Estrondo de hidrovia pode comprometer a sobrevivência de tartarugas no Tapajós
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Hidrovia planejada no Rio Tapajós poderá perturbar o sofisticado sistema de notícia da tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa), uma espécie ameaçada de extinção.
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No segundo lugar de reprodução mais importante da espécie, cientistas temem que o sonido das barcaças acabe abafando o som emitido pelas fêmeas para guiar as crias dentro da chuva.
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A hidrovia é uma peça médio do projeto do governo federalista de intensificar a exportação de soja e milho por corredores logístico do setentrião do país.
É somente um som gula e estridente, uma vez que o de um patinho de borracha. Para os cientistas, no entanto, pode ter vários significados, que vão desde “hora de desovar!” a “vamos lá, filhotes!” e “hora de transmigrar!”. Cientistas que estudam a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa), a maior tartaruga de chuva gula da América do Sul, descobriram que as crias começam a se transmitir mesmo antes do promanação, provavelmente para combinarem o melhor momento de transpor dos ovos e escavar a areia até à praia.
“A tartaruga-da-amazônia é uma das espécies de quelônios mais sociáveis do mundo”, disse à Mongabay a pesquisadora Camila Rudge Ferrara, que comprovou pela primeira vez as capacidades de notícia destes animais. “Elas migram em grupo, desovam em grupo, nascem em grupo.” Camila também é coordenadora do Programa de Conservação de Quelônios da organização sem fins lucrativos Wildlife Conservation Society no Brasil (WCS Brasil).
Em breve, porém, o murmúrio das tartarugas-da-amazônia no Rio Tapajós, um importante afluente do Amazonas, poderá ser perturbado pelo sonido de dragas, balsas e barcos circulando por uma ambiciosa via de navegação planejada pelo governo federalista. O objetivo é transportar minerais e cereais até ao porto de Santarém, no Pará.
“O som da dragagem e das embarcações vai interferir na notícia das tartarugas”, explicou Camila, destacando que ainda são necessárias pesquisas sobre o tópico. “A subida frequência embaixo da chuva deve atrapalhar a transmigração destes animais.”
A última avaliação da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que aguarda revisão, declarou que a espécie está em transe de extinção.
Som produzido pelos filhotes de tartarugas:
Som produzido pelos filhotes e por tartarugas adultas:
O Rio Tapajós abriga a segunda extensão de reprodução mais importante da tartaruga-da-amazônia: uma ilhéu arenosa chamada Tabuleiro do Monte Cristo, localizada a 43 quilômetros do município de Itaituba. Todos os anos, por volta de agosto, milhares de fêmeas migram de diferentes partes do Tapajós e reúnem-se em frente ao Tabuleiro.
As tartarugas passam um mês se preparando para desovar, em um ritual que envolve prolongados banhos de sol. À noite, grupos de até milénio fêmeas começam a transpor da chuva para depositar seus ovos em grandes buracos escavados na praia.
“A tartaruga-da-amazônia é muito seletiva na escolha do lugar para erigir o ninho”, disse à Mongabay o comentador ambiental do Ibama, Roberto Lacava.
No Tabuleiro do Monte Cristo, a espécie encontra o seu tipo de areia preposto. O terreno proeminente também minimiza o risco de inundação dos ninhos no caso de altas súbitas no nível do rio.
“A tartaruga tem fidelidade ao Tabuleiro”, disse Roberto, que coordena o Programa Quelônios da Amazônia (PQA) do Ibama no Pará. “O tipo que vai desovar no Tabuleiro do Monte Cristo volta no ano seguinte para desovar lá de novo.”

Em 2025, o Ibama estimou que 19.447 fêmeas nidificaram na extensão, cada uma depositando entre 100 e 150 ovos. Estes números impressionantes são o resultado de um esforço de cinco décadas. Em 1979, quando o Ibama começou a trabalhar na extensão, somente 327 fêmeas depositaram seus ovos no Tabuleiro.
Apesar da presença metódico no Rio Tapajós, a equipe do Ibama foi pega de surpresa em março de 2025, quando dragas começaram a revolver o leito do rio perto do Tabuleiro, a mando do Departamento Pátrio de Infraestruturas de Transportes (DNIT). “Se uma obra dessa magnitude vai ser feita na região, a gente precisa ser avisado”, disse Roberto. “A gente precisa poder opinar sobre qual o melhor momento para se fazer essas intervenções no rio, para que não atrapalhe as tartarugas.”
A Secretaria do Meio Envolvente do Pará, que autorizou a dragagem, argumentou que se tratava de uma operação de emergência para prometer a navegabilidade do rio em meio a “uma situação crítica de estiagem.”
