A arte de se reconhecer em morada
Last Updated on: 17th setembro 2026, 08:24 am
Existe um momento no primícias da vida adulta em que a gente se pergunta: “Onde é o meu lugar no mundo?”. Talvez seja difícil ter uma resposta na ponta da língua, ou quem sabe essa escolha mude completamente com o passar do tempo, mas zero supera a sensação de se reconhecer em seu próprio espaço. Para a artista Lorena Moreira, seu apartamento atual representa exatamente esse pertencimento.
Em primeiro lugar pela localização geográfica: uma rua silenciosa e sem saída em Niterói, cidade onde Lorena passou a morar no início de sua juvenilidade, e que foi palco de uma período muito importante de sua vida. Depois, pelo apartamento em si: um imóvel largo, em um prédio macróbio, com características bastante originais em sua arquitetura. E ainda com a vantagem de ter janelas enormes convidando o sol a entrar sem cerimônia.
Mas, para além dos contornos espaciais, o que realmente faz Lorena se sentir em morada cá é a maneira — ora sutil, ora muito clara — uma vez que sua história pessoal ganha vida em cada pormenor. Nas obras de arte tomando conta das paredes, nos mais diversos objetos vindos de endereços anteriores, nos materiais de pintura que frequentemente escapam dos limites do ateliê e vão parar no meio da sala, e até mesmo nos lugares vazios, tão necessários para deixar a mente gerar sem bordas.







A base interessante já estava lá quando Lorena se mudou para o apê: arquitetura antiga em sua melhor forma e muito conservada, com grandes aberturas, pé-direito cimalha, sancas de gesso ornamentadas, uma porta de ingresso que é uma verdadeira relíquia e até mesmo um espelho vintage chumbado na parede. O piso de tacos, que originalmente cobria todo o apartamento, foi revitalizado na segmento da sala, porém na extensão íntima não foi provável salvá-lo por conta de uma inundação ocorrida na estação dos moradores anteriores.
“Sempre gostei da teoria de me encaixar num lugar que também emulasse uma estética própria para além dos objetos que eu usaria para vestir o espaço. Essa gracejo de me conciliar ao cenário respeitando suas características particulares me deixa interessada”, Lorena conta.







Uma segmento precípuo na relação de Lorena com a morada é a forma uma vez que seu trabalho ocupa os ambientes, seja durante o processo criativo, ou depois, em enormes telas pintadas por ela que vão do piso ao teto. Nessas obras, a conexão entre pertencimento, lar e família se traduz de um jeito principalmente significativo para a moradora.
Para as telas de sua primeira exposição solo, a artista usou uma vez que referência fotografias antigas de sua família, da estação em que seus pais ainda estavam casados, entre outras cenas eternizadas nesses registros:
“A teoria surgiu do zero, vendo uma foto da minha mãe com a minha avó, as duas imóveis com a morada ao fundo, com uma frase séria, um pouco meio inusitado para os parâmetros de fotografias de família. Aquilo me chamou atenção, achei essa seriedade divertida para pintar e ainda conversava com o resto da exposição, que falava justamente sobre movimento corporal. Decidi juntar essas duas pesquisas, a do corpo dentro e fora de morada, e deu nisso. Também foi uma maneira de cavucar as relações familiares, o que mexeu muito com minhas emoções”, ela lembra.
Nos momentos de geração, nenhum espaço fica imune aos processos internos de Lorena. Boa segmento de seu tempo é dedicada a pensar e imaginar, com ideias que muitas vezes surgem no meio da madrugada e podem, ou não, vingar quando o dia amanhece. Posteriormente pintar, ela explica que tem o hábito de compelir coisas do ateliê para o resto do apartamento, para conviver com cada obra, digerindo-as aos poucos. Assim vai equilibrando a rotina doméstica com os fainas profissionais, às vezes pendendo mais para um lado ou para o outro.





Os objetos vintage fazem segmento da decoração e vão além de uma preferência pessoal da artista. Há alguns anos sua mãe criou um arqueólogo online, o @o3andar, que é uma coleção extensa de pequenas e médias peças garimpadas. Uma vez que Lorena participa dos bastidores e da notícia da marca, o quarto de hóspedes funciona também uma vez que escritório e ror do arqueólogo. “Quando eu senhor muito uma peça, deixo ela debutar no resto da minha morada por um tempinho restringido”, ela brinca.
Entre as relíquias antigas, existem aquelas de família que Lorena guarda com carinho privativo e não desapegaria por zero, uma vez que as mesas de cabeceira, que foram feitas à mão por seu avô e a acompanham desde sua primeira morada sozinha. “Há pouco tempo, depois de anos delas cá comigo, me deparei com uma lembrete técnica com a letra dele no verso da peça e me escangalhei de chorar. Ela diz ‘nº 50 não tem par’. Extremamente técnico e mesmo assim a surpresa de encontrar um pouco escrito por ele de forma inesperada, do lado da leito, na hora de dormir, mexeu comigo”.
Lar ou ateliê? Ambos. Lugar de gerar, de receber, de cuidar ou de se esconder? Todos. Nesse apartamento solar, onde as escolhas pessoais, as memórias de família e a vocação artística encontram espaço para se entrecruzar, Lorena enxerga seu refúgio de agora – um ponto de pouso para onde dá vontade de voltar, mas que ao mesmo tempo a deixa livre para desbravar o mundo lá fora.
Texto e Coordenação de taxa por Bruna Lourenço | Fotos por Leila Viegas