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Resguardar a Amazônia exige cuidar de quem vive nela

Resguardar a Amazônia exige cuidar de quem vive nela

Quando se fala em conservação da Amazônia, ainda é geral imaginar uma floresta intocada e distante das pessoas, uma vez que se protegê-la significasse somente revistar atividades ilegais ou ampliar áreas protegidas. Essas ações são indispensáveis, evidente, mas não são suficientes. 

Por que eu digo isso? Porque a conservação ambiental somente se sustenta no longo prazo quando também melhora a vida das populações que habitam os territórios. Com direitos garantidos, oportunidades de renda e qualidade de vida, essas populações encontram melhores condições para continuar protegendo seu patrimônio ambiental. 

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São essas pessoas que cresceram ao lado das espécies nativas, que entendem os períodos de enxurrada e de seca, sentem primeiro as transformações do clima e reconhecem o valor ambiental, cultural e econômico de manter a floresta de pé. Por meio de seus conhecimentos e práticas produtivas, contribuem diretamente para a proteção de milhões de hectares. Manter a floresta de pé é manter as pessoas de pé junto dela. 

Em um estudo publicado em 2020 na Revista de Recta da Cidade, Luís Roberto Barroso e Patrícia Perrone Campos Mello analisam os limites dos modelos de desenvolvimento adotados na Amazônia. Os autores mostram que tanto a exploração econômica baseada na derrubada da floresta quanto a proteção ambiental desacompanhada de alternativas econômicas apresentam limitações para responder aos desafios sociais e ambientais da região. 

O estudo também labareda atenção para a lógica econômica por trás do desmatamento, destacando a influência de oferecer alternativas concretas de renda, assistência técnica, entrada à tecnologia e aos mercados. Sem essas condições, a vulnerabilidade de pequenos  produtores e comunidades pode dificultar a construção de uma economia sustentável. 

Essa discussão se torna ainda mais importante quando observamos as condições de vida em muitas comunidades amazônicas, onde o entrada a direitos básicos, uma vez que saúde, ensino, chuva potável, virilidade e conectividade, permanece um duelo. 

Para compreender a dimensão dessas dificuldades, basta observar a logística da região. Carauari, município do interno do Amazonas, está a aproximadamente 788 quilômetros de Manaus em risco reta. No entanto, o trajeto fluvial pode ultrapassar 1.400 quilômetros. Recentemente, foram necessárias murado de 36 horas de lancha para acompanharmos uma ação no município. 

A verificação ajuda a dimensionar essa veras: Lisboa, em Portugal, fica a quase 7 milénio quilômetros de Manaus e pode ser alcançada em murado de 11 a 12 horas de viagem aérea, com uma paragem. Isso significa que, mesmo dentro do Amazonas, um deslocamento pode levar três vezes mais tempo do que uma viagem para outro continente.

Essas distâncias não são somente geográficas. Representam custos mais elevados, dificuldades para transportar equipes e equipamentos, menor entrada a serviços públicos e barreiras para a perenidade dos projetos. Na Amazônia profunda, qualquer solução precisa considerar o  território uma vez que ele realmente é, e não uma vez que gostaríamos que fosse. 

Por isso, poupar exige capacidade permanente de reinvenção, sem largar os princípios que orientam a atuação socioambiental. E essa reinvenção começa pela escuta. 

Uma família que precisa passar dias viajando para conseguir atendimento médico enfrenta custos que afetam sua renda e sua segurança. Uma comunidade sem conectividade encontra mais  dificuldades para acessar políticas públicas, comercializar sua produção ou receber informações durante eventos climáticos extremos. A carência de chuva potável compromete a saúde e o  desenvolvimento das atividades cotidianas. E é ouvindo a dinâmica de cada comunidade que se entende o seu contexto.  

Foi mal surgiram iniciativas uma vez que o SUS na Floresta uma vez que segmento de uma estratégia de conservação. 

Realizado pela Instauração Amazônia Sustentável em parceria com o Banco Vernáculo de Desenvolvimento Econômico e Social, o Fundo Vale e a Umane, com gestão da parceria pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, o projeto apoia a estruturação de um sistema de telessaúde integrado ao Sistema Único de Saúde em comunidades ribeirinhas do Amazonas. 

Ao aproximar profissionais e serviços de saúde das populações que vivem em áreas remotas, a telessaúde contribui para reduzir deslocamentos, ampliar o entrada à assistência e fortalecer a  presença das políticas públicas nos territórios. 

Essa experiência começou a ser construída durante a pandemia de Covid-19. Diante do isolamento e das dificuldades de circulação, foi necessário utilizar rádios, internet e os meios disponíveis para manter a informação com as comunidades e viabilizar orientações e  atendimentos a intervalo. Uma resposta emergencial ajudou a revelar uma solução que poderia ser estruturada e incorporada de forma permanente. 

Esse tirocínio mostra que inovação social não é sinônimo somente de tecnologia. A tecnologia é uma utensílio. A verdadeira inovação está na capacidade de recitar parceiros, ajustar soluções às condições locais e reduzir desigualdades concretas. 

A floresta não será protegida exclusivamente por sistemas de monitoramento, leis ou mecanismos financeiros, embora todos sejam necessários. Sua conservação também depende de políticas públicas efetivas, oportunidades econômicas sustentáveis e do reconhecimento das populações tradicionais uma vez que protagonistas, detentoras de conhecimento e parceiras essenciais nessa construção.

Entre a origem e a reinvenção, nossa origem deve continuar sendo o saudação às pessoas e à floresta. A reinvenção está em encontrar caminhos para que ambas possam prosperar juntas.

As opiniões e informações publicadas nas seções de colunas e análises são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente representam a opinião do site ((o))repercussão. Buscamos nestes espaços prometer um debate diverso e frutífero sobre conservação ambiental.

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