Home Blog Jardinagem Malvas: notabilizar, cultivar e escolher espécies para o jardim
Malvas: notabilizar, cultivar e escolher espécies para o jardim

Malvas: notabilizar, cultivar e escolher espécies para o jardim

À cercadura de um caminho, num prado ou num canteiro de aspeto naturalizado, as malvas parecem flores nascidas sem esforço. As pétalas, geralmente rosadas ou violáceas e percorridas por nervuras mais escuras, têm a delicadeza de uma aguarela; a vegetal, porém, revela uma resistência muito mais sólida do que a sua ar sugere. Mas o nome “malva” vive rodeado de equívocos. Confunde-se frequentemente com gerânios, pelargónios e sardinheiras, vegetais que podem partilhar algumas cores e formas de ramaria, mas que pertencem a famílias botânicas diferentes. Saber as verdadeiras malvas é também deslindar um grupo de vegetais profundamente ligado à flora portuguesa, à tradição medicinal e aos jardins de baixa manutenção.

O que são malvas?

Em sentido botânico rigoroso, as malvas são vegetais do género Malva, pertencente à família Malvaceae. Esta grande família inclui ainda vegetais tão diferentes uma vez que os hibiscos, os algodoeiros, os quiabos, as alteias e as malvas-reais.

O género Malva reúne vegetais anuais, bienais, vivazes e, de concórdia com as classificações taxonómicas mais recentes, algumas espécies de porte arbustivo anteriormente incluídas no género Lavatera. As folhas são normalmente arredondadas ou cordiformes, com nervação palmada e margens mais ou menos recortadas. As flores têm cinco pétalas abertas, muitas vezes ligeiramente entalhadas na extremidade, e surgem nas axilas das folhas ou reunidas na secção superior dos caules.

Um dos sinais mais característicos das Malvaceae encontra-se no núcleo da flor: os estames estão unidos, formando uma pequena pilar em torno dos órgãos femininos. Depois da floração, muitas malvas produzem um fruto achatado e segmentado, semelhante a uma minúscula roda ou a um pequeno queijo dividido em gomos.

As malvas espontâneas aparecem com frequência em prados, pousios, campos agrícolas, bermas de caminhos e outros terrenos. Algumas preferem solos frescos e ricos em nutrientes; outras instalam-se em terrenos secos, arenosos ou pedregosos. Esta capacidade de adaptação é uma das razões por que certas espécies passam despercebidas uma vez que “ervas do caminho”, quando, vistas de perto, possuem flores de grande elegância.

Malvas, gerânios, pelargónios e sardinheiras: finalmente, qual é a diferença?

A confusão começa nos nomes populares. Em Portugal, chama-se habitualmente sardinheira às vegetais do género Pelargonium. Estas são também vendidas, incorretamente do ponto de vista botânico, uma vez que “gerânios”. Mas, Pelargonium e Geranium são dois géneros distintos, embora ambos pertençam à família Geraniaceae. As malvas pertencem a outra família: Malvaceae.

Malvas verdadeiras

As verdadeiras malvas pertencem ao género Malva. As flores são geralmente regulares e abertas, com cinco pétalas semelhantes entre si. Apresentam frequentemente nervuras mais escuras que parecem desenhadas a pincel. No núcleo, a pilar de estames é facilmente observável. O fruto é arredondado e dividido em segmentos.

malvas verdadeiras

Pelargónios ou sardinheiras

Os pelargónios são as conhecidas vegetais de floreira, varanda e recinto, com florações prolongadas em encarnado, rosa, branco, salmão ou roxo. Muitas das espécies que deram origem às variedades ornamentais são provenientes da África Meridional.

As flores dos pelargónios são normalmente ligeiramente irregulares ou bilateralmente simétricas: as duas pétalas superiores podem discordar das três inferiores. Surgem frequentemente reunidas em inflorescências arredondadas, elevadas supra da ramaria. As folhas podem apresentar uma zona escura, ser aromáticas ou ter uma textura carnuda e aveludada. São vegetais apreciadoras de sol e boa drenagem, mas, ao contrário de muitos gerânios verdadeiros, são sensíveis a geadas fortes.

Gerânios verdadeiros

Os gerânios pertencem ao género Geranium. Muitos são vegetais herbáceas vivazes, resistentes ao indiferente, utilizadas uma vez que revestimento do solo ou em bordaduras. As flores têm geralmente cinco pétalas semelhantes, podendo ser azuis, violetas, rosadas ou brancas.

