, seguida de projetos de sua implementação (Integración de las Áreas Protegidas del Bioma Amazónico – Iapa e Oportunidades de Conservación em el Bioma Amazónico) também foi um progressão significativo. 

Com um espaço de definição amazônica maior que atualmente, e a presença de mecanismos interessantes – inclusive o Programa de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazonia (PPCDAm) e o Programa de Áreas Protegidas da Amazonia (Arpa) –, o Brasil liderou o mundo na dezena de 2000, em termos de geração de unidades de conservação, assim porquê apresentou avanços importantes no reconhecimento de terras indígenas nessa região. Essas áreas tiveram importante impacto na redução do desmatamento (ainda que nem sempre reconhecido). Nosso pais empreendeu importante processo participativo, antes da CoP-10, para definição das suas posições, e depois, para construção e implementação da Epanb para 2020. Mesmo reduzindo de maneira importante o volume de novas APCs, o Brasil seguiu avançando na dezena de 2010. Mas, porquê em outras partes do mundo, não avançou o suficiente em capacidades para sua implementação e qualidade de seus resultados

No entanto, ainda assim, no mundo todo, os importantes progressos nas décadas anteriores foram considerados insuficientes para a conservação da biodiversidade e promoção da qualidade da vida humana. Assim, quando da elaboração das propostas para as metas KM a comunidade científica internacional, a sociedade social e os movimentos sociais de povos indígenas e comunidades tradicionais defenderam maior desejo nas estratégias espaciais de conservação – com atenção para a Amazônia reforçada em recente decisão dos membros da UICN –, porquê secção das metas globais de biodiversidade (conforme os objetivos da CDB) e de mudanças climáticas. 

Plenária da 16ª edição da COP de Biodiversidade, realizada em Cali, na Colômbia. Foto: UN Biodiversity

A meta das estratégias espaciais de conservação 

Assim, a Meta 3 de KM prevê a conservação de, pelo menos, 30% de todos os ecossistemas (considerando os ambientes terrestres, de águas interiores, costeiros e marinhos e a sua representatividade ecológica) em sistemas eficazes e com governança equitativa, entre outros elementos qualificativos, até 2030. Esses sistemas compreendem áreas protegidas e omecs, considerando os territórios indígenas e tradicionais quando propício. 

Para a correta emprego dessa meta, é muito importante considerar a ampliação da cobertura dos mecanismos espaciais de conservação, mas isso não basta. E o equívoco de não considerar a sua qualidade – conforme detalhamos a seguir – vem predominando, em todas as partes, por décadas. 

Aprofundando os destaques mencionados supra, os mecanismos espaciais de conservação precisam ser eficazes, com resultados concretos em temos de conservação da natureza (e sua biodiversidade). Algumas reflexões sobre a eficiência das APCs indicam alguns elementos principais. Talvez a principal requisito para a sua eficiência seja a presença de adequados quadros de pessoal – suficientes, qualificados, especificamente dedicados e estáveis. Outro elemento fundamental são os recursos econômicos – suficientes, exequíveis e estáveis, incluindo boa base principal orçamentária, à qual são bem-vindos recursos complementares de projetos ou instrumentos inovadores. 

Mas a integração das APCs na sociedade é indispensável. Evidente que a eficiência das APCs depende de sua implementação legítimo – prevenção, controle e fiscalização, com perceptibilidade adequada e cumprimento das consequências. Mas também é crucial considerar o engajamento social, inclusive lugar, que vem da distribuição equitativa dos benefícios da natureza conservada. 

