A liberdade de ressignificar a vida
Last Updated on: 11th maio 2026, 12:21 pm
Poucos meses morando em um apartamento novo não impediram que Patricia Pimentel o transformasse rapidamente em um lar. O indumento de ser um imóvel alugado tampouco foi um tropeço. A verdade é que ela nunca se sentiu tão livre para viver a morada uma vez que muito entende, e isso se reflete não só no dia a dia, mas também na decoração: ambientes que exploram diferentes cores, texturas e estímulos, sem a urgência de seguir regras ou manter um mesmo visual.
Ela conta que, antes mesmo de pensar em morar nesse prédio, já o paquerava quando passava pela lajedo. “Ficava reparando meio de quina de olho, admirando a arquitetura, era um verdadeiro crush imobiliário. Na idade, parecia um tanto distante, quase um flerte platônico. Logo, quando surgiu a oportunidade de viver cá, foi engraçado, porque parecia que aquela paquera antiga finalmente tinha oferecido visível. Hoje eu brinco que foi um namoro de lajedo que acabou virando tálamo”, explica.








Pati não mora sozinha e nem pensou em um apartamento só para si. Seus filhos, Alice, de 4 anos, e Vicente, de 9, são secção fundamental da rotina e de uma vez que tudo é pensado por ali. Quando a TV está ligada, quase sempre é em qualquer traçado entusiasmado; e a rede acabou se tornando um cantinho mais ocupado pelas crianças do que por ela mesma, que prefere se jogar no sofá. Sem falar no escritório, onde trabalha em home office e que também funciona uma vez que uma espécie de brinquedoteca. Assim, mãe e filhos compartilham o mesmo envolvente durante boa secção do dia.
“Eu já me mudei algumas vezes e percebo que cada morada acaba refletindo muito o momento que estou vivendo. As escolhas, cores, móveis e referências sempre têm a ver com o meu estado de espírito naquele período”, diz. A morada atual fala sobre liberdade e raízes. A primeira aparece na maneira descontraída e criativa de personalizar cada quina: portas e paredes pintadas, papel de parede, listras, envelopamentos, brinquedos, vegetais, quadros e letreiros. Mesmo sendo alugado, o apartamento prova que existem inúmeros recursos para conciliar o espaço uma vez que se deseja.



Já as raízes estão nos detalhes – em uma vez que, mesmo sem perceber, ela se inspirou nas cores e texturas das cozinhas de seus pais para produzir a sua. No término, o envolvente ganhou dois retratos especiais que indicam onde tudo começou.
Aliás, espalhados pela morada estão vários lembretes que alimentam sentimentos bons. Na sala, o neon da artista Rita Wainer com a frase “O paixão guia o nosso tramontana” foi comprado em um momento de recomeço. Ainda ali, uma bandeira desenhada por seu irmão retrata uma mulher se equilibrando e simboliza o movimento da vida. No quarto, uma plaquinha com a frase “A vida é muito longa para se fazer uma coisa só” é quase autoexplicativa e foi comprada tempos detrás, já com a teoria de usar quando sua trajetória mudasse de rumo.





Quem vê a naturalidade com que Pati encarou a mudança e uma vez que rapidamente transformou um apartamento alugado em um verdadeiro lar pode até se surpreender. Para ela, porém, esse processo acontece quase uma vez que um hobby. Habituada a esse tipo de transformação, ela recentemente abriu sua própria empresa, a MOODe, com o objetivo de ajudar outras pessoas a transformar espaços em lares com intervenções simples e ágeis.
“Paladar muito de olhar para os espaços e imaginar novas possibilidades: mudar um traste de lugar, testar uma cor, reorganizar um quina ou dar um novo significado para um tanto que já existia. Para mim, a morada é quase um laboratório de experiências”, diz.






Tudo isso diz muito sobre sua forma de enxergar a morada — uma vez que um organização vivo, que acompanha os momentos dos moradores. Se precisasse somar o lar em poucas palavras, seriam ressignificação, pertencimento e prazer:
“Ressignificação porque hoje moro em um apartamento alugado, e ressignificar acaba virando um manobra uniforme, um tanto que também é muito presente na própria vida. Pertencimento porque a morada precisa ser um lugar onde você se sente protegido, protegido, seguro. É o espaço onde você realmente sente que pode ser quem é. E prazer porque a morada deve ser gostosa de se estar. Onde você descansa, pensa, cria, recebe pessoas ou simplesmente não faz zero.”
Texto por Yasmin Toledo | Coordenação de taxa por Dora Campanella e Paula Passini | Fotos por Felco