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Você não mora no mesmo condomínio que seu vizinho

Você não mora no mesmo condomínio que seu vizinho

E isso não é figura de linguagem caros colegas de sindicatura. É neurociência aplicada à convívio. Se você já participou de uma câmara, mediou um conflito de vaga de garagem ou recebeu duas reclamações completamente opostas sobre o mesmo indumentária, já teve um vislumbre de uma verdade incômoda: ninguém vive exatamente no mesmo condomínio. Não porque o prédio muda, mas porque o cérebro de cada pessoa constrói uma versão dissemelhante da verdade.

A primeira pista disso vem de um pouco capital, as cores não existem. No mundo físico, o que existe são ondas de luz. A cor é uma tradução feita pelo cérebro para dar sentido a essas ondas. Quando você olha para uma parede “branca”, cada morador está vendo um branco dissemelhante. A parede é a mesma. A percepção, não. Isso já seria suficiente para gerar divergência, mas a coisa vai mais fundo.

Nós não vemos o mundo com os olhos. Os olhos somente captam sinais. Quem decide o que você está vendo é o cérebro. Antes de qualquer imagem chegar à consciência, ela passa por filtros invisíveis, memórias, emoções, experiências passadas, crenças, expectativas. É por isso que duas pessoas podem presenciar o mesmo incidente no condomínio e transpor com narrativas incompatíveis. Uma vê desrespeito. A outra vê excesso. Uma se sente atacada. A outra se sente injustiçada.

O indumentária é o mesmo. O mundo percebido, não. Em termos simples, você não vê o condomínio uma vez que ele é. Você vê o condomínio uma vez que você é. A neurociência ainda acrescenta um oferecido perturbador. Existe um ponto cego no nosso campo de visão. Grande segmento do que acreditamos estar vendo não está sendo realmente captada. O cérebro preenche as lacunas com base em previsões. Na prática, o cérebro não espera a verdade intercorrer. Ele antecipa, imagina, supõe e depois ajusta. Nós não percebemos o mundo. Nós confirmamos expectativas.

No condomínio isso aparece todos os dias. Quem espera conflito enxerga ataque. Quem espera bagunça enxerga ameaço. Quem espera injustiça enxerga perseguição. O cérebro não está buscando fatos. Está buscando congruência com a história interna que já foi escrita. A consequência disso é desconfortável, não existe um único condomínio. Existem dezenas de condomínios sobrepostos ocupando o mesmo espaço físico. O condomínio do síndico, o do morador macróbio, o do recém-chegado, o do mentor, o do porteiro. Todos reais. Todos diferentes. Todos verdadeiros para quem vive neles.

E cá entra a segmento prática, que interessa a qualquer colega síndico ou morador. Você não controla os fatos. Mas controla os filtros com que interpreta os fatos. E isso muda tudo. A maioria dos conflitos condominiais não nasce do evento em si, mas da narrativa construída sobre ele. O estrondo vira desrespeito. A mensagem vira perseguição. A regra vira autoritarismo. A tolerância vira preterição. Quem compreende que vive dentro de uma verdade construída passa a escutar mais e reagir menos. Entende que conflito raramente é disputa entre claro e incorrecto. Geralmente é choque entre mundos internos incompatíveis.

Talvez o papel mais sofisticado de um síndico hoje não seja somente comandar um prédio, mas trasladar realidades distintas. Fazer com que pessoas que vivem em universos mentais diferentes consigam, minimamente, compartilhar o mesmo elevador sem transformar cada viagem em uma guerra existencial. No término, a boa convívio não é uma questão de regulamento interno. É uma questão de consciência perceptiva. Porque antes de tentar mudar o comportamento do outro, vale lembrar, você não mora no mesmo condomínio que ele. Você mora dentro da sua própria cabeça. E ele, dentro da dele. Potente amplexo!

Rogério de Freitas é síndico profissional, graduado em Gestão de Empresas e pós-graduado em Marketing e Gestão Empresarial, Coach Integral Sistêmico.

 



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