Nesse sentido, apesar de ainda pouco avaliada, a governança equitativa se tornou obrigatória. Embora seja generalidade que a justiça em APCs seja considerada em relação aos povos indígenas e às comunidades tradicionais e locais, ela trata do interesse de todos os setores da sociedade. E deve ser considerada no reconhecimento dos atores sociais, na sua participação efetiva, equitativa e eficiente e na secretaria equitativa dos benefícios da natureza conservada. Ou seja, inclui o reconhecimento dos direitos, saberes e visões dos povos indígenas e das comunidades tradicionais e locais. De vestuário, os direitos dos povos indígenas e das comunidades locais (na linguagem generalidade das políticas públicas internacionais) estão expressos em muitas das decisões e textos da CDB e de outras políticas públicas internacionais. Inclusive, a CoP-16 reafirmou que, no contexto da CDB, não se pode interpretar zero com qualquer sentido que ligeiro à redução dos direitos dos povos indígenas e comunidades afrodescendentes, considerando ainda aqueles que eles venham a comprar no horizonte. Mas não pode menosprezar outros atores sociais, porquê as pessoas com deficiência, as camadas socioeconômicas mais vulneráveis nas cidades, outras comunidades tradicionais e outros os grupos sociais potencialmente menos representados social, econômica e politicamente. (Ver, por exemplo, as Metas 13 e 23, globais e brasileiras.) 

Embora a Meta 3 também estabeleça que o sistema de APs, omecs e TITs deva ser ecologicamente representativo, a grande maioria das atenções se volta para as áreas de próprio relevância para a biodiversidade e as funções e serviços dos ecossistemas. Nesse sentido, temos, em subida consideração, no nível internacional, as áreas-chave de biodiversidade (KBAs, na {sigla} em inglês) e, no Brasil, a 2ª atualização das áreas prioritárias para biodiversidade. O que é muito bom. No entanto, por outro lado, as análises de representação ecológica, as quais tinham maior destaque tempos detrás, com vértice no planejamento sistemático da conservação, tiveram atenção reduzida significativamente nos últimos anos.  Os enfoques se complementam. Mas, porquê a ciência ensina, se alguma redundância é importante por vários motivos, para prometer a flutuação biológica faz-se necessário também considerar a proteção da flutuação dos ecossistemas. 

Destaca-se, ainda, que a Meta 3 prevê que a conservação deve estar integrada em paisagens amplas. As publicações e decisões das últimas décadas tem considerado essas paisagens, em relação às APCs, pela perspectiva da Ecologia da Paisagem. Nesse sentido também se insere a diretriz de que as estratégias espaciais de conservação estejam muito conectadas. Isso nos parece correto, mas insuficiente (porquê se menciona a seguir). 

Desde a resguardo do enfoque bioregional, décadas detrás, cabe retomar essa integração de forma mais ampla, também relacionando com as opções de desenvolvimento, ocupação das terras e das aguas e uso dos recursos nacionais. (Ver, por exemplo, as Metas 14, 15 e 18, globais e brasileiras.) Dessa forma, a adequada consideração da integração regional nos exige a mobilização e pronunciação de outros conceitos de paisagem – compreendida de forma abrangente, incorporando a dimensão cultural e elementos sociais e econômicos. 

Pensando em funções e serviços dos ecossistemas, outros enfoques complementares podem ser interessantes, promovendo avanços na gestão territorial em direção a perspectivas mais integradoras. Por exemplo, considerando o ciclo hidrológico, a abordagem source-to-sea integra águas continentais, estuário e oceano, desde as nascentes e todo o envolvente terrestre associado. 

Dessa maneira, as APCs vêm sendo progressivamente compreendidas porquê inseridas na sociedade, inclusive seus aspectos econômicos e culturais, em concepções muito mais amplas que a visão de espaços apartados da sociedade. Além de servirem a conservação de espécies e funções ecológicas – função fundamental que não deve ser menos considerada –, devem ser mais que refúgios da natureza conservada, promovendo resgate das conexões entre sociedade e natureza. Devem ser reconhecidas e tratadas porquê territórios de vida de numerosos povos e comunidades, muito porquê oportunidades para a promoção e consolidação de culturas e economias baseadas na flutuação biológica e social. E também soluções verdadeiramente baseadas na natureza para os desafios globais de diversos setores sociais – com consequências principalmente importantes nas cidades. 

Ou seja, não se trata somente de ampliar as áreas protegidas ou reconhecer áreas conservadas ou territórios tradicionais, mas testificar que sejam eficazes, equitativos e ecologicamente representativos e que sejam geridos por meio de sistemas integrados!

