Um dia em Soure, na Ilhota do Marajó
Last Updated on: 4th novembro 2025, 01:31 pm
Em outubro de 2025, o Histórias de Lar iniciou uma novidade tempo que vinha sendo idealizada há tempos, mas agora chegou de vez para todos que nos acompanham: depois de muitos anos visitando casas incríveis em São Paulo, finalmente surgiu a oportunidade de viajarmos Brasil adentro registrando as tantas formas de morar que existem em nosso país. A teoria é visitar todas as cinco regiões brasileiras, mostrando as características de cada uma delas.
Nosso primeiro tramontana foi o Setentrião, onde conhecemos não só a cidade de Belém, no Pará, mas também a Ilhota do Marajó – um lugar memorável e com uma cultura riquíssima. As casas que visitamos já estão cá no blog e em nosso perfil no Instagram, vale conferir.
Antes de tudo, vale proferir que, apesar de ser uma ilhota, a região é muito extensa: Marajó é considerada a maior ilhota fluviomarítima do planeta, com mais de 40 milénio km². Entre tanta imensidão, nosso passeio se restringiu a Soure, cidade que é uma espécie de porta de ingressão do arquipélago.
Localizada às margens do rio Paracauari, Soure é conhecida por reunir o melhor de dois mundos — o charme de uma cidade pequena e a grandiosidade da paisagem amazônica ao volta. Ali, a vida ribeirinha é marcada por uma conexão muito próxima com os ciclos da natureza, em privativo o ritmo das marés, que muda conforme as estações. Inclusive, as casas mais expostas às águas são feitas de madeira e elevadas do solo, justamente para se proteger dos momentos de enxurrada.

Para chegar à Ilhota do Marajó, é necessário pegar uma embarcação em Belém, partindo do Terminal Hidroviário Luiz Rebelo Neto. O trajeto dura muro de duas horas e meia, atravessando a Baía do Marajó.
Por lá, o clima é equatorial úmido, com temperaturas elevadas e chuvas abundantes ao longo do ano. Acabam sendo somente duas estações muito definidas – a chuvosa e a seca. A fauna também impressiona: é impossível falar da Ilhota do Marajó sem mencionar os guarás, um tipo de pássaro que adquire sua coloração vibrante de vermelho ao consumir os caranguejos da ilhota. Já os búfalos são a marca registrada da região, e a geração deles é uma das principais atividades econômicas dos moradores. Não por contingência, uma das iguarias da ilhota é o queijo do Marajó, produzido com leite de búfala.
Praia de Caju-Una
Para chegar até a praia de Caju-Una, uma das paisagens mais lindas da Ilhota do Marajó, é preciso ir de coche por um caminho de terreno, passando por fazendas e campos de búfalos.
A praia é marcada pelo encontro entre o Oceano Atlântico e um afluente do rio Amazonas. Em sua larga tira de areia, formam-se piscinas naturais durante a maré baixa. Já na maré subida, as águas invadem os campos e criam uma paisagem à segmento. O cenário se torna mais variegado com os barquinhos ancorados por ali.









Vila do Firmamento
Outra segmento imperdível de Soure — ainda mais para quem, assim porquê nós, é enamorado por arquitetura — é a Vila do Firmamento. Pequena e cercada pela natureza, ela abriga uma comunidade ribeirinha e é conhecida por suas casas coloridas de madeira.
Porquê mencionamos, as casas são construídas de forma elevada do solo para fugir da maré enxurrada, e cada uma se diferencia das outras pelas cores das fachadas, que são continuamente renovadas devido ao desbotamento causado pelo clima quente e úmido. Outro elemento característico das casas são os detalhes de madeira que ornamentam cada construção, chamados de ‘caqueados’ e produzidos por carpinteiros locais.










Arte Marajoara
A arte do Marajó surgiu com os povos indígenas muito antes da colonização portuguesa e perdura até hoje porquê um símbolo de resistência e identidade sítio. Suas cerâmicas são conhecidas pelas formas e padronagens geométricas, que trazem representações da fauna, da fertilidade e dos ciclos da natureza. Durante nossa visitante, tivemos a oportunidade de saber o Ponto de Cultura Coletivo Arte Mangue Marajó, um espaço que mantém viva essa tradição e promove a formação de novos artistas locais, criando peças artesanais com matéria-prima da própria região. Os grafismos marajoaras também aparecem de outras maneiras por Soure, porquê no escorço de fachadas.




Texto por Yasmin Toledo | Fotos por Leila Viegas
