Data center pega de surpresa cidade mineira que sofre com falta d’chuva
Em uma tarde de maio de 2026, o presidente da Câmara Municipal de Paracatu, em Minas Gerais, Manoel Alves, pegou o telefone incomodado. Havia sido informado por repórteres de um projeto previsto para a cidade.
“Acabei de saber que a construção do data center vai debutar em dois meses. Vocês também não estão sabendo zero sobre isso?”, perguntou a alguém da prefeitura. A resposta do outro lado da traço foi “não” – a mesma que a reportagem recebeu de todas as autoridades locais, empresários, agricultores e moradores para quem levou o objecto.
“É qualquer novo noção de hotel?”, questionou a proprietária de um importante restaurante da cidade. “Um dentista?”, chutou um cidadão na terreiro principal de Paracatu. “Data center? O que é isso?”, perguntou o guardião de uma igreja do século 18.

O data center de Paracatu, município localizado a três horas de carruagem de Brasília, não é um data center qualquer. Vai ter a potência de 1 gigawatt, maior do que a soma totalidade de todos os data centers atualmente instalados no país, que consomem murado de 800 megawatts. É uma dimensão semelhante aos megaprojetos que fazem segmento da iniciativa Stargate, nos Estados Unidos – uma das maiores redes de infraestrutura de lucidez sintético do mundo, apoiada pelo governo de Donald Trump.
O data center de Paracatu está sendo planejado pela Atlas Renewable Energy, empresa que já possui parques de robustez solar no município e que pertence a uma subsidiária da gestora global de ativos financeiros BlackRock. O investimento em data centers repete uma estratégia do setor das energias renováveis no Brasil que é inédita no mundo, porquê mostramos em outra reportagem.
Entre os motivos citados pela Atlas para escolher Paracatu, cidade com murado de 100 milénio habitantes, está o veste de a cidade mineira, supostamente, possuir chuva em opulência.
“Proferir que tem muita chuva é incerto”, afirmou Almir Paraca, ex-prefeito de Paracatu. “Temos muitos conflitos hídricos de longa data no município e na região. Isso ocorre porque o uso da chuva excede a capacidade de vazão das nascentes.”
Data centers de lucidez sintético estão sob escrutínio em todo o mundo devido ao seu cima consumo de chuva e eletricidade. E o Brasil tem se apresentado porquê um importante polo para esses empreendimentos, disponibilizando sua opulência de recursos. “Nós temos condições de oferecer a outros países a oportunidade de erigir data centers”, disse o presidente brasílio Luiz Inácio Lula da Silva em maio pretérito, antes de uma visitante a Trump.
Paracatu tornou-se um exemplo extremo de um movimento que se repete no Brasil de setentrião a sul. Dados analisados pelo Intercept Brasil em parceria com a Mongabay indicam que pelo menos 68 data centers estão previstos para 37 municípios diferentes do país. Os projetos já solicitaram aproximação à rede elétrica pátrio, vários estão atualmente buscando clientes, e alguns já apresentaram a documentação necessária para obter o licenciamento.
Mas o país não possui uma regulamentação ambiental pátrio específica para data centers, e a sociedade está sendo pega de surpresa pelos anúncios, sem tempo para discutir os projetos adequadamente antes da emissão das licenças, ao mesmo tempo em que descobre as consequências desse tipo de empreendimento.
“Um projeto desse porte, que começará a ser implementado em breve… porquê é que essa informação não está sendo divulgada?”, questionou Paraca, o ex-prefeito de Paracatu.
A Atlas divulgou seus planos em uma apresentação feita ao Ministério de Minas e Robustez do Brasil, na qual solicitou autorização para que seu data center se conectasse à rede elétrica pátrio. A infraestrutura está dividida em três módulos, tem previsão para debutar a operar parcialmente em dezembro de 2027 e ser concluída até 2030.
Depois questionamentos feitos por Mongabay e Intercept Brasil, a Atlas afirmou que o “projeto em questão encontra-se em uma período de estudos muito preliminares e, por isso, não há qualquer definição técnica sobre ele” (leia a enunciação completa cá).

