Quase 600 áreas protegidas da Amazônia não registraram desmatamento no primeiro semestre
Trezentos e trinta terras indígenas e 258 unidades de conservação localizadas na Amazônia brasileira registraram desmatamento zero entre janeiro e junho de 2026. Esse é o menor índice de desmatamento registrado nos últimos oito anos. As análises são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Imazon.
Ao todo, as áreas protegidas registraram 97,37 km² de derrubada, unicamente 8% do registrado em toda a Amazônia. Foram devastados 9,38 km² em terras indígenas e 87,99 km² em unidades de conservação. Exclusivamente uma terreno indígena [TI Porquinhos dos Canela-Apãnjekra] e sete unidades de conservação [APA Triunfo do Xingu, FLONA de Altamira, APA do Tapajós, RESEX Guariba-Roosevelt, FLONA do Jamanxim, APA do Lago de Tucuruí e APA das Reentrâncias Maranhenses] tiveram desmatamento maior que 1 km² no primeiro semestre deste ano.
A APA Triunfo do Xingu liderou o desmatamento do período, com 47,8 km² derrubados, seguida da Floresta Pátrio (FLONA) de Altamira, com 12,5 km², e APA do Tapajós, com 4 km². As três unidades de conservação costumam eclodir na lista das dez áreas protegidas mais pressionadas da Amazônia.
Em toda a Amazônia, foram derrubados 1.145 km² de floresta entre janeiro e junho de 2026, 10% a menos do que no mesmo período do ano pretérito. “Porém, quando comparamos historicamente a extensão desmatada no primeiro semestre, a derrubada de 2026 foi 76% menor do que a de 2022, quando registramos o recorde de desmatamento desde 2008, ano de implantação do nosso sistema de monitoramento. Precisamos seguir nessa redução até atingirmos a meta de desmatamento zero para 2030”, afirma a coordenadora do SAD do Imazon, Larissa Amorim.

A redução da derrubada é ainda mais expressiva na estudo do chamado “calendário do desmatamento”, que por desculpa do regime de chuvas na Amazônia vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte. Em 11 meses, de agosto de 2025 a junho de 2026, a região teve 2.258 km² desmatados, 28% a menos que no período anterior. E 75% a menos do que entre agosto de 2021 e junho de 2022, ano em que a Amazônia teve recorde de devastação no período.
Pará, Mato Grosso e Amazonas lideram desmatamento
Roraima e Maranhão foram os dois únicos estados da Amazônia Lítico a registrarem subida no desmatamento no período analisado [agosto de 2025 a junho de 2026], com aumento de 25% e 20%, respectivamente. “Esses territórios com aumento na derrubada florestal precisam intensificar suas políticas de combate ao desmatamento com urgência, tanto federais quanto estaduais”, alerta a pesquisadora do Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon, Raíssa Ferreira. Os outros sete estados tiveram quedas.
Apesar da redução, os estados do Pará, Mato Grosso e Amazonas, territorialmente grandes e com significativas parcelas de extensão florestal, foram os estados com maior tamanho de extensão desmatada. O Pará, estado que sediou a Conferência do Clima em 2025, desmatou 684 km² entre agosto de 2025 e junho de 2026. Em seguida aparecem Mato Grosso, com 509 km² derrubados, e Amazonas, com 378 km².
“Apesar desses três estados terem registrado quedas no desmatamento, eles possuem grandes áreas florestais e precisam fortalecer suas ações de fiscalização e punição para evitar novas derrubadas”, completa a pesquisadora do mesmo programa, Manoela Athaide.
Degradação
A degradação, dano ambiental causado pela extração de madeira e pelas queimadas, teve queda de 55% em junho, passando de 207 km² em 2025 para 94 km² em 2026. Já no reunido de janeiro a junho, a redução atingiu 86%. E, no calendário do desmatamento, de agosto de 2025 a junho de 2026, a degradação caiu 93%.
*Com informações do Imazon