Estudo aponta novas dinâmicas entre pontes artificiais e mamíferos da floresta
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Na Amazônia e na Mata Atlântica, pesquisas de campo buscam novas formas de compreender o comportamento de mamíferos que dependem da despensa das árvores para se movimentar e sobreviver em tipos diferentes de floresta, uma vez que macacos e preguiças.
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Com o uso de equipamentos fotográficos em pontes artificiais suspensas — cujas cordas, redes e plataformas se entrelaçam às árvores para proteger a vida selvagem —, pesquisadores mapeiam a fauna tanto em florestas contínuas quanto em áreas fragmentadas, trazendo novas interpretações científicas.
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Especialistas que atuam para reduzir riscos de atropelamento e isolamento de espécies em áreas de mata fragmentada dizem que as investigações são cruciais para sublimar a instalação de travessias artificiais em rodovias.
Em toda a Amazônia, a fragmentação da floresta representa uma prenúncio crescente à preservação da fauna. Em nome do desenvolvimento econômico, o progresso do agronegócio e de obras de infraestrutura — uma vez que rodovias, ferrovias, linhas de transmissão e gasodutos — traz consigo diversos riscos. Entre os principais, destacam-se o isolamento populacional de muitas espécies animais e sua eventual morte por atropelamento.
Mamíferos que vivem e se deslocam entre as árvores — uma vez que primatas, preguiças e porcos-espinhos — estão entre os mais afetados por esse confinamento geográfico. Ao mesmo tempo, também são os que menos se beneficiam de iniciativas ambientais mitigadoras, uma vez que a implementação de passagens artificiais.
Diante desse quadro, e dispostos a obter mais informações sobre o comportamento dos animais e seus habitats, os biólogos Justin Santiago e Lindsey Swierk, da Universidade de Binghamton, em Novidade York, viajaram ao coração da Amazônia peruana com um propósito: entender a dinâmica das espécies locais e buscar novidades na relação entre a fauna e as passagens artificiais .
Para isso, os pesquisadores escolheram uma extensão de floresta contínua e instalaram câmeras em pontos estratégicos de um grande sistema de passarelas, cuja estrutura combina redes, cordas grossas e plataformas de diferentes alturas. Entremeados, os objetos formam longos corredores suspensos, que ajudam os animais a se deslocarem da despensa de uma árvore à outra.

Publicada em setembro de 2025, a pesquisa foi realizada na Estação de Campo do Conservatório Amazônico de Estudos Tropicais (ACTS), na Suplente Biológica Napo-Sucusari, uma extensão protegida próxima à cidade peruana de Iquitos, na região de Loreto. Por meio de armadilhas fotográficas, eles registraram durante 21 dias o vaivém de espécies uma vez que a preguiça-real (Choloepus didactylus), o macaco parauacu (Pithecia sp.) e o ouriço-de-cauda longa (Coendou l. longicaudatus), espécie invenção em 2021.
Segundo os cientistas, é importante entender primeiro uma vez que os animais usam as passarelas em áreas de floresta contínua, para portanto adotar medidas que ajudem no deslocamento dessas espécies em regiões de natureza fragmentada, onde há maiores riscos ambientais.
Em entrevista à Mongabay, Justin Santiago reconhece que há “muito a aprender” sobre pontes artificiais. Ao mesmo tempo, exalta a realização de trabalhos científicos focados no uso de novas técnicas para o mapeamento da fauna em diferentes contextos florestais sul-americanos.
“Anteriormente, os estudos eram conduzidos por meio de levantamentos de campo e com o auxílio de escaladores de árvores. A ponte suspensa, assim uma vez que [se mostra útil] para as espécies estudadas, permite que os pesquisadores explorem os comportamentos de uma maneira muito mais eficiente”, disse.
Na visão de Santiago, já é provável notar avanços ao longo do tempo. “Internacionalmente, as pontes suspensas demonstraram sua eficiência em diversos habitats, proporcionando conectividade entre eles, aumentando o fluxo gênico [que mantém as populações geneticamente saudáveis] para espécies ameaçadas e reduzindo a mortalidade em áreas próximas a linhas de transmissão de vigor e rodovias.”

O vaivém dos parauacus
A bióloga Fernanda Abra, profissional em manejo de fauna e pesquisadora pós-doutoral no Núcleo de Conservação e Sustentabilidade do Instituto Smithsonian em Washington, nos Estados Unidos, concorda que o trabalho realizado no Peru pode trazer referências para a instalação de pontes em áreas movimentadas e avanços em novas formas de monitoramento.
Ela também destacou o impacto da pesquisa em áreas de mata intacta — fator que altera o comportamento da fauna —, além de um caso inédito em sua vida profissional: a detecção da travessia dos macacos parauacus, agrupados no estudo por gênero.