‘Em Paracatu, tinha chuva’
Paracatu está situada no coração do Selado, região que abriga uma rica biodiversidade. Graças à sua capacidade proveniente de haurir a chuva durante a estação úmida e de liberar a chuva lentamente por meio de nascentes, rios e cursos subterrâneos ao longo do ano, esse bioma é considerado o reservatório de chuva do Brasil.
Paracatu não é exclusivamente o nome da cidade, mas também do rio que atravessa seu território – uma termo em tupi que significa “rio bom” ou “peixe saboroso”, dependendo da natividade.
Com aproximadamente 300 quilômetros navegáveis , o Paracatu é o principal afluente do rio São Francisco. A cidade é ainda banhada por outro recurso hídrico fundamental, o rio São Marcos , e possui um território repleto de pequenos cursos d’chuva, as veredas , uma espécie de charco onde crescem palmeiras de buriti – conjunto que forma a icônica paisagem lugar.
Esse cenário parece ideal para um data center de IA, instalação que funciona ininterruptamente, com supercomputadores que armazenam e processam volumes enormes de informação. A chuva tem um papel crucial no resfriamento dos equipamentos, já que a dissipação do calor é forçoso para evitar falhas, perdas de desempenho e riscos operacionais.
Mas, “em Paracatu, tinha chuva”, observou Sebastiana Neto, presidente da Associação de Moradores do Bairro Cimo da Colina, que vive ali há 57 anos. Porquê ela, muitos moradores se lembram de sua puerícia brincando nas veredas e fazendo piqueniques nas praias fluviais, em locais que hoje estão cobertos de concreto, asfalto ou lixões, sem nenhum vestígio de chuva.

“Ali em cima tinha uma gruta com um poço azulzinho, onde a gente pescava e tomava banho”, acrescentou a moradora, apontando para a sua esquerda. “Antigamente, qualquer buraquinho que a gente furava no quintal tinha chuva. Mas agora tudo se foi, a chuva desapareceu.”
Na zona rústico, a 50 km a leste da vivenda de Sebastiana, Fortunato Ferreira da Costa, publicado porquê Natinho, observa a superfície do ribeiro Bezerra a seus pés. “A gente conhece esse riacho desde que nasceu”, contou Natinho, um ancião respeitado do quilombo Circunvalado. “Ele nunca secou, mas nascente ano vai secar de vez, vai virar poeira.”
Natinho apontou para o nível da chuva, mais reles naquele mês de maio do que em anos anteriores – tanto que não chegava mais aos troncos das árvores próximas, porquê acontecia antes. “A estação seca mal começou”, disse.


Ali perto, o pequeno cultor Eduardo Rodrigues de Araújo tem a mesma sentimento ao olhar para o poço artesiano em seu recinto, localizado no assentamento Buritis da Conquista. Ele está preocupado porque, neste ano, está precisando cavar muito mais para encontrar chuva no solo. “Antigamente, numa estação porquê esta, bastava cavar 1 metro”, relata. “Agora, olha só: o nível está a uns cinco metros de profundidade”, compara. Seu poço tem murado de oito metros, e o cultor teme que, no final da estação seca, ele e sua família tenham dificuldade para conseguir chuva potável.
A escassez de chuva não é exclusivamente uma sensação entre a população. “Há restrições tanto para as águas subterrâneas quanto para as superficiais na região”, disse Tobias Tiago Pinto Vieira, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Rios Paracatu e Urucuia.
Mineração e agronegócio já esgotam as nascentes
Sebastiana Neto mora a exclusivamente alguns passos de um muro de 15 metros de profundidade que marca a lema entre a dimensão urbana de Paracatu e a maior mina de ouro a firmamento acessível do Brasil, a Morro do Ouro, propriedade da empresa canadense Kinross. Da janela de sua vivenda, ela testemunhou a transformação da paisagem em seu bairro nos últimos 50 anos: de uma pequena comunidade inserida no Selado a um buraco com 200 metros de profundidade e mais de quatro vezes o tamanho do parque do Ibirapuera, em São Paulo, segundo os dados mais recentes disponíveis. A mina que a Kinross explora no lugar é a mais pobre do mundo: são exclusivamente 0,4 gramas de ouro por tonelada métrica de minério.
Desde o final dos anos 80, quando iniciou sua exploração, a mina cresceu junto ao ribeiro Rico, um recurso hídrico do qual nome está diretamente ligado ao ouro armazenado em seu leito. Hoje, poucas das características naturais desse ribeiro estão conservadas, e sua chuva está poluída com arsênio, de convenção com um relatório técnico de uma consultoria ambiental. O documento faz segmento de um processo judicial que exige indenização da empresa pelos impactos causados pela mina às comunidades quilombolas locais que perderam seus territórios, ou segmento deles, para a mineração.
À medida que o ribeiro Rico foi sendo diferente, outros cursos d’chuva também foram afetados. “A mineração depende de recursos hídricos para operar, por isso os córregos próximos à mina sofreram uma redução em sua vazão”, afirmou José Eduardo Trevisan Moraes , secretário de Meio Envolvente de Paracatu.