Rota estratégica para o agronegócio
Não é sigilo, no entanto, que o governo federalista tem planos maiores para o Rio Tapajós.
A hidrovia é uma peça chave do chamado Círculo Setentrião, uma série de obras de infraestrutura projetadas para facilitar a exportação de commodities uma vez que soja e milho. O galeria logístico integraria a BR-163, a navegação pelo Tapajós e a ferrovia Ferrogrão, um projeto polêmico que promete reduzir em 30% os custos de transporte ao conectar as áreas de cultivo do Mato Grosso ao porto de Miritituba. O projeto inclui ainda uma via navegável ao longo dos rios Araguaia e Tocantins, onde o Pedral do Lourenço (ou Lourenção) — uma formação rochosa único — seria dinamitada para furar espaço para as barcaças.
Esta rede logística é considerada fundamental para as exportações brasileiras e para os planos da China de vincular as áreas de produção de grãos e minérios ao recém-inaugurado Porto de Chancay, no Peru. Uma vez chegando ao setentrião do Brasil, os produtos cruzariam a Amazônia em direção ao porto peruviano no Pacífico em uma ferrovia de 3 milénio quilômetros.
Em 2015, um estudo encomendado pelo DNIT previa a expansão do trecho navegável do Rio Tapajós dos atuais 345 km para 1.789 km por meio de intervenções uma vez que a dragagem do leito do rio e a explosão de rochas. Porquê resultado, murado de 30 milhões de toneladas de fardo, principalmente soja e milho, circulariam por ano na hidrovia em comboios de barcaças de até 205 metros de comprimento — o equivalente a um arranha-céu de 70 andares deitado no rio. O projeto inclui também a construção de seis terminais fluviais e a expansão de um porto de transbordo em Itaituba.
Em e-mail enviado à Mongabay, o Ministério de Portos e Aeroportos afirmou que o traçado proposto em 2015 está sendo revisto: “As avaliações em curso consideram um recorte exímio da hidrovia, ainda em definição técnica” (leia a resposta completa cá.) O DNIT, responsável pela dragagem de rotina anual, informou à Mongabay que no momento não há obras de manutenção programadas no Rio Tapajós (leia a resposta completa cá).

“A gente não sabe o impacto nas tartarugas caso haja navios de grande silente, transoceânicos, passando ali”, disse Roberto. “Pode ser se que aconteça um pouco similar ao que aconteceu no Rio Trombetas”, acrescentou, referindo-se a outro importante lugar de desova de tartarugas-da-amazônia, no setentrião do Pará.
No início da dez de 1980, o tráfico de embarcações no Trombetas se intensificou fortemente depois que um porto foi instalado para transportar a bauxita extraída pela empresa Mineração Rio do Setentrião. Segundo Roberto, nos anos seguintes, o número de tartarugas fêmeas que nidificavam na extensão caiu de 7 milénio para menos de 700.
“Apesar de não ser confirmado o real motivo do declínio, existe uma grande possibilidade de que o tráfego de grandes embarcações esteja relacionado”, escreveu Roberto em uma nota técnica enviada ao Ministério Público Federalista do Pará (MPF-PA).
O receio dos especialistas é que os projetos de infraestrutura potencializem os problemas já existentes na Bacia do Tapajós, uma vez que desmatamento, grilagem de terras, mina ilícito e a contaminação das águas pelo mercúrio. Projetos uma vez que a Ferrogrão têm enfrentado intensa oposição de grupos indígenas, uma vez que os Kayapó e os Munduruku, já que o traçado corta unidades de conservação e territórios tradicionais.
Em 2025, o governo federalista lançou um edital para contratar uma empresa para dragar anualmente o trecho do Rio Tapajós entre Santarém e Itaituba, pelos próximos três anos. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva Também incluiu a hidrovia no Programa Pátrio de Desestatização.
Em fevereiro de 2026, o presidente recuou em ambas as medidas depois que indígenas de mais de 20 etnias ocuparam o terminal da Cargill em Santarém para reclamar contra a hidrovia. O governo prometeu suspender o projeto até que todas as comunidades afetadas sejam consultadas.
De concórdia com o Ministério de Portos e Aeroportos, “os estudos relacionados ao desenvolvimento da hidrovia se encontram em tempo de avaliação técnica e ambiental” e serão apresentados para consulta pública quando concluídos.
Conversa de bebês
Encontrada em toda a Bacia Amazônica, a tartaruga-da-amazônia pode viver mais de 40 anos, sendo que alguns indivíduos chegam a ultrapassar os 100 anos segundo Roberto.