A particularidade mais reveladora surge depois da floração: o fruto desenvolve uma estrutura alongada, semelhante ao ponta de uma ave. É desta forma que deriva o nome inglês “cranesbill”, ou “bico-de-grou”. Os gerânios verdadeiros são, em regra, mais rústicos do que os pelargónios e muitos adaptam-se tanto ao sol uma vez que à meia-sombra.

geranios

Uma vez que notabilizar rapidamente?

Vegetal Família Flor Fruto Uso mais habitual
Malva Malvaceae Cinco pétalas abertas, frequentemente nervuradas; pilar medial de estames Arredondado e segmentado Prados floridos, jardins naturalistas, bordaduras
Pelargónio ou sardinheira Geraniaceae Flor geralmente assimétrica, reunida em cachos arredondados Esticado Vasos, floreiras e varandas soalheiras
Gerânio verdadeiro Geraniaceae Flor geralmente simétrica, azul, rosa, violeta ou branca Esticado, em forma de ponta Bordaduras, maciços e cobertura do solo

Existem malvas autóctones em Portugal?

Portugal possui várias espécies de malvas autóctones, algumas bastante comuns e outras de distribuição mais localizada.

O Flora-On, projeto da Sociedade Portuguesa de Fitologia devotado à flora silvestre pátrio, assinala uma vez que autóctones, entre outras, Malva sylvestris, Malva hispanica, Malva neglecta, Malva nicaeensis, Malva parviflora e Malva tournefortiana. A pesquisa do género apresenta sete espécies ou correspondências taxonómicas registadas em Portugal.

Há ainda vegetais tradicionalmente classificadas no género Lavatera que também são autóctones. É o caso da malva-de-três-meses, da malva-arbórea, da malvaísco-das-sebes e do malvão. Algumas classificações botânicas atuais, incluindo a adotada pelo Plants of the World Online, dos Royal Botanic Gardens, Kew, integram várias destas espécies no género Malva. Assim, Lavatera trimestris é tratada uma vez que sinónimo de Malva trimestris, Lavatera arborea uma vez que sinónimo de Malva arborea e Lavatera olbia uma vez que sinónimo de Malva olbia.

Esta mudança de nomes não significa que a vegetal tenha mudado de identidade durante a noite. Mudou, isso sim, o modo uma vez que os botânicos interpretam as relações evolutivas dentro do grupo. Para o jardineiro, convém saber os dois nomes, pois os viveiros, livros e catálogos ainda utilizam frequentemente a designação Lavatera.

Malvas mais usadas em Portugal

Malva sylvestris: a malva por primazia

Conhecida uma vez que malva, malva-maior ou malva-das-boticas, é provavelmente a espécie que melhor representa levante grupo. É autóctone em Portugal e surge em prados nitrificados, pousios, baldios, campos agrícolas e bermas de caminhos.

Pode comportar-se uma vez que bienal ou vivaz de curta duração. Forma caules eretos ou ramificados e flores rosadas a violáceas, marcadas por nervuras púrpura. Em boas condições pode atingir murado de 1 a 1,5 metros. Aprecia sol, solo muito drenado e fertilidade moderada, embora se adapte a diferentes tipos de terreno e a uma ampla gama de pH.

No jardim, funciona muito em prados floridos, bordaduras informais, jardins rurais e composições naturalistas.

malva sylvestris

Malva trimestris: flores grandes em somente uma estação

Durante muito tempo conhecida uma vez que Lavatera trimestris, a malva-de-três-meses é uma vegetal anual autóctone de Portugal. Cresce espontaneamente em campos, pousios, prados, clareiras e bermas, incluindo terrenos argilosos, arenosos ou calcários.

É uma das melhores opções para obter uma floração rápida. As flores, em forma de taça, são maiores do que as de muitas malvas silvestres e podem ser brancas, rosadas ou rosa-intenso, quase sempre com nervuras mais escuras. Pode atingir entre 50 centímetros e um metro, consoante a variedade e as condições de cultivo.

Deve ser semeada diretamente no sítio durante a primavera, em solo ligeiro, moderadamente fértil e muito drenado. É adequada para canteiros, vasos grandes, jardins costeiros, composições informais e flor de namoro. Em regiões de verão muito quente, alguma proteção durante as horas mais abrasadoras da tarde pode prolongar o bom aspeto da vegetal.

malva trimestris

Malva arborea: uma malva para jardins costeiros

A malva-arbórea, anteriormente designada Lavatera arborea, é autóctone e aparece naturalmente em arribas, areias litorais, taludes e outros locais expostos. Tem porte arbustivo e folhas grandes, aveludadas, acompanhadas por flores rosadas com nervuras escuras.

