COP17: entre os limites da diplomacia e a urgência da biodiversidade
Quando Hambardzum Matevosyan, ministro do Meio Envolvente da Armênia, encerrou a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Flutuação Biológica, constavam no documento final os anúncios de murado de US$ 1,4 bilhão para fundos globais de conservação. Sem dúvidas, um progressão, mas que poderia ser mais representativo não fosse o contraste de que, fora das paredes da COP, US$ 2,4 trilhões anuais de subsídios públicos ainda financiam setores e atividades que prejudicam a natureza, de harmonia com o Programa das Nações Unidas para o Meio Envolvente.
Entre os dias 14 e 31 de outubro, acompanhei in loco segmento das negociações da COP17, em Yerevan. A principal entrega foi a revisão da implementação do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal (GBF), ratificado na COP15 de 2022 e que estabeleceu os objetivos para moderar a perda de biodiversidade até 2030. A revisão é boa, o cenário não muito. Das 23 metas, 22 estão fora da rota de alcance.
Simples que esse pode ser considerado um recorte enviesado sobre as lacunas. Enfim, há aspectos positivos, porquê a aprovação do mecanismo de funcionamento do órgão subsidiário permanente devotado aos povos indígenas e comunidades locais, muito porquê do Caminho de Yerevan, que estabelece prioridades para alinhar os orçamentos nacionais ao GBF, fortalecer o escora aos países em desenvolvimento e diminuir subsídios econômicos prejudiciais ao meio envolvente.
Mas é justamente esse último paisagem que revela o frágil cenário que precisamos encarar. Entre os principais exemplos, estão incentivos fiscais aos combustíveis fósseis, crédito para expansão agropecuária sobre áreas naturais e políticas de preços que incentivam o consumo excessivo de chuva. Abre-se a salvaguarda de que a maior segmento desses mecanismos foi criada para estimular a produção ou reduzir custos, mas podem produzir efeitos ambientais, e portanto econômicos, contrários aos compromissos internacionais assumidos pelos próprios governos.
A Meta 18 do GBF prevê a reforma desses incentivos, com redução de pelo menos US$ 500 bilhões anuais até 2030. Entretanto, a maior segmento dos países sequer cumpriu o prazo de 2025, que visava a identificação dos seus respectivos mecanismos.
Outro exemplo frustrante veio dos aportes para o Fundo Cali, lançado na COP16 na Colômbia e criado para promover a secretaria de benefícios econômicos derivados do uso de informações genéticas. A expectativa era bilionária, mas até hoje o mecanismo recebeu uma transferência de simbólicos, para ser eufêmico, 10 milénio dólares. Particularmente, acho muito cedo para instaurar que a iniciativa foi um fracasso, pois segmento fundamental das decisões de transferência econômica por segmento dos países depende de discussões que têm sido postergadas. Todavia, é também honesto declarar que esse delonga não condiz com a urgência gerada pela perda global de fauna e flora, sobretudo para uma COP que ocorre somente a cada dois anos.
Mesmo o Fundo Global para o Meio Envolvente (Global Environmental Facility – GEF), principal mecanismo multilateral de financiamento da biodiversidade para países em desenvolvimento, sofreu um revés de redução de 17% para o seu próximo ciclo. No período de 2026 a 2030, os compromissos chegarão a respeito de US$ 4,4 bilhões, contra US$ 5,33 bilhões dos quatro anos anteriores.

Poderia fechar cá minha estudo, fomentando o sentimento de insatisfação ou revolta que comumente incrementam o engajamento sobre pautas ambientais. Mas, infelizmente, é geral que isso descambe para uma desqualificação de espaços da ONU ou mesmo do multilateralismo per se.
A veras se impõe de outra forma. É preciso deixar evidente que COPs, de vestimenta, não são espaços lúdicos que terminam com soluções mágicas e definitivas para os problemas que assolam o planeta, mas também estão longe de serem o palco de promessas vazias que muitos ainda insistem em retratar.
Há um barranco entre tecer críticas contumazes à lentidão ou pouca ousadia de segmento das propostas e desqualificar a preço da conferência. O multilateralismo por consenso ainda é a principal utensílio de que dispomos para enfrentar problemas além-fronteiras. Apesar do difícil jogo de mediação de interesses, sobretudo dos países mais ricos, a antítese disso é a barbárie.
Daqui a dois anos, estaremos em Quito, Equador, sede da COP18 Biodiversidade. A COP Clima, essa anual, terá seu cajado pretérito pelo Brasil para a Turquia na sua 31a. edição, semana que vem. Entre frustrações e avanços, que possamos escolher a ação. Sempre.
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