A Kinross afirmou, em um enviado enviado à reportagem, que “o ribeiro Rico possui um histórico de impactos ambientais que antecede as operações da Kinross e está fortemente associado às atividades de mina que ocorreram ao longo de décadas na região”. A empresa disse ainda que tomou muitas medidas para melhorar as condições ambientais do ribeiro, o que resultou em uma “redução das concentrações de arsênio ao longo dos anos”. “Enquanto os monitoramentos realizados em 1985 e 1986 registraram concentrações elevadas, os resultados obtidos a partir de 2015 já indicavam melhoras significativas com valores inferiores aos limites de referência estabelecidos pela legislação ambiental vigente”, afirma a nota (leia a íntegra).
A comunidade quilombola lugar também alega que uma grande expansão da mina ao longo de 15 anos rebaixou o lençol freático do aquífero lugar e transformou seu território, chamado Machadinho, em um imenso lago de resíduos de mineração. “Mesmo que a mineração cessasse hoje, o reequilíbrio das bacias hidrográficas levaria no mínimo de 100 a 200 anos para atingir uma novidade firmeza proveniente”, afirma o relatório que integra a ação judicial.
“Não podemos mais voltar para vivenda porque nossa terreno se tornou inóspita”, queixa-se Gilvan de Oliveira , um dos moradores do quilombo que deixou sua vivenda na comunidade e se mudou para a cidade. “Não há chuva rebuçado. Os vales foram soterrados. A serra e os campos, onde costumávamos cultivar nossas vegetalidade medicinais, onde ficavam as árvores frutíferas – o pequi, a mangaba, a guabiroba –, tudo isso está soterrado ou se transformou em uma cratera gigante. Porquê alguém pode viver em uma cratera porquê essa? Está tudo inabitável, tudo envenenado, tudo destruído”, lamenta.
A Kinross reconhece que a redução do lençol freático é uma “prática geral em operações de mineração a firmamento acessível”, mas diz que possui autorização para isso e apresenta relatórios regulares sobre a vazão e a qualidade da chuva às autoridades. “Do ponto de vista do aprovisionamento público, é importante salientar que o fornecimento de chuva à população de Paracatu provém aproximadamente 95% da bacia do ribeirão Santa Izabel, a qual não se encontra sob influência das operações da Kinross”, afirmou a empresa.
Se, nas áreas urbanas, a chuva de Paracatu foi afetada pela expansão da mineração, na zona rústico, as fazendas registraram aumento no consumo de chuva em virtude da adoção de pivôs de rega – equipamento com um longo braço pulverizador que gira em torno de um ponto fixo mediano para irrigar as lavouras. O sistema começou a ser implantado na dez de 1970 , com um projeto bem pelo governo federalista que visava transformar essa região em um polo de cultura irrigada de cima rendimento, mas se expandiu além do projecto original.
“O município de Paracatu possui atualmente 86 milénio hectares de terras agrícolas irrigadas, abrangendo as bacias hidrográficas de seus dois rios, o Paracatu e o São Marcos”, explicou Vieira.
É uma dimensão maior do que a cidade de Campinas, em São Paulo, que capta chuva de fontes próximas e a bombeia para os campos, possibilitando várias safras mesmo nos períodos de seca no Selado. O dispêndio ambiental, porém, é cima, segundo um estudo. “O uso intenso da bacia [do Paracatu] para rega contribuiu significativamente para a situação de subtracção da vazão do rio, causando grandes conflitos”, escreveram os autores.