A Meta 3 Brasileira de Biodiversidade 

Similar às demais metas, a Meta 3 Brasileira de Biodiversidade para 2030 mantém os principais elementos da meta global correspondente, mas esta meta amplia a desejo de conservação no bioma amazônico em 80%. Ela apresenta diversos tipos de APCs e TITs possíveis de serem considerados, incluindo: unidades de conservação da natureza (UCs) e terras indígenas (TIs) – ambos tipos já registrados no Banco de Dados Mundial sobre Áreas Protegidas (WDPA, na {sigla} em inglês); territórios quilombolas (TQs) e outros territórios de povos e comunidades tradicionais (PCTs), inclusive maretórios; omecs; assentamentos ambientalmente diferenciados; e reservas legais (RLs) e áreas de preservação permanente (APPs). 

Esta Meta 3 também orienta para a atenção às áreas prioritárias para conservação, de relevância para a sociobiodiversidade e para a manutenção das funções e serviços ecossistêmicos, além de reconhecer soluções baseadas na natureza (SbN) porquê instrumentos para a conservação e gestão dos ecossistemas. A Meta 3 Brasileira alerta ainda para alguns elementos relativos à eficiência das APCs, porquê demarcação e regularização territorial, gestão e monitoramento.

Enquanto se aguarda ao documento completo (para uma estudo mais adequada), constatamos com felicidade que o MMA publicou recentemente uma portaria estabelecendo a Epanb, 2025–2030, incluindo as Metas Brasileiras. A Meta 19 fala prevê a implementação de estratégia pátrio de financiamento da Epanb, até 2026, para aumentar substancialmente e proporcionalmente ao resultado interno bruto pátrio – mas não foi detectado zero específico ainda relacionado diretamente às estratégias espaciais de conservação. O Projecto de Ação 2025–2030 inclui a teorema, por exemplo, de financiamento para pesquisas (em diferentes temas, tais porquê espécies ameaçadas e exóticas invasoras e biossegurança), incentivos (por exemplo, para não desmatamento e áreas verdes urbanas e sociobiodiversidade), previsão de regulamentar os artigos 47 e 48 da Lei do Sistema Pátrio de Unidades de Conservação da Natureza (Snuc) e buscar ampliar mecanismos de financiamento para iniciativas propostas por povos indígenas e povos e comunidades tradicionais e coletivos de mulheres.

O Projecto de Ação também inclui a ampliação de UCs e áreas verdes urbanas e a previsão de reconhecimento de omecs. E há também uma série de propostas de mecanismos para fortalecer TIs, TQs, reconhecer territórios tradicionais (TTs), inclusive o mapeamento de sobreposições entre TTs e UCs (porquê se tem avançado no ICMBio) e formalizar da plataforma de TTs, entre outros elementos. 

Ou seja, se for muito implementada, a Epanb trará muitos avanços. Mas, sobre alguns dos elementos supra indicados, infelizmente as metas e planos brasileiros ainda não contemplam as necessárias significativas ampliações dos quadros de profissionais principalmente dedicados e os recursos econômicos exequíveis e estáveis porquê elementos indispensáveis à gestão eficiente das APCs. 

Dessa forma, historicamente, o orçamento talhado gestão de áreas protegidas e conservadas, e à política ambiental porquê um todo, permanece em níveis incompatíveis com a relevância desses temas para a qualidade de vida da população e o bom desempenho das atividades econômicas. Segmento desse problema decorre da persistência da visão equivocada de que a conservação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos seria antagônica ao desenvolvimento econômico. Pois a literatura científica vem sistematicamente demonstrando que proteger os remanescentes de vegetação nativa gera inúmeros benefícios socioeconômicos que também contribuem para maior inclusão social, porquê a proteção dos recursos hídricos e do solo, a regularização climática, a produtividade agrícola (beneficiada por polinizadores, dispersores de semente e controladores naturais de pragas), o fortalecimento de cadeias produtivas ligadas ao turismo de natureza etc. 

Também se esperam melhores mecanismos de justiça para enfrentar desafios relacionados aos PCTs (porquê vem sendo desenvolvido no contexto do ICMBio) e para promover maior integração com grupos sociais mais vulneráveis, principalmente em áreas urbanas e periurbanas — condições essenciais para a governança equitativa das APCs.

