Ateneu dos Produtores: Florisul – Revista Jardins
Mais de 50 anos em seguida a sua instalação, a Florisul continua a florescer pelas mãos da mesma família. Entre produção, inovação e tradição, leste é um dos projetos mais relevantes da floricultura portuguesa.
No Montijo, entre extensões de estufas e campos onde a cor se renova ao ritmo das estações, escreve-se uma das mais inspiradoras histórias da floricultura portuguesa. Tudo começou em 1968, quando António Gonçalves e a mulher, Deotília, decidiram fabricar o próprio negócio. Com unicamente um hectare de estufas e tapume de 120 milénio pés de cravo, lançaram as bases duma exploração familiar que viria a transformar-se numa referência vernáculo na produção e comercialização de flores.
Uma família que cresceu entre flores
Na Florisul, a sucessão nunca foi unicamente uma questão empresarial. Foi uma transmissão oriundo de conhecimento, responsabilidade e paixão pela floricultura. Logo, os três filhos dos fundadores — Mercedes Gonçalves, Maria dos Anjos Gonçalves e José Pedro Gonçalves — cresceram entre estufas, acompanhando desde cedo os ritmos da produção.
Hoje, os três irmãos assumem funções determinantes na liderança da empresa. Maria dos Anjos, sócia-gerente, acompanha a gestão e o desenvolvimento estratégico do negócio. Mercedes tem um papel ativo na coordenação da atividade da empresa e na perenidade da visão familiar. Por término, José Pedro acompanha a gestão operacional e produtiva, assegurando a relação entre o campo, a produção e o mercado.

Demais, a terceira geração já integra também a atividade da empresa, garantindo a perenidade de um projeto que permanece 100% familiar.
Muito mais do que gerberas
Reconhecida porquê uma das maiores produtoras de gerberas da Península Ibérica, a Florisul produz tapume de 50 variedades de flores de galanteio (gipsofilas, Lilium, mar-garidas, crisântemos, hortenses, gladíolos, lisiantos, entre outras) e folhagens ornamentais (eucaliptos, fetos, arálias, Ruskus, etc.). Assim, a produção distribui-se por 40 hectares de estufas climatizadas e 15 hectares de cultivo ao ar livre. Complementando a produção própria com flores importadas, flores secas, vegetais de interno e exterior, árvores ornamentais e de fruto, a empresa responde às necessidades de floristas, decoradores, wedding planners e garden centers de todo o país.

O lado invisível da venustidade
Por detrás de cada flor existe um trabalho quotidiano de elevada exigência técnica. O planeamento das culturas é permanente e rigoroso, e cada espécie possui o seu próprio ciclo produtivo. Por exemplo, no caso das gerberas, um único pé pode permanecer em produção durante tapume de dois anos.
A colheita realiza-se diariamente, logo nas primeiras horas da manhã. Os tapume de 120 colaboradores percorrem as estufas para selecionar cada flor no momento ideal de maturação. Depois de colhidas, seguem para o arrecadação, onde são selecionadas, agrupadas em molhos e acondicionadas em câmaras frigoríficas até à expedição.
O Garden, um sonho tornado veras
Um dos espaços mais especiais da Florisul é o Garden, na Estrada das Penas, no Montijo. Era um sonho macróbio de Deotília, que idealizava um sítio onde as pessoas pudessem encontrar inspiração, vegetais e contacto com a Natureza. Embora não tenha chegado a vê-lo concluído, o projeto foi concretizado pela família em seguida o seu falecimento. Hoje, o Garden é uma homenagem viva à matriarca e um espaço que complementa a atividade da empresa, mantendo viva a sua visão.

Assente nos pilares da qualidade, inovação, modernização e seleção criteriosa de variedades, a Florisul continua a investir na sustentabilidade, nomeadamente através da instalação de painéis solares e da redução progressiva da utilização de plástico.
Assim, num sector marcado por desafios climáticos e económicos, a empresa mantém o espírito empreendedor que, se esteve na sua origem, provando que algumas empresas cultivam flores, a Florisul cultiva também uma legado.