Lisboa, o Tejo e a Ceiba: O Feitiço das Árvores
Lisboa tem um magia que nasce do encontro entre o Tejo e a cidade. Nesta crónica, no entanto, o rio é somente a porta de ingresso para outra grande formosura: as árvores que a habitam.
Lisboa, o Tejo e a promessa das águas
É indiscutível que Lisboa é uma cidade charmosa. Lisboa, o Tejo e a Ceiba: A Árvore Sagrada que Desafia as Estações compõem uma narrativa única sobre a relação da cidade com o rio e a natureza sagrada das suas árvores. Quase todas as cidades atravessadas por rios visíveis de várias perspetivas têm um tanto de misterioso e sedutor; é porquê se a volume de chuva, descendo entre montes e vales e alargando-se em grandes estuários, trouxesse consigo histórias dos territórios que atravessou, rasgou, serpenteou, humedeceu, inundou, marcou e moldou.
Tão importante é a sua função no estampa da paisagem. Tão preciosa é a chuva. Transporta no seu leito os segredos de longas viagens.
No caso do Tejo, vindo de Espanha — nascido a 1593 m de altitude na serra de Albarracim, na província de Aragão, no nordeste da Península Ibérica — percorre murado de 1100 km, ora estreitando o leito para passar entre penhascos, ora lançando-se em cascatas, ora encarcerado em barragens (11 no totalidade: nove em Espanha e duas em Portugal), ora espraiando-se até esticar o corpo num imenso amplexo que acolhe Lisboa e Almada com um ósculo gulosice, poluído e já com notas salgadas de oceano.
A protagonista: Ceiba, a paineira que contraria o calendário
A intenção desta crónica não era redigir sobre rios, mas sobre as árvores icónicas de Lisboa que nos deslumbram, sobretudo na idade da floração. Logo que entramos no outono, quando a maioria perde a folha e pinta a cidade de cores outonais, há uma que parece contradizer as estações — talvez por vigiar no ADN a memória do continente de onde veio, com épocas ao contrário das nossas. É da Ceiba que vos quero falar.
A espécie mais plantada em Portugal é a Ceiba speciosa (descrita inicialmente porquê Chorisia speciosa). Nos trópicos de origem encontram-se as gigantes C. pentandra. Estas belíssimas árvores, que salpicam jardins, avenidas e praças de Lisboa, também respondem por paineira, barriguda, mafumeiraousumaúma. Nativa da América Meão, é conhecida porquê Kopac. Aliás, Lisboa, o Tejo e a Ceiba: A Árvore Sagrada que Desafia as Estações ilustram de forma marcante leste maravilha botânico.

Árvore sagrada e ponte entre mundos
Na cosmovisão dos Maias e de outros povos indígenas — nas Américas e em África —, a ceiba é sagrada, símbolo da relação entre o mundo material e o místico. As suas flores cor-de-rosa, matizadas de roxo, evocam transmutação, sabedoria universal e espiritualidade.
Na Guiné, a etnia Balanta realiza rituais fúnebres à sua sombra, acreditando que, quando uma pessoa idosa morre, o corpo deve repousar sob a paineira para que o espírito se eleve e não atormente os vivos. Na Amazónia, é chamada mãe das árvores, escada do firmamento ou árvore da vida. Na Tailândia, conhecida por taban fai, o óleo das sementes entra na culinária e na medicina. Na ilhota da Madeira, a espécie é das mais emblemáticas e icónicas.
Fitologia importante
De grande interesse medicinal e etnobotânico, a Ceiba speciosa pertence à família Malvaceae. Nesta árvore, tudo se aproveita. Ou por outra, Lisboa, o Tejo e a Ceiba: A Árvore Sagrada que Desafia as Estações torna-se um tema fascinante para quem aprecia a união entre natureza e cultura.
Usos culinários e medicinais
- Folhas comestíveis: Textura semelhante à do quiabo devido ao superior texto em mucilagens. Consomem-se cruas ou cozinhadas quando jovens e tenras; usam-se em sopas, patês, molhos, refogados, tempura, salteadas com óleo e alho e porquê recheio de empadas. Ricas em vitaminas e sais minerais, têm propriedades emolientes, laxantes e sedativas. Em compressas, aliviam feridas, furúnculos e problemas cutâneos; em infusão, são usadas em lavagens oculares no refrigério de conjuntivites.
- Flores: Comestíveis; podem ser escaldadas e servidas com molho picante. Estames desidratados adicionam cor a caris, sopas e molhos.
- Casca (ritidoma): Em decocção, é usada porquê anticoncetivo, hipotensora, diurética e antidiarreica; em banhos, no refrigério de febres, dores de cabeça e porquê proteção contra o mau-olhado; em bochechos e gargarejos, para inflamações da gorgomilos, dores de dentes e febre.
- Raízes: Integram misturas de vegetalidade para o tratamento da lepra.
- Folhas tenras (decocção/óleo): A decocção é usada porquê anticoncetivo; aquecidas em óleo de palma e ingeridas, são remédio tradicional para problemas cardíacos.
- Sementes: Ricas em proteínas (~40%) e óleos insaturados (~22%). O óleo é amarelado, de odor aprazível mas rança rapidamente ao ar; usa-se sobretudo em massagens para dores reumáticas e no fabrico de sabonetes. As sementes consomem-se torradas, cruas, cozinhadas ou em pó, adicionadas a molhos, sopas e sobremesas.

Filamento, leveza e abrigo
O nome sumaúma relaciona-se com os pelos que revestem o interno dos frutos. Ao furar, libertam uma fibrilha impermeável, que não pode ser tecida, mas serve para encher coletes salva-vidas, almofadas e estofos, além de funcionar porquê isolante térmico e acústico. Por término, Lisboa, o Tejo e a Ceiba: A Árvore Sagrada que Desafia as Estações refletem o modo porquê natureza, tradição e modernidade convivem na cidade.
Epílogo: Do Tejo à despensa
Termina assim esta crónica que se iniciou no rio Tejo e fluiu até ser árvore — uma das mais bonitas de Lisboa e, quem sabe, do mundo. Muito-hajam todas as árvores e todos os rios.
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