Esses temas deverão ser aprofundados no próximo Congresso Mundial de Áreas Protegidas e Conservadas, trazendo grandes oportunidades de aproximação da comunidade acadêmica com tomadores de decisão dos setores público e privado e da sociedade social.

(Vários/as coautores/as participaram de CoPs da CBD onde se tomaram decisões importantes e dos processos de consulta e construção das Epanbs, para 2020 e para 2030, além dos processos regionais e latino-americanos.)

Porquê nos preparar para os desafios das áreas protegidas e conservadas?

Neste texto apresentamos uma atualização das reflexões, diálogos, propostas e atuação (incluindo referências internacionais). Mas há muitos elementos que não cabem neste primeiro item de divulgação, por exemplo: 

  • Cada um dos eixos temáticos propostos para o próximo congresso mundial de áreas protegidas e conservadas merece aprofundamentos, reflexões e, talvez, recomendações. 
  • O breve histórico dos congressos mundiais de áreas protegidas cá apresentado é somente um recorte, uma secção da história das áreas protegidas. Mas há importantes pesquisas que avaliam e discutem esse histórico e que merecem ser consideradas. Cá é apresentado um somente um breve resumo dos eventos. Mas há importantes estudos e publicações que avaliam e discutem sua evolução. A história mais completa, e complexa, apresenta implicações no entendimento dos conceitos e na formulação e implementação das políticas públicas e práticas relacionadas às APCs.
  • As áreas protegidas e conservadas relacionam-se a múltiplos e diversos interesses sociais, em diferentes frentes de atuação e colaboração.
  • A flutuação de APCs, a taxa dos TITs e o envolvimento da sociedade podem ser benéficos à conservação e à qualidade de vida. Essa flutuação de estratégias espaciais de conservação é resultado dos atores sociais que as promovem, dos contextos específicos, históricos e regionais ou locais, e dos objetivos e possibilidades. Não há porquê muito gerir cada modalidade, nem seus sistemas, sem uma boa compreensão.  
  • Entre os congressos mundiais, a América Latina realizou congressos regionais relevantes sobre áreas protegidas: em 1997, em Santa Marta, Colômbia; em 2007, em Bariloche, na Argentina; e o último importante evento de 2019, em Lima, no Peru (que gerou três produtos diretos: a Enunciação de Lima com complementos, as memórias técnicas e o relatório universal). E foram também produzidas análises sobre as evoluções do tema das APCs entre tais eventos, entre Santa Marta e Bariloche e entre Bariloche e Lima. Esses eventos e seus resultados (nos quais vários/as coautores/as participaram) são muito importantes para a nossa América Latina, mas também para a nossa taxa mundial. Portanto, precisam ser conhecidos e resgatados para contribuir no processo rumo ao Panamá.
  • Além dos aspectos já mencionados, os desafios para implementação das metas globais e brasileiras de biodiversidade são imensos e merecem considerações de maior profundidade no intento de depreender a necessária maior prioridade por secção das distintas esferas do poder público e pelo setor privado, inclusive as organizações da sociedade social, as empresas e a sociedade em universal. 
  • Há que se reconhecer o papel estratégico do uso público nas APCs – principalmente em relação ao turismo, à recreação e à promoção da reconexão entre sociedade e natureza – porquê instrumento de conservação. As trilhas, inclusive entre APCs, podem ser ferramentas de conservação que conectam áreas urbanas, rurais e silvestres, conservam valores culturais, espirituais, cênicos e morais e moldam novos conservacionistas, porquê em recente solução da UICN
  • As mudanças climáticas têm imposto desafios adicionais em termos de planejamento, financiamento e ação com relação à conservação da natureza e à sobrevivência dos grupos sociais, tanto daqueles que vivem próximos à natureza, porquê dos mais vulneráveis nos meios urbanos. A isso se associa a demanda de adequada gestão de conhecimentos diversos e a promoção da resiliência, entre outros elementos.
  • A maior secção da população vive nas cidades e enfrenta desastres seguidos, os quais são, cada vez mais, atribuídos às mudanças climáticas, mas também às enormes deficiências de áreas verdes e azuis, às carências de condições de muito habitar e à falta de planejamento urbano adequado. A biodiversidade e a conservação da natureza urbanas estão, portanto, na agenda do dia do debate sobre justiça ambiental e desigualdades sociais. 
  • Estão em curso processos para obter melhor compreensão e promoção das economias da sociobiodiversidade, que permite a inclusão produtiva de comunidades e áreas protegidas nos instrumentos econômicos. Também se caminha para uma modificação da percepção sobre o papel dessas áreas em temas porquê segurança nutrir, segurança hídrica e promoção da saúde e do bem-estar e isso não somente para quem vive em sua proximidade. 
  • Para o necessário vasto processo de inversão de lógicas ocorrer, as APCs precisam ser vistas porquê áreas de reconexão e de promoção de melhores relações entre sociedade e natureza, assim porquê entre as pessoas. 
  • Mas a conservação da natureza ainda é pouco priorizada, sem condições suficiente de pessoal e subfinanciada, principalmente perante os serviços e funções essenciais que presta. Seus custos se colocam porquê externalidades econômicas. Precisa ser mostrado porquê os subsídios econômicos, os investimentos em estrutura e os incentivos não alcançam as economias baseadas em flutuação, mas ao contrário, podem solapá-la.