“É importante ressaltar que, no estudo deles, o macaco-saki [nome popular pelo qual algumas espécies de parauacu são conhecidas, sendo mais comum no inglês “saki monkey”, como utilizado na pesquisa] foi visto utilizando as pontes. É uma espécie de primata extremamente sensível e que não havia sido observada utilizando estas estruturas artificiais”, disse.
Segundo Abra, apesar dos sistemas suspensos estarem em um envolvente preservado, “também podem revelar coisas importantes” para a ciência, contribuindo diretamente para o trabalho técnico de especialistas em regiões afetadas pela fragmentação florestal.
Não por possibilidade, os ganhos citados são perceptíveis no trabalho da própria pesquisadora, que em 2024 foi a vencedora do Prêmio Whitley, outorgado pela organização britânica Whitley Fund for Nature (WFN) e sabido uma vez que o “Oscar da natureza”. Porquê a Mongabay contou à estação, a premiação reconheceu o trabalho de Abra adiante de pontes de pálio florestal na Terreno Indígena Waimiri-Atroari, que liga as capitais Manaus (Amazonas) e Boa Vista (Roraima) pela polêmica rodovia BR-174.
“O trabalho é interessante e tem aplicabilidade. Hoje, na nossa extensão de mitigação de impacto para a fauna arborícola, tentamos entender coisas muito básicas. Porquê, por exemplo, quais são os designs de pontes artificiais mais adequados para tipos diferentes de locomoção: tem macaco que se desloca por braquiação [de galho em galho], tem macaco que salta e tem macaco que é mais terrestre do que arborícola”, disse.
“Portanto, entender o design da ponte — a fisionomia, o formato e os materiais usados — é fundamental para a gente crescer nesta extensão.”
Os desafios para a reconectar a floresta
Há dois tipos de impactos predominantes sobre as espécies, segundo os especialistas. Um deles é o atropelamento, que desculpa a morte direta de animais que atravessam as vias — um problema com características variadas a depender do bioma, uma vez que explicado nesta outra reportagem.
No entanto, para as espécies arborícolas, o principal impasse reside em um fenômeno da fragmentação florestal: o efeito barreira. Quando ele ocorre, a espécie não se sente incentivada a realizar a travessia de um ponto a outro, o que leva ao seu isolamento — e, consequentemente, a casos de endocruzamento, em que espécies aparentadas cruzam entre si, podendo motivar doenças e declínio da população.

Em entrevista à Mongabay, Abra destacou uma recomendação do Departamento Vernáculo de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que deve transmutar o projeto de pontes de pálio vencedor do Prêmio Whitley em um padrão padrão para o Brasil.
No entanto, segundo ela, os desafios brasileiros seguem presentes, uma vez que o país combina sua vasta biodiversidade de espécies arborícolas com a quarta maior malha rodoviária do planeta — mais de 1,7 milhão de quilômetros de estradas e rodovias, segundo a Confederação Vernáculo do Transporte (CNT).
“Vários primatas amazônicos e da Mata Atlântica — uma vez que o muriqui, o macaco-aranha e o macaco-barrigudo — dificilmente desceriam da árvore para galgar uma rodovia. E as pontes artificiais de pálio se tornam uma solução. Elas são simples, replicáveis, efetivas e de ordinário dispêndio quando comparadas ao valor de outras medidas — uma vez que uma passagem subalterno de fauna ou um viaduto vegetado”, disse Abra.
Outros estudos trilham o mesmo caminho. Um deles é fruto do trabalho de doutorado da rabino em Ecologia Ana Rubia Rossi, da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). Publicada em outubro de 2022 e desenvolvida sob a orientação de Abra, a pesquisa vem ajudando a salvar a vida de primatas endêmicos e ameaçados de extinção na região de Ilhéus, no sul da Bahia.
O estudo se desenvolve na rodovia estadual BA-262, conhecida uma vez que Estrada do Chocolate por ser extensão de cultivo de cacau. Nessa região, o trabalho de campo criou um recenseamento de registros sonoros e visuais, possibilitando o monitoramento e a instalação de pontes de pálio para espécies endêmicas uma vez que o sagui-de-wied (Callithrix kuhlii) e o mico-leão-de-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas).

Em 2021, Rossi identificou mais de cinquenta pontos de conexão proveniente de pálio no curso de 48 quilômetros da BA-262, uma região preservada de Mata Atlântica que conta com o manejo ambiental de sistemas agroflorestais, uma vez que as cabrucas. Nesse trecho do bioma, há baixos registros de atropelamentos de animais arborícolas.
O cenário, no entanto, pode mudar em breve. Pouco a pouco, a rodovia se torna uma das principais rotas de aproximação a um novo porto em construção na região de Ilhéus, o que tem levado a transformações no traçado da estrada, além da remodelação da risco de vigor elétrica que a margeia.
Segundo os especialistas, as consequências já são notáveis — o que torna urgente a instalação de novas estruturas suspensas. “Eu estava esperando o financiamento para novas pontes quando vi dois machos de mico-leão atropelados em dias seguidos. E pensei: não dá mais para esperar, preciso fazer alguma coisa agora, mesmo com poucos recursos. Assim, nós instalamos cordas em correntes, ligando diretamente as árvores em seis locais onde estávamos assistindo aos bichos morrendo”, disse Rossi.
Para sua surpresa e consolação, exclusivamente onze dias em seguida adotar a medida provisória, já foi provável observar primatas utilizando o recurso. “É um recorde”, celebrou.
“Meu trabalho precisa ter respaldo social. E a burocracia para liberar a instalação de estruturas fixas na rodovia é a [parte] mais difícil. Porquê eu sei as rotas dos animais arborícolas, a teoria de usar cordas ligando uma árvore à outra foi a grande sacada — e uma medida mais rápida. Por isso, chamei meu projeto de ‘Pontes para a Conservação’. Preciso fazer pontes para além da instalação delas em si; preciso fazer pontes com as pessoas”, concluiu Rossi.
Em parceria com indígenas, projeto constrói pontes na Amazônia para salvar primatas
Imagem do banner: Bugios utilizando ponte sintético no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, em São Paulo. Foto: Semil/divulgação.
Edição: Lucas Berti.