Passarinho… que som é esse? Uma história de porquê os pássaros cantam
É fácil falar sobre aves, sobre passarinhos, e deixar que nosso pensamento voe para o imaginário das sinfonias melódicas que elas espalham pelo envolvente. Sem incerteza, o esquina das aves é uma de suas características mais marcantes: labareda a atenção, preenche espaços e nos toca de um jeito profundo. Muitas vezes, nem precisamos vê-las: basta ouvi-las para saber que estão ali, muito pertinho da gente.
Essa magia sonora, no entanto, vai muito além do encantamento. Ela também é extremamente importante para a Ciência. A espaço que estuda a notícia acústica das aves – e de outros animais – chama-se bioacústica e tem muito a nos ensinar. Por meio dela, conseguimos investigar padrões e variações de sons, descrever cantos, reconhecer notas, entender porquê o envolvente influencia a notícia bicho e, principalmente, inferir porquê as aves estão se adaptando a um mundo em metódico mudança.
Mas, finalmente, porquê uma ave canta? Falamos tanto sobre o esquina, mas porquê esse som nasce? As aves possuem um órgão específico para a vocalização chamado siringe. Localizada próxima à traqueia, a siringe tem formato de um Y voltado e é composta por músculos que controlam a passagem do ar, permitindo a emissão de sons. Cada espécie possui uma siringe com características próprias e, por isso, carrega também uma capacidade sonora única: um conjunto pessoal de sons que consegue produzir.
E isso é fascinante. Sabemos que algumas espécies são capazes de imitar o esquina de outras aves, porquê o sabiá-da-praia (Mimus saturninus). Ainda assim, há uma limitação acústica imposta pela própria siringe, o que faz com que a imitação nunca seja exatamente igual ao som original. O mesmo acontece com aves que imitam a fala humana. Mesmo quando um papagaio “fala” (entre muitas aspas, já que não há semiologia, exclusivamente reprodução sonora), conseguimos perceber diferenças no tom, nas notas e na forma porquê o som é produzido. A siringe, finalmente, define os limites dessa produção acústica.
E sempre que falamos sobre vocalizações, surge a pergunta: toda ave vocaliza? Apesar de essa ser uma particularidade tão associada às aves, a resposta é não. Nem todas as aves possuem siringe. Urubus, emas e avestruzes, por exemplo, não têm esse órgão. Por isso, não produzem vocalizações complexas nem melódicas. Em vez disso, emitem exclusivamente pequenos bufos, a simples passagem de ar pela traqueia.
Escutar as aves cantando, mesmo em grandes centros urbanos, certamente é um motivo de consolação para a rotina corrida que enfrentamos nos dias atuais. Mas é evidente que a urbanização e esse envolvente em metódico mudança também afeta as aves.
Uma metódico que podemos observar em ambientes urbanizados, sem incerteza, é o soído urbano. Esse soído é produzido majoritariamente pelo funcionamento da cidade: tráfico de carros, de pessoas, máquinas, indústrias… E esse soído traz muitas consequências tanto pras aves quanto para outros seres sujeitos à sua ação. A exposição a longo prazo pode nos levar a desenvolver problemas de audição, síndromes hipertensivas e até distúrbios do sono.
No caso das aves, essa exposição leva a outro problema: o mascaramento acústico. Apesar de ouvirmos o esquina das aves e acharmos que eles são “finos” e “agudos”, a verdade é que esses cantos são emitidos em uma frequência relativamente baixa, o que passa a ser um problema nas cidades porque o soído urbano também é de baixa frequência, porém com uma intensidade muito maior. Por ser mais intenso, esse soído acaba sobrepondo o esquina das aves, e o mascarando, impedindo mal elas consigam se escutar e se falar adequadamente.
Mas por que portanto, as aves continuam cantando nas cidades? É aí, meus amigos, que as aves mostram que elas não vieram pra folguedo! As aves já começaram a se conciliar a esse envolvente e a essas pressões, outrora desconhecidas, e essas adaptações podem ser muito interessantes.
A estratégia utilizada pelos sabiás em grandes centros urbanos porquê São Paulo foi a de estrear a trovar muito mais cedo, às 4h da manhã. É geral o dia estrear a amanhecer e ouvirmos as aves cantando, né? Mas nesse caso, os sabiás começam a trovar antes da cidade convencionar e estrear a fazer todo aquele estrondo. Dessa forma, elas driblam o pico da emissão do soído urbano, conseguindo ser ouvidas, mesmo numa cidade tão grande, movimentada e ruidosa porquê São Paulo.