Assim, para uma atualização dos conceitos e práticas nacionais, regionais e internacionais, há que se considerar várias frentes de atuação ou de interesse, tais porquê áreas conservadas urbanas, promoção da saúde e bem-estar, omecs, governança por comunidades tradicionais e povos indígenas, mecanismos financeiros que valorizam e reconhecem a sociobiodiversidade, áreas protegidas e conservadas marinhas, zonas transfronteiriças, eficiência de gestão, parcerias entre as esferas pública e privada, governança equitativa, recuperação ecológica, territórios indígenas e tradicionais, sistemas de áreas protegidas e conservadas, e a gestão integrada de regiões, entre muitos outros. 

Na atualidade, os desafios são cada vez mais numerosos, amplos e complexos: mudanças climáticas; crises econômicas; instabilidades políticas; mudanças em políticas públicas; disputa econômica por recursos naturais; e assim por diante. Dessa forma, considera-se cada vez mais importante a flutuação das áreas protegidas e conservadas para a resiliência ecológica, social e política de suas redes e sistemas. 

Historicamente as áreas protegidas e conservadas vêm sendo progressivamente ressignificadas, à luz das diversidades contextuais, evoluções históricas e especificidades regionais. Assim, considerando também os TITs e as atividades tradicionais, as APCs vêm se demonstrando claramente porquê os mecanismos dos mais eficazes para a conservação da natureza e a viabilização do aproximação aos seus benefícios.

É a partir desse contexto que buscamos nos preparar para o próximo Congresso Mundial de Áreas Protegidas e Conservadas! Para isso planejamos desenvolver uma série de artigos de divulgação, para os quais convidamos a colaborar especialistas, gestores, lideranças indígenas e comunitárias, representantes do setor privado, da sociedade social, do Brasil e de outros países latino-americanos. Nosso objetivo é estimular trocas de conhecimentos e experiências, muito porquê contribuir para a construção de posições críticas e propositivas do Brasil sobre os rumos da conservação global a partir das áreas protegidas e conservadas. Colabore, proponha, participe!

O Brasil tem muito a mostrar, muito a cooperar e muito a aprender, para depreender no país e promover na região e no mundo, resultados mais eficazes, equitativos e duradouros.

E no caminho do Panamá, temos o XII Seminário Brasílio e o VII Encontro Latino-Americano sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (XII Sapis e VII Elapis), que ocorrerá de 18 a 22 de maio de 2026, na Universidade de Brasília (UnB)! Esse será um momento mais do que oportuno para debatermos temas recorrentes na agenda da conservação e da inclusão, com possibilidade de incluirmos temáticas mais contemporâneas que ainda estão em desenvolvimento, porquê, por exemplo, as omecs, a justiça ambiental, dentre outras.

Vamos, juntos, nos preparar e proceder para o próximo Congresso Mundial de Áreas Protegidas e Conservadas, no Panamá, em setembro de 2027!

As opiniões e informações publicadas nas seções de colunas e análises são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente representam a opinião do site ((o))repercussão. Buscamos nestes espaços prometer um debate diverso e frutífero sobre conservação ambiental.

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