80% de Paracatu sofre com conflitos hídricos
Proferir que a rega causou “conflitos” não é um pouco meramente abstrato: desde 2006, o governo estadual de Minas Gerais declarou formalmente 110 áreas de conflito hídrico no estado, de convenção com dados de 2024. Isso significa que, nessas áreas, é impossível obter uma licença individual para o uso das águas superficiais. “As áreas de conflito hídrico em Minas Gerais não significam necessariamente uma desavença entre eu e você. É uma disputa – há mais demanda por chuva do que chuva disponível”, explicou Vieira.
No totalidade, os conflitos hídricos em Minas Gerais abrangem 26 milénio quilômetros quadrados. Nessas áreas, cada usuário individual precisa se associar a um comitê de gestão coletiva para negociar com os demais a quantidade de chuva que cada um pode retirar, mormente durante as secas.
O estado também declarou 39 quadrantes porquê áreas de restrição e controle de águas subterrâneas, nas quais o lençol freático está se esgotando porquê natividade para poços – 35 desses 39 pontos são locais em que a demanda já ultrapassou 100% das reservas.
Porquê mostra um planta publicado pelas autoridades mineiras, as áreas de restrição hídrica estão localizadas principalmente no oeste do estado, onde fica Paracatu. Muro de 90% do território de Minas Gerais está livre de conflitos hídricos. Em Paracatu, esse índice não chega a 20%.
Espera-se que o data center da Atlas seja instalado no mesmo terreno onde “os projetos da Atlas estão atualmente em operação e/ou em desenvolvimento na região de Paracatu”, de convenção com os planos apresentados pela empresa ao governo brasílio. Isso corresponde a uma dimensão localizada a 30 km do bairro urbano de Sebastiana Neto e a respeito de 15 km do quilombo Circunvalado e do assentamento Buriti da Conquista, na zona rústico.
As coordenadas informadas ao governo situam os data centers exatamente no limite da dimensão de conflito hídrico do ribeiro do Talento Velho e a 6,4 km de uma zona com restrição de 100% ao uso de chuva subterrânea que se sobrepõe a outra dimensão de conflito.
“As nascentes já estão esgotadas, simplesmente não aguentam mais”, disse Jueli Cardoso Jordão, engenheiro que trabalha com planejamento e gestão de atividades agrícolas. Jordão critica a mera possibilidade de se pensar em aumentar a demanda, “mormente porque já existe um projecto de gestão hídrica em vigor para reduzir o consumo nessa região.”

A Atlas não divulgou nos documentos, nem à reportagem, a quantidade de chuva necessária para seus projetos nem de onde iria retirá-la. “Dependendo de onde o data center for captar chuva, ele terá que entrar nessas zonas de conflito e seguir um procedimento muito específico para estabelecer se pode ou não usar chuva. Pode ser que nunca consiga”, disse Vieira.
Mesmo no melhor dos cenários, em que o data center seria fornido por chuva de fora das zonas de conflito hídrico, há preocupações. “O controle do governo sobre as concessões hídricas é extremamente fraco”, disse Paraca, o ex-prefeito. “Há áreas onde as pessoas têm uma licença individual de chuva, mas ainda assim não conseguem usá-la porque o volume é muito reles – um sinal de que outros usuários estão retirando mais chuva do que o autorizado”.
O data center de 1 gigawatt da Atlas em Paracatu pode consumir até 1,2 milhão de litros de chuva por dia, quando atingir sua capacidade máxima, para operar dentro dos padrões de eficiência estabelecidos no Regime Peculiar de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata, projeto de lei sancionado pelo Senado no dia 1º de setembro que prevê conceder incentivos fiscais a data centers mais eficientes no consumo hídrico. No totalidade, esse consumo representa 438 milhões de litros por ano, supondo que o data center atinja o limite de referência proposto no projeto – volume suficiente para abastecer a população de Paracatu por um mês.
Em seu enviado, a Atlas Renewable Energy afirmou que, “porquê premissa inegociável da companhia, a tomada de decisão sobre o progresso de qualquer projeto considera rigorosamente o impacto lugar, a disponibilidade de recursos e a viabilidade socioambiental da região”.


