O restauro de uma morada de 1928 em Belo Horizonte
Last Updated on: 4th fevereiro 2026, 04:48 pm
Essa história faz segmento de uma jornada que sempre sonhamos em fazer. Com o projeto Histórias Brasil Adentro, estamos finalmente na estrada, percorrendo as cinco regiões do país para deslindar e comemorar os múltiplos jeitos de morar que só o Brasil tem. Cada material desta série é uma paragem em procura de casas com psique, que falam sobre pertencimento, memória e identidade. Seja bem-vindo à nossa viagem!
Existe uma força invisível que nos puxa de volta para onde as nossas histórias começaram, já reparou? Maíra e Rafa conhecem muito essa sensação. Ambos nasceram em Belo Horizonte, mas ao longo do tempo sentiram a premência de explorar outros destinos: ele deixou as ruas da Pampulha para trás para testar a vida fora do Brasil; enquanto ela, que cresceu no interno, também buscou sua independência em outras cidades mundo afora. Mas o engraçado da intervalo é que, às vezes, ela serve somente para mostrar onde o nosso coração realmente bate mais possante. Depois de tantas andanças, o retorno para a capital foi uma escolha proveniente e enxurrada de intenção. Cada um à sua maneira, os dois perceberam que o solo mineiro, com todo o seu afeto, era o lugar ideal para projetarem seus sonhos a longo prazo.
Um desses sonhos foi materializado em uma morada de 1928 restaurada com todo o carinho, onde cada mínimo pormenor revela o zelo do par com o espaço que chamam de lar.




O próprio bairro já vem repleto de história: morar em Santa Tereza é porquê viver em uma cidade do interno que, por sorte, fica muito no coração da capital. A vizinhança preserva uma ‘mineiridade’ autêntica, seja pelas construções antigas que ainda resistem ou pelo jeito porquê todos se cumprimentam nas calçadas. A região foi moldada por trabalhadores ligados à rede ferroviária, o que deixou porquê legado um casario charmoso, de graduação humana e fachadas tombadas pelo patrimônio — uma arquitetura que abraça quem passa.
“Cá nasceu o Clube da Esquina, movimento que até hoje define a psique do lugar. É onde estão alguns dos botecos mais tradicionais de BH, porquê o Bar do Orlando, o mais vetusto da cidade, e o Bolão, com seu icônico Rochedão. É um bairro enamorado pela própria identidade”, o par explica.

Quando Maíra e Rafa se depararam com o imóvel onde vivem hoje, a construção do final dos anos 20 já não lembrava muito sua versão original. Ao longo das décadas, a vegetal inicial cresceu com puxadinhos repentista, enquanto a arquitetura perdia seus traços mais característicos para azulejos genéricos e telhas de asbesto. A missão dos dois, logo, não era somente reformar, mas fazer uma verdadeira arqueologia afetiva: um processo que exigiu tempo, investimento, dedicação e bastante pesquisa para trazer à tona a origem que estava escondida ali.


O ponto de partida de todo o projeto foram os elementos originais que haviam seduzido o par desde o princípio, porquê a frontaria conservada, o telhado de telhas francesas e o jardim, com um potencial enorme. Mas, para além desses traços, literalmente cada item inserido durante a obra foi escolhido a dedo, desde os interruptores de estação às louças e azulejos coloridos dos banheiros. “Para nós, a morada tem identidade, assim porquê o bairro. Produzir é, antes de tudo, respeitar esse pretérito. Por isso, o mina foi importante”, eles dizem.
Maíra e Rafa adquiriram a demolição de uma residência de 1926, e reaproveitaram tacos, esquadrias, portas, metais e espelhos. Zero foi deixado ao contingência: a marcenaria novidade foi desenhada sob medida para abraçar as portas de armário resgatadas, os pisos ganharam paginações exclusivas em cada envolvente, e o revestimento em lambril pintado trouxe mais personalidade. Até os revestimentos viajaram de longe, vindos de um ‘cemitério de azulejos’ no interno paulista, para prometer que o reuso e a memória fossem a verdadeira base dessa reforma. Na extensão do jardim dos fundos, o muro com balaústres recuperados é outra solução da qual o par tem bastante orgulho, pois remete à arquitetura original das casas vizinhas.




Em todos os espaços, a decoração é um revérbero da estética pessoal do par, que não teve pavor de abraçar um maximalismo referto de camadas. A paleta contínua de verdes, rosas e beges permite a convívio harmônica de muitos detalhes, objetos e memórias sem sobrecarregar o olhar.
“Nosso paladar pelo mina e pelo vetusto vem do interno, das viagens, da convívio com casas autênticas e do paixão pelas raízes. Somos maximalistas por natureza, na tendência, no design e na vida. Ao longo dos cinco endereços em que já moramos juntos, fomos aprendendo, ganhando crédito e repertório. Cá, o reuso virou também uma escolha ambiental e econômica”, contam.

Mas, para além do visual, a morada foi pensada para o encontro. Com sofás generosos e uma cozinha ocasião, ela é um invitação regular à celebração. Não por contingência, um dos momentos mais queridos do par com a filha Dora é o almoço de sexta-feira, uma tradição herdada da família da moradora.
Para Maíra e Rafa, seu lar reafirma uma identidade abraçada com orgulho. Eles acreditam que ser mineiro é valorizar saberes e tradições que o tempo costuma extinguir, encontrando formosura no que é genuíno. Essa vocação hospitaleira transborda em cada quina, desde a cozinha ocasião que convida ao moca até o fogão a lenha nos fundos. Tudo ali gira em torno do protecção. Depois de desbravar o mundo e voltar para Minas, eles descobriram que o melhor lugar para se estar é aquele que realmente podem invocar de ‘morada’.
Texto por Bruna Lourenço | Coordenação de tarifa por Bruna Lourenço e Dora Campanella | Fotos por Leila Viegas
Produção e Direção Criativa por Bruna Lourenço e Paula Passini
