Os Longwood Gardens de Filadélfia
Entre a evocação de Versalhes, a exuberância tropical e a monumentalidade das fontes, os Longwood Gardens revelam-se uma sucessão surpreendente de paisagens. Uma visitante feita com suspeição, mas terminada com uma rendida assombro.
Um “segundo Versalhes”?
Numa estadia de duas semanas entre Boston e Filadélfia leste verão, não resistia visitar os Longwood Gardens, que todos os amigos locais gabavam, tentando aliciar-me com promessas de que iria ver “um segundo Versalhes”. E lá fui, com alguma suspeição dos exageros dos americanos, que acham sempre que tudo têm melhor, maior e mais rico.
Melhor que Versalhes não é, mas tenho de revelar que fiquei meia pasmada com a espetacularidade deste jardim. Tem de tudo, bosques, prados, maravilhosos canteiros, várias estufas descomunais, fontes, lagos, uns cenários à la Le Nôtre que lembram Vaux-le-Vicomte e os jardins formais franceses, e até um jardim, o Cascade Garden, que foi desenhado por Burle Marx.

445 Hectares de jardins e cenários
São 445 hectares de superfície imaculadamente mantida, graças à gestão perfeccionista da instalação agora proprietária. Por 25 US$, entra-se num paraíso que morosidade umas três horas a percorrer. Isto, se se quer satisfazer os muro de seis quilómetros para uma visitante completa. Coisa que fiz.
Visitar o jardim é porquê passar de cenário em cenário, todos diferentes uns dos outros. Passamos de arranjos naturalistas a outros formais e terminamos na tropicalidade de três estufas monumentais.
Treze milénio e quinhentas variedades de vegetação ornamentam pavimentos muito marcados, de piso fácil, porquê convém a um jardim público, o que facilita a movimento de mais de um milhão de visitantes por ano.


O legado de Pierre S. Du Pont
O jardim só foi cândido ao público em 1921, embora tenha uma história que remonta a meados do século XVIII e tenha pretérito pela mão de vários proprietários. O último dos quais foi Pierre S. Du Pont, um business man e filantropo de grande prestígio sítio que foi o grande impulsionador deste magnífico espaço. Para manterem o jardim vivo para fruição dos habitantes locais, são permanentemente organizados concertos, performances, conferências, workshops e cursos. Para isso há espaços próprios desde palcos exteriores a salas e auditórios no prédio.

Uma sublimidade difícil de ignorar
No final duma visitante que levou algumas horas, terminei com um belo almoço num restaurante envidraçado de onde se avistavam fontes das quais volume e fundura da chuva nunca vi replicados a tempo inteiro na nossa Europa.
À saída, a inevitável loja, enorme, enxurro de irresistível merchandising, vegetação, livros, utensílios de jardim, onde um visitante embasbacado porquê eu lá deixa mais um punhado de dólares com a desculpa de tudo ser indispensável para o “nosso” jardim.
Por muito que se critique política, políticos, comportamentos pouco “civilizados”, atitudes displicentes, etc., a verdade é que os americanos, o que fazem, fazem muito. Inclusive, invejei a minuciosa manutenção do jardim, a limpeza, a qualidade do restaurante, a dimensão da loja.
Embora os Longwood Gardens não sejam o tipo de jardim de que eu sabor, oferecido parecerem mais uma montra de estilos diversos e tudo ser muito geométrico, não posso deixar de fazer uma vénia de assombro por tanta sublimidade. Chapeau!
Leia também:
Ritsurin: uma visão do paraíso