Tubarões são famosos por seus dentes ameaçadores, mas a acidificação dos oceanos pode torná-los mais fracos
PORTLAND, Maine (AP) – Os tubarões são os predadores mais temidos do mar, e sua sobrevivência depende de dentes imponentes, que se regeneram ao longo de toda a vida. Mas mudanças no PH dos oceanos podem colocar sua importante utensílio de caça em risco.
Esse é o principal encontrado de um estudo realizado por um grupo de cientistas alemães, que testou os efeitos de um oceano mais ácido sobre os dentes dos tubarões. Pesquisadores têm associado atividades humanas – incluindo a queima de carvão, petróleo e gás – à acidificação contínua dos oceanos.
A pesquisa pode identificar que à medida que os oceanos se tornam cada vez mais ácidos, os dentes dos tubarões podem permanecer estruturalmente mais fracos e, portanto, propensos a se quebrar. Os cientistas que participaram do estudo alertam que isso poderia ter impactos diretos na posição desses grandes peixes enquanto predadores de topo da masmorra fomentar marinha.
O oceano não passará a ser povoado por tubarões desdentados da noite para o dia, enfatizou o principal responsável do estudo, Maximilian Baum, biólogo marítimo da Universidade Heinrich Heine de Düsseldorf. No entanto, Baum reforça que a possibilidade de dentes enfraquecidos representa um novo risco para os tubarões, que já enfrentam desafios uma vez que a poluição, sobrepesca, mudanças climáticas, entre outras ameaças.
“Descobrimos que há um efeito de corrosão nos dentes dos tubarões”, disse Baum. “Todo o sucesso ecológico deles no oceano,uma vez que dominantes sobre outras populações, pode estar em transe.”
As mudanças podem ocorrer de forma gradual
Os pesquisadores publicaram seu trabalho na revista Frontiers in Marine Science. O estudo foi levado em um momento onde a acidificação dos oceanos tem se tornado foco cada vez maior para investigações de cientistas que atuam com a conservação.
A Gestão Pátrio Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) explica que a acidificação ocorre quando os oceanos absorvem mais dióxido de carbono do ar. Os cientistas alemães responsáveis pelo estudo alertam que os oceanos devem se tornar quase 10 vezes mais ácidos até o ano de 2300.

Os cientistas realizaram o estudo coletando mais de 600 dentes descartados de um aquário que abriga tubarões-de-pontas-negras-de-recife (Carcharhinus melanopterus) – uma espécie que vive nos oceanos Pacífico e Índico e que atinge muro de 1,7 metro de comprimento. Em seguida, os pesquisadores expuseram os dentes à chuva com o nível de acidez atual e com a acidez projetada para o ano de 2300.
Os dentes expostos à chuva mais ácida apresentaram danos muito mais severos, uma vez que rachaduras e perfurações, corrosão da raiz e degradação da própria estrutura do dente, escreveram os cientistas.
Os resultados “mostram que a acidificação dos oceanos terá efeitos significativos sobre as propriedades morfológicas dos dentes”, afirmaram os pesquisadores.
Um tubarão de dentes frágeis ainda sim é um tubarão
Os dentes dos tubarões são “armas altamente desenvolvidas, feitas para trinchar músculos, e não para resistir à acidificação dos oceanos”, explicou Baum. Ao longo da vida, os tubarões passam por milhares de dentes, e eles são fundamentais para que esses animais consigam regular as populações de peixes e mamíferos marinhos nos oceanos.
Muitos tubarões também enfrentam risco de extinção: mais de um terço das espécies de tubarões estão atualmente ameaçadas, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Ainda assim, os tubarões contam com uma série de fatores que podem ajudá-los a evitar os efeitos negativos da acidificação dos oceanos, disse Nick Whitney, observador sênior do Anderson Cabot Center for Ocean Life, no New England Aquarium.
Whitney, que não participou do estudo, afirmou que o trabalho dos cientistas sobre os dentes dos tubarões é consistente. No entanto, ele explica que, uma vez que os dentes se desenvolvem dentro do tecido bucal dos tubarões, eles ficam protegidos das mudanças na química dos oceanos por qualquer tempo.

Whitney lembra que a história nos mostra que os tubarões são sobreviventes.
“Eles existem há 400 milhões de anos e evoluíram e se adaptaram a todo tipo de quesito ambiental”, afirmou.
A acidificação dos oceanos pode ser motivo de preocupação, mas a sobrepesca continua representando a maior prenúncio aos tubarões, disse Gavin Naylor, diretor do Programa de Pesquisa sobre Tubarões da Flórida, no Museu de História Procedente da Flórida.
A acidificação trará muitas mudanças
Naylor e outros especialistas alertam que a acidificação dos oceanos deve simbolizar diversas ameaças ao envolvente marítimo, para além dos tubarões. A acidificação é considerada mormente prejudicial para organismos com conchas, uma vez que ostras e mariscos, pois dificulta a formação dessas estruturas, segundo a Gestão Pátrio Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
Ela também pode tornar as escamas dos peixes mais fracas e quebradiças. Naylor ressalta, no entanto, que ainda é difícil proferir se isso poderia, em última instância, beneficiar os tubarões que se alimentam desses peixes.

Por ora, Baum afirma que a acidificação dos oceanos não pode ser descartada uma vez que uma prenúncio enfrentada pelos tubarões. Algumas espécies podem caminhar para sua extinção nos próximos anos, e a acidificação dos oceanos pode ser um dos fatores que levem a esse cenário.
“O sucesso evolutivo dos tubarões depende de seus dentes perfeitamente desenvolvidos”, afirmou Baum.
*Esta história foi originalmente publicada em Inglês. A tradução foi feita com o auxílio de Perceptibilidade Sintético, com revisão final do jornalista Vinícius Nunes.

