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Desmatamento da Amazônia custa mais de US$ 1 bilhão por ano na conta de luz dos brasileiros

Desmatamento da Amazônia custa mais de US$ 1 bilhão por ano na conta de luz dos brasileiros

O debate sobre a Amazônia costuma remoinhar em torno de biodiversidade, emissões de carbono e compromissos climáticos internacionais. Tudo isso é fundamental. Existe, mas, uma dimensão menos evidente, apesar de afetar diretamente o bolso do brasílio: a floresta interfere diretamente no preço da vontade elétrica. Um estudo da Rede de Pesquisa e Produtividade (Rede PP&S) revelou que todo o desmatamento das últimas quatro décadas custou aos consumidores brasileiros mais de US$ 1 bilhão por ano na conta de luz. 

A matriz elétrica brasileira é uma das mais renováveis do mundo, com mais de 80% da geração proveniente de fontes limpas. Boa secção dessa vantagem competitiva vem da hidreletricidade. O que nem sempre se destaca é que metade da vontade produzida no país depende de chuvas influenciadas pela Amazônia. A floresta funciona uma vez que um vasto sistema de reciclagem de umidade. Pela evapotranspiração, libera vapor d’chuva que os “rios voadores” conduzem ao Meio-Oeste, Sudeste e Sul. Ali estão as principais bacias hidrográficas e usinas do país.

Quando a floresta perde cobertura, esse mecanismo enfraquece. A redução da evapotranspiração altera os fluxos atmosféricos e diminui a precipitação em áreas-chave para a geração hidrelétrica. Não se trata de uma hipótese abstrata. O estudo “Virilidade das florestas: Os custos sociais do desmatamento para o setor energético brasílio” estimou que, se o desmatamento amontoado desde 1985 tivesse sido evitado, a geração hidrelétrica brasileira poderia ser, hoje, murado de 12,8 TWh maior por ano. Em termos percentuais, parece pouco, um pouco em torno de 2% da geração média. Mas, no sistema elétrico brasílio, isso faz diferença. Quando a geração hidrelétrica cai, as usinas térmicas, que são mais caras, precisam ser acionadas para atender à demanda. Porquê elas costumam definir o preço da vontade, esta ingresso eleva o dispêndio para todo o mercado. O resultado aparece no bolso do consumidor.

As estimativas indicam que, se o desmatamento tivesse sido evitado nas últimas quatro décadas, os ganhos líquidos de bem-estar seriam expressivos. O impacto poderia inferir US$ 1,1 bilhão por ano para a sociedade brasileira. Desse totalidade, a folga no bolso dos consumidores chegaria a respeito de US$ 920 milhões, via preços mais baixos. Ou por outra, a maior sujeição de térmicas implica emissões adicionais, com um dispêndio social estimado em até US$ 175 milhões por ano. Ou seja, o desmatamento gera uma conta dupla: vontade mais faceta e mais carbono na atmosfera.

As imensas correntes de vapor de chuva são responsáveis também pelo estabilidade, ou desequilíbrio, das chuvas nas cidades. Crédito: Tiago Latesta – Projeto Brasil das Águas.

Há ainda um paisagem institucionalmente quebradiço. A escassez hídrica não afeta todos da mesma maneira. Geradores térmicos podem se beneficiar do aumento do despacho e de preços mais altos. Segmento dos produtores hidrelétricos também pode tomar ganhos via efeito-preço, mesmo com menor geração. Enquanto isso, consumidores arcam com tarifas maiores. O sistema, portanto, pode produzir ganhos privados coexistindo com perdas sociais líquidas. Nascente é um desalinhamento que raramente entra no debate público.

Outro ponto mediano é que a Amazônia não tem o mesmo peso energético em todo o território. Do ponto de vista da geração hidrelétrica, a relevância está concentrada em áreas específicas, sobretudo ao longo do roda do desmatamento, justamente onde a pressão sobre a floresta é maior. O estudo mostra que, embora seja provável dividir a Amazônia em cinco regiões de igual valor econômico para o setor, essas áreas variam significativamente em tamanho. Isso revela que pequenas porções do bioma têm um papel decisivo para a segurança energética do país. Proteger somente 3,3% da floresta em pontos estratégicos poderia preservar murado de US$ 23 bilhões em valor associado à geração elétrica. O Parque Indígena do Xingu, por exemplo, responde sozinho por aproximadamente US$ 5 bilhões nesse operação.

Esses números deveriam reposicionar o debate. A conservação florestal não é somente uma agenda ambiental ou climática. É política energética, de competitividade e de redução de dispêndio sistêmico. Planejar o porvir do setor elétrico, sem integrar a dinâmica do uso da terreno, significa ignorar um determinante estrutural da oferta.

O Brasil costuma se orgulhar da matriz limpa, e com razão. Mas essa vantagem depende de segurança hidrológica. Ao enfraquecer a floresta, o país compromete não somente a meta climática, mas a previsibilidade de preços, segurança energética e atratividade para investimentos intensivos em eletricidade.

A Amazônia não é somente um bioma distante. Ela funciona uma vez que uma infraestrutura procedente que sustenta a produção de vontade no país. Reconhecer esse papel exige mudar a forma uma vez que a floresta é tratada nas políticas públicas e nas decisões econômicas. Se a Amazônia integra a infraestrutura do sistema elétrico, a conservação florestal precisa fazer secção do operação estratégico do setor energético. Empresas e planejadores devem tratá-la uma vez que um componente de segurança operacional, assim uma vez que tratam reservatórios, linhas de transmissão ou usinas.

Da mesma forma, o país precisa tratar a floresta uma vez que um ativo estratégico vernáculo. Assim uma vez que o Brasil investe na manutenção de rodovias, portos, aeroportos e redes elétricas, também deveria investir na proteção da infraestrutura procedente que sustenta o regime de chuvas e, por consequência, a produção de vontade. Cuidar da floresta não é somente uma política ambiental, é uma política de infraestrutura, forçoso para prometer vontade mais inabalável, barata e limpa para o porvir do país.

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