Da revolução dos carros elétricos à revolução no campo
Já entendemos que estamos vivendo uma transição acelerada do mercado de veículos a esbraseamento para os elétricos. Se você já não tem um coche elétrico agora, talvez o seu próximo protótipo seja de vincular na tomada. Uma volta de coche pela cidade, das capitais até no interno do Brasil, é o suficiente para perceber: são cada vez mais os modelos elétricos e híbridos que dominam o asfalto, levando na lataria nomes de marcas chinesas difíceis de pronunciar. Até pouco tempo desconhecidas por cá, hoje competem diretamente com Volkswagen, Chevrolet, Toyota e General Motors. Essa transição para os elétricos também está acontecendo para os ônibus urbanos. E começando com os caminhões pequenos e médios das cidades. Tudo isso abrindo espaço no Brasil – e no resto do mundo – para marcas chinesas.
Esse espaço conquistado não é contingência, reflete, antes, uma disputa industrial que a China começou a edificar há mais de uma dezena detrás, quando apostar em veículos elétricos ainda parecia, para boa secção do setor, uma escolha prematura e aventureira.Enquanto montadoras tradicionais seguiam otimizando o motor a esbraseamento, o governo chinês tratou o elétrico uma vez que prioridade de Estado: subsídios de longo prazo, investimento pesado em cárcere de baterias, exigência regulatória que forçou graduação de produção e uma política industrial que tratava o coche elétrico uma vez que a próxima geração do resultado. O resultado do posicionamento visionário está nas ruas do mundo inteiro. Um coche elétrico chinês compete em preço com o coche a esbraseamento, e ainda escapa da variável mais instável do orçamento de qualquer motorista: o preço do combustível, refém permanente de conflitos, sanções e decisões geopolíticas que ninguém no posto de gasolina controla. É esse o resultado quando um país entende, antes dos concorrentes, que uma mudança de fundo está em curso e decide liderá-la.
Uma transição acelerada disruptiva pode estar começando a suceder na lavradio. Assim uma vez que ocorreu com a revolução no mercado automobilístico, a novidade revolução no campo também é uma combinação de ofertas tecnológicas, configurações econômicas, mudanças geopolíticas e necessidades ambientais. Podemos estar diante de uma novidade revolução virente, para uma lavradio sustentável ou regenerativa.
Ao indagar o mercado e as lavouras, há, cada vez mais, sinais claros de que caminhamos para uma transição comparável. Há alguns anos nota-se uma exigência maior do mercado com a origem dos vitualhas. Consumidores e países relevantes buscam mais rastreabilidade e origem livre de desmatamento. A União Europeia já regulamenta essa exigência por lei. Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos puxam os investimentos para incorporação de critérios ambientais na estudo de risco de crédito rústico e oferecimento de seguros. Os próprios resultados produtivos, direto da lavoura, chamam atenção e apontam para urgência de transição para sistemas de cultivo sustentáveis. A ciência do solo avança em torno de manejo regenerativo, sequestro de carbono e sistemas agroflorestais com dados que mostram aumento da produtividade, subtracção de perdas, resiliência climática e economia com insumos.
Em conjunto, esses sinais apontam para uma direção difícil de ignorar: o movimento de transição existe e já começou. Há, no entanto, tempo de liderá-lo. E o Brasil pode tomar esse posto.
Ao falarmos de lavradio, estamos diante de um país que já é uma das maiores potências agrícolas do planeta. Detemos conhecimento técnico consolidado, capacidade produtiva em graduação, inconstância de biomas e sistemas produtivos e uma quantidade crescente de produtores que já estão construindo, em diferentes regiões e cultivos, a prova de que, em estação de eventos climáticos extremos, a produção competitiva e segura encontra-se necessariamente na regeneração ambiental.
O erro, no entanto, seria tratar a lavradio regenerativa uma vez que um nicho, um braço do agro tradicional, restrito unicamente a produtores de pequena graduação ou a um segmento de consumidores dispostos a remunerar mais por um resultado com apelo ambiental. Essa leitura simplista é a mesma que, na indústria automotiva, tratou por anos o coche elétrico uma vez que curiosidade de nicho, até ele se tornar concorrente direto de preço e desempenho. O agro brasílico tem hoje a oportunidade de evitar esse erro e reconhecer que a lavradio regenerativa é o próximo passo – ou nas palavras do agro: a próxima fronteira – do setor. Antes que a transição seja imposta de fora para dentro por regulação europeia, exigência de fundos internacionais ou barreira mercantil, é necessário entender que esse é um caminho posto e que ele pode ser destapado de dentro para fora, a partir da capacidade produtiva que o país já tem.
Mas para isso a compreensão do produtor unicamente não basta. É preciso investimento coordenado em pesquisa e extensão técnica voltada a manejo regenerativo, prioridade na liberação linhas de crédito rústico e seguros e condições diferenciadas de aproximação à mercado. É a mesma lógica que levou a China a subsidiar baterias, exigir graduação de fabricantes e edificar, em uma dezena, uma cárcere produtiva capaz de dominar um mercado que ela não liderava.
É justamente essa transformação que a FERA, Frente Empresarial para a Regeneração da Lavoura, procura apressar. Com uma rede que reúne tapume de 14 milénio produtores em todo o Brasil, a FERA lançou a campanha “A Próxima Safra do Agro é Regenerativa”, colocando no núcleo dessa discussão quem já está fazendo a mudança suceder: produtores que transformaram seus sistemas de produção e estão colhendo os resultados dessa decisão. São histórias reais de aumento de produtividade, maior eficiência, redução de riscos e fortalecimento da capacidade produtiva das propriedades. Os dados e as experiências que começam a se aglomerar mostram que existe um terreno fértil para que o setor invista nessa transformação e colha com riqueza.
O Brasil já é uma potência agrícola. Agora é preciso liderar essa transformação e posicionar a lavradio regenerativa uma vez que a grande vantagem competitiva do agro brasílico.
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