Carvalhos em Portugal

Carvalhos em Portugal




 

Já foram predominantes nas florestas em Portugal continental. Entretanto, o cenário paisagístico alterou-se irreversivelmente devido às diversas atividades humanas associadas ao pastoreio, cortes e queimadas.

 

As poucas florestas de carvalhos que resistiram ao longo do tempo são áreas de relevante valor paisagístico e de uma grande biodiversidade. Sendo espécies de grande longevidade na Península Ibérica, desde há muito que lhes é reconhecido valor. Os romanos conferiram-lhes o símbolo de força e resistência, das suas folhas faziam as coroas dos heróis.

Os carvalhos pertencem ao género Quercus e apresentam mais de 400 espécies, onde se incluem a azinheira e o sobreiro. Várias destas espécies povoam as florestas em Portugal. De uma forma generalizada, podemos expressar que as de folha decrépita se distribuem mais para o Setentrião do País (carvalho-roble e carvalho-negral), o carvalho-português no Núcleo e as de folha persistente mais para Sul (azinheira e sobreiro).

Destacamos estas cinco espécies neste cláusula.

 

 




O género Quercus




 

Os carvalhos são árvores de folha decrépita, persistente ou marcescente, presentes sobretudo no hemisfério setentrião. As suas folhas podem assumir diferentes tamanhos e formas, conforme a espécie. Podem ser lobadas, dentadas e, com menos frequência, serradas ou inteiras.






As suas flores são unissexuais e encontram-se ambas agrupadas em amentilhos: as flores masculinas em amentilhos pendentes (cada flor possui entre 6-12 estames) e as flores femininas em amentilhos laxifloros (cada flor possui entre 3-6 estiletes).




O seu fruto possui exclusivamente uma semente, nomeado por glande ou bolota, sendo uma vez que um aquénio suportado por um invólucro calciforme, a cúpula.




Família: Fagaceae




Profundidade: Varia conforme as espécies, podem atingir mais de 40 metros.




Propagação: Semente, estaca.




Idade de plantação: Outubro-novembro (antes das geadas).




Condições de cultivo: Condições de sol pleno. Solos húmidos, desde que muito drenados.




Manutenção e curiosidades: A sua madeira muito resistente é utilizada para construção e marcenaria. Os bugalhos, por vezes confundidos com os frutos do roble, são provocados pela picada de um inseto do género Cynips.

 

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Quercus faginea Lam (Roble-cerquinho, carvalho-português)




Árvore de folha marcescente de despensa abobada. Caracterizada pelo seu ritidoma cinzento, reticulado e fendido.




Profundidade: Tapume de 20 metros.




Folhas: Simples, ovais, de margens dentadas e cor verde-escura. Dimensão entre os 2-11 cm.




Fruto: Bolota de maturação anual, de 1,5-3,3 cm de comprimento.




Curiosidades: Estes carvalhais quando muito conservados, são um habitat protegido. É muito profuso no Núcleo e Sul do País.

 




Quercus pyrenaica Willd. (Roble-negral)




Árvore de folha decrépita ou marcescente com uma despensa ampla. O seu ritidoma é de cor cinzenta-escura, toldado e fendido.




Profundidade: Até 25 metros.




Folhas: Simples, de lobadas a partidas, com lobos arredondados no vértice. Página superior verde-escura, glabrescente e página subordinado acinzentada, aveludado-tomentosa. Dimensão entre os 3,5-13 cm.




Fruto: Bolota de maturação anual, de 1,5 – 4,5 cm de comprimento.




Curiosidades: Longevidade entre os 120 e os 300 anos.

 




Quercus robur L. (Roble-roble, carvalho-alvarinho)




Árvore caducifólia com despensa larga e irregular. Apresenta ritidoma cinzento-acastanhado, fendido.




Profundidade: 30-40 metros.




Folhas: Simples, lobadas (lobos assimétricos), verdes na página superior e de cor mais ténue na página subordinado, com dimensão entre os 5-19 cm.




Fruto: Bolotas de maturação anual, de 2-4 cm de comprimento.




Curiosidades: Espécie que pode viver murado de 300 anos. A sua folha assemelha-se ao símbolo do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e da Quercus.

 




Quercus rotundifolia Lam (Azinheira)




Árvore perenifólia de despensa arredondada e com ritidoma cinzento, rijo e fendido em pequenas placas retangulares.




Profundidade: Tapume de 20 metros.




Folhas: Simples, arredondadas, de margens recortadas, de cor verde-escura e glabras na página superior e esbranquiçadas e pubescentes na página subordinado.




Fruto: Bolotas de maturação anual, de 1,5-3,5 cm de comprimento.




Curiosidades: Enquanto jovens as folhas das azinheiras fazem lembrar as do azevinho, nas árvores adultas, tornam-se mais arredondadas (dimorfismo foliar). Pode viver murado de 300 anos.

 




Quercus suber L. (Sobreiro, chaparro)




Árvore perenifólia de despensa larga e arredondada com ritidoma suberoso (produção intensa de súber, designada cortiça).




Profundidade: Até 20 metros.




Folhas: Simples, de margens serradas, cor verde-escura na página superior e acinzentada na página subordinado, com dimensão entre os 2,5-10 cm.




Fruto: Bolotas de maturação anual, de 2-4,5 cm de comprimento.




Curiosidades: Portugal é o maior produtor de cortiça do mundo. O montado de sobro ocupa 23% da dimensão florestal vernáculo. Pode viver murado de 1000 anos.

 

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