Um apê que celebra a núcleo modernista de Brasília
Last Updated on: 16th dezembro 2025, 05:55 pm
Essa história faz segmento de uma jornada que sempre sonhamos em fazer. Com o projeto Histórias Brasil Adentro, estamos finalmente na estrada, percorrendo as cinco regiões do país para deslindar e festejar os múltiplos jeitos de morar que só o Brasil tem. Cada material desta série é uma paragem em procura de casas com espírito, que falam sobre pertencimento, memória e identidade. Seja bem-vindo à nossa viagem!
Para quem vive em Brasília, a arquitetura monumental faz segmento do cotidiano. No caso de Camila Abrahão, essa influência foi além: crescer em uma cidade onde a arquitetura se impõe com tanta força fez com que ela escolhesse seguir essa curso. Nascida e criada na capital, sua puerícia foi marcada pela liberdade de percorrer sob os pilotis e ser abraçada pelo verdejante das superquadras. Essa vivência afetiva moldou seu olhar muito antes da formação acadêmica, ensinando-a a perceber a cidade não unicamente uma vez que um cenário de passagem, mas uma vez que uma extensão de mansão.
“O modernismo de Brasília é uma referência que está muito presente no meu trabalho, logo na minha mansão. Minha intenção neste apartamento foi valorizar a arquitetura que já existia, e não passar por cima”, Camila explica.
Construído na dez de 1960, em uma das primeiras levas da cidade, o prédio tem projeto original do arquiteto Hélio Uchôa. Uma de suas características mais marcantes é o cobogó cerâmico — egrégio dos blocos de concreto pintados de branco das quadras vizinhas — que traz um toque mais rústico e hospitaleiro. Na reforma, esse pormenor privativo foi realçado: ao remover a parede da dimensão de serviço e integrar os ambientes, Camila transformou o elemento vazado em protagonista, permitindo que a luz e a ventilação circulem livremente.
Além dos cobogós, Camila teve o desvelo de resgatar outras características do projeto original, uma vez que o piso de tacos. Já na cozinha, a solução foi sustentável e também valoriza a memória: ao retirar o revestimento das paredes da dimensão de serviço, a moradora se deparou com uma grande quantidade de mármore Branco Espírito Santo — um clássico da arquitetura sítio. Recusando o desperdício, ela reaproveitou os cacos da pedra para gerar um piso pleno de personalidade. Para amarrar os tons e trazer aconchego, a parede colorida da sala abraça o espaço, dialogando com as outras escolhas do projeto.









Para arrematar a base de materiais, o cintilação surge nos detalhes: metais, puxadores e até as chaves ganharam aperfeiçoamento em latão, trazendo um tom dourado que conversa com o calor da madeira. Na decoração, a regra foi a liberdade. Fugindo da rigidez da marcenaria fixa e da iluminação embutida, Camila optou por móveis soltos que permitem um layout maleável. O mina de peças modernistas se mistura ao design brasiliense contemporâneo, tudo disposto de forma a privilegiar a conexão com o verdejante lá fora – cá, sentar-se na sala é um invitação para contemplar as copas das árvores, e não a televisão.
Quem também admira clássicos do design ou peças garimpadas logo reconhece as relíquias que Camila possui, uma vez que a mesa de jantar de Florence Knoll, cercada pelas cadeiras italianas Cesca e as poltronas pretas de Geraldo de Barros. O montão ainda conta com a icônica chaise LC-4, assinada por Le Corbusier e Charlotte Perriand, uma poltrona de Percival Lafer e obras de Rubem Valentim nas paredes.




Para Camila, a decoração deve ser construída aos poucos e guiada pela urgência de cada momento. É nessa procura por peças que tenham personalidade que a Lar Riachuelo entra em cena. A moradora se encantou com a variedade de produtos — tanto na loja quanto no site — para complementar sua curadoria de objetos de forma ligeiro e funcional. As luminárias sem fio, por exemplo, garantem a liberdade de layout que ela preza, enquanto os vasos de vidro trazem transparência para realçar as vegetação sem gerar barreiras visuais. Das louças e toalhas às velas e fragrâncias, cada escolha foi pensada para fazer sentido dentro dessa arquitetura marcante, provando que os detalhes do dia a dia são essenciais para criar a espírito da mansão.




Mais do que uma reforma, o apartamento de Camila é um manifesto de afeto por Brasília. Ao valorizar a arquitetura original e revelar a núcleo do prédio, ela criou um lar que não compete com a cidade, mas conversa com ela. É um refúgio que traz protecção e natureza, mas que também está sempre pronto para receber os amigos e abraçar a bagunça gostosa da vida real. Ali — em cada peça e pormenor — Camila consegue transcrever seu estilo e seu ofício, transformando a mansão em uma grande frase de seu eu.
Texto por Bruna Lourenço | Coordenação de tarifa por Paula Passini e Dora Campanella | Fotos por Leila Viegas
Produção e Direção Criativa por Bruna Lourenço e Paula Passini