Prefere solos arenosos ou muito muito drenados e tolera vento marítimo, salinidade e alguma secura depois de estabelecida. É mormente interessante para jardins junto ao litoral, onde pode formar um volume significativo sem exigir regas constantes. Em zonas sujeitas a geadas fortes, deve ser instalada num sítio protegido.

malva arborea

Malva hispanica: delicadeza em solos secos

A malva-de-espanha é uma espécie anual autóctone, com flores grandes, claras e sedosas. Cresce em prados, clareiras de matos, pousios e campos, preferindo locais secos e solos arenosos ou siliciosos. Apesar de pouco utilizada no transacção ornamental, possui grande interesse para jardins naturalistas de inspiração mediterrânica e para projetos centrados na flora sítio.

Malva olbia: uma presença arbustiva e discreta

Também conhecida uma vez que malvaísco-das-sebes e ainda encontrada sob o nome Lavatera olbia, é uma espécie autóctone de porte arbustivo. Na natureza surge em orlas de matagais e bosques perenifólios, sebes e bermas, frequentemente em ambientes mais abrigados e parcialmente sombreados. Pode ser usada na retaguarda de maciços, em sebes informais ou em jardins de transição entre áreas abertas e zonas arborizadas.

A malva-real não é uma verdadeira Malva

A conhecida malva-real ou malvaísco, Alcea rosea, merece uma nota privativo. Pertence à família Malvaceae, mas não ao género Malva. É uma espécie exótica em Portugal, embora possa evadir de cultivo e surgir perto de habitações, em bermas e campos abandonados.

É a vegetal das grandes hastes florais que se elevam junto a muros e fachadas rurais, podendo ultrapassar dois metros. Produz flores simples ou dobradas em branco, amarelo, rosa, vermelho, púrpura e tons quase negros. É magnífica uma vez que elemento vertical, mas bastante suscetível à ferrugem das malváceas.

Alcea rosea

Possíveis aplicações no jardim

Espécie Origem Características principais Aplicações
Malva sylvestris Autóctone Bienal ou vivaz curta; flores rosa-púrpura nervuradas; até murado de 1,5 m Prados floridos, bordaduras informais, jardim de polinizadores
Malva trimestris, anteriormente Lavatera trimestris Autóctone Anual; flores grandes brancas ou rosadas; desenvolvimento rápido Canteiros anuais, vasos grandes, flor de namoro, jardins costeiros
Malva arborea, anteriormente Lavatera arborea Autóctone Bienal ou subarbustiva; tolera vento e envolvente marítimo Jardins costeiros, taludes, maciços arbustivos
Malva hispanica Autóctone Anual; flor clara e sedosa; prefere solos secos e arenosos Jardins mediterrânicos, prados secos, projetos com flora sítio
Malva tournefortiana Autóctone Vivaz; folhas superiores profundamente recortadas Jardins naturalizados em solos siliciosos e com alguma frescura
Malva olbia, anteriormente Lavatera olbia Autóctone Arbustiva; adequada a orlas e locais abrigados Sebes informais, retaguarda de maciços, meia-sombra luminosa
Alcea rosea, malva-real Exótica; pode evadir de cultivo Hastes florais muito altas; flores simples ou dobradas Junto a muros, jardins rurais, apontamentos verticais

Uma vez que cultivar malvas no jardim

Luz

A maioria das malvas ornamentais floresce melhor em pleno sol. A luz numeroso favorece vegetais mais compactas, caules mais firmes e cores florais mais intensas. Algumas espécies toleram meia-sombra, sobretudo em regiões de verão muito quente, mas a sombra densa tende a reduzir a floração.

A Malva olbia, associada na natureza a orlas, sebes e bosques abertos, adapta-se melhor do que outras espécies a uma meia-sombra luminosa.

Solo e drenagem

As malvas não exigem, em regra, solos excessivamente ricos. Preferem terrenos leves ou de textura média, com fertilidade moderada e drenagem eficiente. Um solo muito condimentado pode produzir folhas exuberantes e caules débeis, obrigando à colocação de tutores.

Antes da plantação, incorpore constituído muito putrefacto somente quando o solo for muito pobre. Em terrenos argilosos e compactos, melhore a estrutura com material orgânica e plante ligeiramente supra do nível do terreno, evitando bolsas onde a chuva possa permanecer durante o inverno.

Sementeira e plantação

A Malva trimestris deve ser semeada diretamente no sítio em meados da primavera. Uma vez que é anual e cresce depressa, beneficia de sementeiras faseadas, com algumas semanas de pausa, quando se pretende prolongar a presença de vegetais jovens e floridas no canteiro.

A Malva sylvestris também se propaga facilmente por semente e pode ressemear-se espontaneamente. Para manter somente o número desejado de vegetais, retire secção dos frutos antes de amadurecerem. Quando se pretende fabricar um prado informal, deixe algumas cápsulas secar na vegetal.