Outra adaptação que podemos observar que as aves são capazes de fazer pra evitar esse mascaramento acústico é conhecida porquê plasticidade vocal. Nesse caso, as aves aumentam a frequência do seu esquina, modulando-o para permanecer supra da fita de soído, assim não há a sobreposição entre o esquina e o soído urbano. E as aves podem selecionar notas dos seus cantos que, naturalmente, estão supra da fita de soído ou modular o esquina para aumentar a sua frequência mínima. Muito lícito, não é?
O soído também pode afetar o processo de aprendizagem do esquina… Mas, antes de falarmos sobre porquê isso acontece, vamos falar sobre a aprendizagem em si. O primeiro ponto muito importante a ressaltar é que nem toda ave aprende a trovar. Algumas têm a sua vocalização porquê um tanto inato à sua espécie. Entre as aves que aprendem suas vocalizações temos: os psitacídeos e cacatuídeos (Psittaciformes); Trochilidae, que são os beija-flores (pois tem gente que nem sabia que pica-flor vocalizava, e olha os bonitos não só cantando porquê aprendendo também!); e os passarinhos (Passeriformes).
E essa capacidade de aprendizagem é o que vai dividir a ordem dos passarinhos em dois grandes grupos: aqueles que aprendem a trovar e aqueles que têm o esquina inato. Os suboscines são espécies que têm esquina inato; ou seja, mesmo que um filhote seja só do convívio com adultos que possam ensiná-lo o esquina típico, ele vai saber trovar. Nesses casos, os cantos são mais simples, menos complexos e apresentam pouca variação.
Um ótimo exemplo de espécie suboscine é o bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) que tem seu esquina muito característico formado por 3 notas, que podem variar em sua combinação, mas ainda assim se mantêm as mesmas. Já os oscines aprendem a trovar e os machos, durante a sua puerícia, precisam de um viril da sua espécie cantando para ensiná-lo o esquina da sua espécie. É realmente uma relação de tutor e tutorado, onde aquele filhote vai aprender de convénio com o que ele está ouvindo.
Essa capacidade de aprendizagem leva os oscines a ter cantos normalmente mais complexos, com diversas combinações, muita variação e até mesmo assinaturas vocais, que ocorrem quando um viril cria uma combinação de notas pra invocar de sua. Um bom exemplo de uma espécie oscine é o curió (Sporophila angolensis). Seu esquina é muito multíplice e varia bastante!
Agora voltando pro caso do soído e da aprendizagem do esquina por esses oscines… O que acontece é muitíssimo interessante: para aprender a trovar esse jovem oscine precisa ouvir o seu tutor cantando. E precisa também se ouvir para ajustar as vocalizações que ele está emitindo para que se assemelhe ao esquina que ele está ouvindo. O soído pode afetar esse feedback auditivo que é muito importante nessa tempo de aprendizagem, assim aquele juvenil não conseguirá fazer todos os ajustes necessários para que seu esquina se assemelhe ao esquina do seu tutor.

Além de estarem sujeitos ao soído, esses jovenzinhos também estão ouvindo muito mais cantos além do de seu tutor. Cada envolvente tem a sua paisagem acústica, composta pelos sons emitidos ali, porquê o soído urbano, os cantos de aves específicas de cada localidade e os sons de outros animais… Tudo isso compõe a paisagem acústica de um lugar.
A paisagem acústica cá de Salvador, de onde escrevo, é composta pelas espécies de aves, anfíbios, mamíferos que ocorrem cá junto ao soído urbano típico (que tem um pouco de estrondo do mar envolvido também). Dessa forma, um jovem oscine que cresça cá em Salvador vai ouvir tudo isso enquanto aprende a trovar. E se um jovem oscine, da mesma espécie, aprender a trovar em meio a Belo Horizonte, por exemplo, ele estará sujeito a uma paisagem acústica completamente dissemelhante. E isso é muito interessante porque as aves não aprendem exclusivamente o esquina do seu tutor, mas também são afetadas por todos os sons que as cercam durante esse processo.
O que nos leva a um fenômeno muito lícito nas aves que são as variações regionais. As aves vão trovar de formas diferentes em diferentes regiões e cada lugar possui o seu dialeto. Ou seja, as aves, assim porquê nós, têm sotaque!
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