Novos painéis solares alimentam data centers
Uma das usinas de robustez solar da Atlas em Paracatu fica do lado esquerdo de uma estrada lugar em más condições que liga a dimensão urbana ao quilombo Circunvalado e ao assentamento Buritis da Conquista. Chamada de Multíplice Solar Luiz Carlos, ela conta com mais de 1.300 hectares de painéis solares e uma estação de robustez e está em operação. O multíplice abastecerá as novas instalações do data center do outro lado da estrada.
A dimensão que abrigará o novo empreendimento é, atualmente, um terreno baldio. Até julho de 2030, porém, o lugar deve homiziar 13 edifícios repletos de supercomputadores projetados para processar dados para “grandes players globais de IA e cloud”, entre outras aplicações. Para erigir o data center de 1 gigawatt, a Atlas investirá 35 bilhões de reais.
Por trás do projeto está uma estratégia que várias empresas de robustez que operam no Brasil estão adotando: gerar demanda para suas próprias usinas. A Atlas informa que precisou reduzir a geração de robustez em um de seus complexos de Paracatu em quase 40% em 2025 devido aos cortes obrigatórios impostos pelas autoridades para lastrar o excesso de oferta. Os data centers, que consomem muita robustez, tornaram-se uma solução para essas empresas.
O Multíplice Solar Luiz Carlos, ao qual o data center estará conectado, no entanto, tem uma capacidade instalada de 661,5 MW. Provavelmente, será necessário expandir os painéis solares para gerar mais eletricidade e abastecer o data center de 1 gigawatt.
A empresa já possui uma licença ambiental para desenvolver uma novidade usina de robustez solar no mesmo lugar. A Atlas também solicitou uma licença para um data center de 1 gigawatt em Janaúba, que fica em uma região ainda mais árida de Minas Gerais, no bioma da Caatinga, e está planejando uma unidade na região metropolitana de Belo Horizonte.
“Talvez Janaúba tenha um problema hídrico ainda mais grave, já que, de veste, está localizada em uma região semiárida. Se você for até lá, vai passar por muitos cursos d’chuva completamente secos”, disse Paraca.

Parque preserva chuva e umidade
Paracatu vem se empenhando para melhorar a segurança hídrica da comunidade. Recentemente, o Parque Estadual de Paracatu, uma unidade de conservação criada em 2011 porquê indemnização ambiental pelos danos causados pela Kinross, incorporou em seus limites as nascentes que abastecem o município.
“É uma nascente de brejo, que jorra de vários pontos diferentes”, explica Paulo Bruno Pereira Brito, monitor ambiental do parque. “Não é porquê uma natividade que jorra de um único ponto. O brejo brota de vários pontos e, aos poucos, forma uma lagoa.”
Antes de se tornar um parque, a nascente havia sido represada e era um lugar de pesca. Muitos moradores pescavam no lugar, que era acessível e de fácil aproximação, mas isso não é mais permitido. “Hoje, o recurso hídrico está protegido”, disse Brito.
Olhando do solo, a nascente é cercada pela mata e abriga aves do Selado. Mas, na visão aérea captada por um drone, avistam-se plantações e sistemas de rega a exclusivamente 500 metros, fora dos limites do parque.
Dentro da dimensão mais densa da mata, outros pequenos riachos estão sendo preservados, mas a expansão do agronegócio está gerando novas áreas de desmatamento ao volta, o que pode colocar o parque em risco.
“Quando se desmata o Selado, a chuva da chuva que costumava se infiltrar lentamente no solo começa a escorrer, transforma-se em enxurrada e leva tudo embora”, disse Paraca. “Sem vegetação, o solo – que cá é muito arenoso – fica exposto e sofre erosão com muita facilidade e rapidez. Isso está destruindo os cursos d’chuva em toda a região, e é por isso que a seca do semiárido do Nordeste está se espalhando para Minas Gerais.”


No parque, Paulo Brito e seu colega Edney Moraes (ou “Timão e Pumba”, dos filmes “O Rei Leão”, da Disney, porquê eles mesmos se descrevem) estão fazendo seu trabalho, incluindo a prevenção de incêndios. “Vejo progresso entre os pequenos agricultores cá na região, ao volta do parque”, disse Moraes. “Eles até nos avisam quando há um incêndio nas proximidades, para que possamos impedir que ele se espalhe.”
Houve um grande incêndio na dimensão em 2016, quando a unidade de conservação ainda estava sendo implantada. “Imagina se acontece um incêndio cá dentro do parque, porquê seria. Acaba tudo, até a chuva. Se queima, ano que vem não vai ter um um novedio de chuva mais. Nem quero pensar nisso”, disse Brito.
*Esta reportagem foi publicada em parceria com The Intercept Brasil e produzida com o esteio do AI Accountability Network do Pulitzer Center.