As espécies vivazes ou arbustivas podem ser plantadas no outono, em regiões de inverno suave e solo muito drenado, ou na primavera, sobretudo em locais frios ou húmidos.

Rega

Durante o primeiro ciclo de desenvolvimento, regue de forma regular para propiciar o desenvolvimento das raízes. Depois de estabelecidas, várias malvas toleram períodos moderados de secura, embora uma rega profunda durante vagas de calor ajude a resguardar a ramaria e a prolongar a floração.

É preferível regar abundantemente e com menor frequência do que utilizar pequenas quantidades todos os dias. Direcione a chuva para o solo, evitando molhar repetidamente as folhas.

Adubação

Uma emprego ligeira de constituído no início da estação é suficiente na maioria dos jardins. Em vasos, pode utilizar-se um fertilizante equilibrado, em doses moderadas, durante o período de desenvolvimento.

O excesso de nitrogênio promove ramaria em detrimento das flores e pode originar caules excessivo tenros. Neste caso, a vegetal fica subida, inclinada e um tanto teatral — mas não necessariamente no melhor sentido.

Poda, limpeza e controlo da ressementeira

Retirar flores murchas ajuda a manter o canteiro desvelo e limita a formação de sementes. Porém, num jardim devotado à biodiversidade, vale a pena resguardar algumas flores e frutos até ao final do ciclo.

As vegetais anuais são retiradas depois de concluírem a floração. Nas vivazes, eliminam-se caules secos ou danificados no final da estação. Exemplares altos, cultivados em solos férteis ou locais ventosos, podem necessitar de tutores.

Principais pragas e doenças

As malvas são geralmente vegetais robustas, mas podem ser afetadas por ferrugem, sobretudo quando existe pouca circulação de ar e as folhas permanecem húmidas durante longos períodos.

A ferrugem manifesta-se através de manchas amareladas na página superior das folhas e pequenas pústulas alaranjadas ou castanhas na página subordinado. A conhecida ferrugem da malva-real é causada por Puccinia malvacearum e pode afetar diferentes membros das Malvaceae.

Para reduzir o problema:

  • mantenha uma intervalo adequada entre vegetais;
  • regue junto ao solo, preferencialmente de manhã;
  • retire folhas muito afetadas;
  • não coloque material doente no constituído doméstico;
  • remova sobras infetados no final da estação;
  • evite excesso de fertilização azotada.

A remoção das folhas infetadas e a redução do tempo durante o qual a ramaria permanece molhada são medidas culturais importantes no controlo das ferrugens.

Lesmas e caracóis podem guerrear vegetais jovens. Pulgões podem surgir nos rebentos tenros, mas raramente justificam tratamentos agressivos. Uma reparo regular, acompanhada pela promoção de insetos auxiliares, é geralmente suficiente.

Entre a fitologia, a medicina e a cor

A Malva sylvestris acompanha as populações humanas há séculos. As folhas e flores possuem mucilagens, substâncias que, em contacto com a chuva, formam uma textura viscosa e suave. A Escritório Europeia de Medicamentos reconhece preparações tradicionais feitas a partir de folhas de Malva sylvestris ou Malva neglecta e de flores de Malva sylvestris uma vez que produtos demulcentes para determinadas irritações da boca e da goela e para a tosse seca associada. Esta referência diz saudação a preparações medicinais controladas, não devendo ser interpretada uma vez que recomendação para recolher e consumir vegetais sem identificação segura e aconselhamento adequado.

Há também uma curiosa relação entre estas flores e a história da cor. O termo gálico mauve, que significa malva, deu nome ao tom violáceo inspirado nas flores. Em 1856, o jovem químico William Henry Perkin produziu acidentalmente o primeiro corante sintético comercializado, mais tarde publicado uma vez que mauveína. A invenção transformou a indústria química e incendiou a voga europeia com uma verdadeira febre de púrpura.

Por que vale a pena cultivar malvas?

Num tempo em que se procuram jardins mais sustentáveis, menos dependentes de rega e mais próximos da paisagem sítio, as malvas recuperam uma merecida atualidade. Há espécies para prados secos, canteiros anuais, zonas costeiras, bordaduras informais e composições arbustivas. Muitas crescem rapidamente, adaptam-se a solos modestos e oferecem flores acessíveis aos insetos polinizadores.

Cultivar malvas é permitir que uma parcela da paisagem portuguesa atravesse o portão e encontre lugar no jardim.

Leia também:
Quem não gosta de papoilas?

responsável original

Conheça

Importante

Obs: Não nos responsabilizamos pelo conteúdo dos anúncios divulgados no site ou por qualquer orçamento ou trabalho realizado por terceiros.