No Brasil, que concentra 60% da população de P. expansa, a espécie sofreu um declínio acentuado no século 19. O óleo de tartaruga, utilizado para iluminar cidades uma vez que Manaus e Belém, colocou a espécie na mira dos caçadores.
A mesocarpo da tartaruga é também um componente importante da dieta amazônica, incluindo as comunidades indígenas e ribeirinhas. No entanto, a maior ameaço vem do consumo massivo nos grandes centros urbanos, sustentado pelo tráfico de animais selvagens.
“O problema são estes traficantes que abastecem as cidades”, afirmou Camila Ferrara, da WCS. “São estas grandes capturas de tartarugas que estão dizimando a população da espécie.”

Um dos objetivos do Programa de Quelônios da Amazônia, do Ibama, é combater o tráfico de animais selvagens pelo monitoramento dos locais de reprodução. Entre 1979 e 2022, o número totalidade de filhotes nascidos nas 11 principais áreas de reprodução monitoradas pelo programa aumentou 95%, revelou um estudo de Roberto Lacava.
No Tabuleiro do Monte Cristo, mais de 1 milhão de tartarugas nasceram em 2025. Os dias de eclosão dos ovos são aguardados ansiosamente por crianças e adultos das comunidades ribeirinhas do entorno, que vão à praia para ver os bichinhos saindo de dentro da areia.
“É bonito demais aquilo ali”, disse Francisco de Sousa, que vive na comunidade de Monte Cristo, em frente ao Tabuleiro. Há cinco anos ele trabalha com o Ibama monitorando o lugar, além de pilotar lanchas e cuidar da base do instituto no Tabuleiro. “É satisfatório porque a gente trabalha o ano inteiro e, quando chega no final do ano, que é a eclosão, a gente se sente bendito por aquela colheita. Porque é uma colheita do que a gente plantou.” Durante a idade de eclosão, ele vai ao Tabuleiro todas as manhãs muito cedo para narrar filhote por filhote, e depois soltar os bebês no rio.
Segundo Camila, as tartarugas recém-nascidas começam a se transmitir umas com as outras murado 36 horas antes de quebrar os ovos. “Elas fazem isso para sincronizar o promanação”, disse ela. “Isso vai facilitar a escavação, porque o ninho de tartaruga-da-amazônia tem quase 1 metro de profundidade, é um ninho muito profundo.”
No Rio Trombetas, Camila observou que muitas fêmeas adultas esperam pelos filhotes em frente à praia para que possam transmigrar juntos para as áreas de alimento. Ela registrou vocalizações distintas quando as mães e os filhotes se encontravam.
Além de interferir nesta notícia, a dragagem ameaço modificar a profundidade das praias e o tipo de areia do rio. “Em grãos de areia maiores, você tem mais troca de calor do que em praias com grãos menores, muito compactadas, e tudo isso dificulta o processo de incubação dos ovos”, explicou Camila.
A presença de embarcações de grandes dimensões também pode expulsar as tartarugas, acrescentou Roberto Lacava: “Elas são muito sensíveis à presença humana.”

Outras duas espécies de tartarugas também depositam seus ovos no Tabuleiro do Monte Cristo: o tracajá, ou tartaruga-de-manchas-amarelas (Podocnemis unifilis), e o pitiú ou iaçá (Podocnemis sextuberculata), a tartaruga mais ameaçada da Amazônia. De concórdia com o ICMBio, muitas outras espécies também seriam afetadas pela hidrovia, principalmente na extensão em torno das ilhas do Meio e Grande.
Estes são locais de reprodução de duas espécies de botos: o tucuxi (Sotalia fluviatilis) e o boto-rosa (Inia geoffrensis). Os especialistas afirmam que a dragagem e o tráfico de navios podem prejudicar os golfinhos, provocando “injúria auditiva, mascaramento acústico, mudança comportamental, indução de estresse, redução da eficiência do forrageio e aumento da suscetibilidade a doenças”.
A extensão é também de “vital valor” para o peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis), que utiliza estas ilhas e os seus canais para se nutrir e se proteger.
Os estudos do DNIT mostram que sete unidades de conservação e três terras indígenas (Kayabi, Munduruku e Sai Cinza) também seriam afetadas pela hidrovia. De concórdia com o MPF-PA, que entrou com uma ação na Justiça exigindo a consulta às comunidades afetadas, outras 50 aldeias na Floresta Pátrio do Tapajós e na Suplente Extrativista Tapajós-Arapiuns também seriam impactadas.
Imagem do banner: O sonido das dragas e das grandes embarcações pode interferir na notícia da tartaruga-da-amazônia. Imagem cedida por Camila Ferrara/WCS Brasil.