Onça-parda fere rapaz em trilha na Chapada dos Veadeiros
Uma família voltava de um passeio na cascata Poço das Esmeraldas, na região da Chapada dos Veadeiros, Goiás, quando uma onça-parda que estava em cima de uma árvore ao lado da trilha saltou sobre a rapaz, uma moçoila de 8 anos, deixando ferimentos em seu rosto antes de fugir para mata. O incidente ocorreu nesta quinta-feira (14) no Santuário Volta da Serra, em Cima Paraíso de Goiás. O pai e um colaborador da rancho que acompanhava a família saíram em resguardo da rapaz, usando uma mochila para alongar o bicho.
A rapaz foi levada ao Hospital Municipal de Cima Paraíso de Goiás, com o suporte da equipe operacional do atrativo. “O Projecto de Atendimento a Emergências do atrativo foi imediatamente acionado. O Corpo de Bombeiros foi chamado e uma guarnição deslocou-se, de súbito, até à unidade hospitalar”, explica em nota a Herdade Volta da Serra.
De lá, a moçoila foi transferida para o Hospital de Base de Brasília, no Região Federalista, para suporte hospitalar de maior complicação. “O pai da rapaz seguiu na ambulância. Um dos gestores da Herdade Volta da Serra responsabilizou-se por conduzir para Brasília, no veículo da família, a mãe da vítima e a outra rapaz, que não sofreu ferimentos”, detalha a nota. A moçoila segue hospitalizada.
Ainda de consonância com a Herdade Volta da Serra, porquê medida preventiva, em conformidade com os protocolos de segurança e gestão de riscos da propriedade, a visitação no sítio está temporariamente suspensa.
“A direção do Santuário reforça seu compromisso com a segurança dos visitantes e colaboradores, permanecendo à disposição para dar assistência integral à vítima e sua família e colaborar com os procedimentos oficiais cabíveis”, completa o texto enviado a ((o))repercussão.
O que aconteceu
Conforme relato escolhido por ((o))repercussão, o incidente ocorreu por volta das 16:30 da quinta-feira (14), quando a família voltava do atrativo Poço das Esmeraldas, conseguível por uma trilha de murado de 3,2 quilômetros. O passeio era uma celebração do natalício de 8 anos da moçoila, tal qual nome não foi divulgado por se tratar de uma menor de idade e para respeitar a privacidade da família. Eles estavam acompanhados por um dos colaboradores da rancho que realizava o “toque de recolher” dos atrativos da propriedade, que fecha para visitação às 17:00.
O grupo já estava próximo ao final da trilha, quando a moçoila apontou “olha mãe, um cachorro em cima da árvore”. Tratava-se, na verdade, de uma onça-parda (Puma concolor) ou suçuarana. Sem que houvesse tempo de reação, o bicho saltou sobre a moçoila, ferindo-a com suas garras. “Esse pormenor é muito importante. Ela não mordeu. Não houve intenção de matar, nem de se cevar. Ela provavelmente só se sentiu acuada, ameaçada e reagiu rapidamente, atacando o menor do grupo que estava no caminho para poder transpor”, explica Marcelo Clacino, turismólogo e coordenador do Grupo Voluntário de Procura e Salvamento (GVBS), que atua em Cima Paraíso.
O pai e o funcionário partiram para cima da onça e usaram a mochila do colaborador para alongar o bicho, que fugiu para a mata. Já próximo do termo da trilha e do estacionamento, a rapaz foi levada no veículo da família até o Hospital Municipal de Cima Paraíso. “E às 20 horas a rapaz já estava no Hospital de Base em Brasília”, esclarece Marcelo, que acompanhou a ação.
O coordenador, que fez segmento da elaboração do Projecto de Ação Emergencial da Herdade, destaca a valia da ação rápida e do seguimento dos protocolos estabelecidos.
“Quando você tem um bom planejamento você reduz a chance de um acidente grave, porque você trabalha as medidas de prevenção. E quando um acidente acontece, dentro desse planejamento emergencial, a gente tenta reduzir ao sumo a consequência. O tempo de resposta diminui drasticamente o dano à vítima e as consequências dos acidentes”, explica.
O Santuário Volta da Serra monitora a fauna silvestre com armadilhas fotográficas e já havia documentado a presença do felino na propriedade. “Já sabíamos da presença do bicho na rancho, mas não tinha histórico de avistamento ali no atrativo”, pontua Marcelo.
“Sabemos que há muita desinformação e pessoas que não entendem a dinâmica de um envolvente procedente. A presença desse bicho no sítio é um bom indicativo de preservação ambiental. Nós sabemos que é um caso só [o ataque], mas que nos alerta sobre os cuidados que devemos ter ao divisar um bicho desses na natureza”, destaca o coordenador.