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Selado perdeu quase 14 milhões de hectares de vegetação nas margens de rios desde 1985

Selado perdeu quase 14 milhões de hectares de vegetação nas margens de rios desde 1985

As margens dos rios são áreas prioritárias para conservação. Não à toa, são determinadas, por lei, uma vez que Áreas de Preservação Permanente (APPs). Ainda assim, no Selado, perdeu-se 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa em até 500 metros de rios e cursos d’chuva entre 1985 e 2025. Essa extensão, equivalente a mais de três vezes o estado do Rio de Janeiro, representa 26,9% do totalidade perdido no bioma no período. Os dados fazem secção de novo levantamento do MapBiomas divulgado nesta quinta-feira (8).

Numa fita mais próxima aos cursos d’chuva, de até 30 metros, a perda de superfície de vegetação nativa foi de 13,9% no mesmo período. E, em 2025, a pastagem e cultura, juntas, ocupavam já quase um quinto (18,2%) dessas zonas de mata ciliar.

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“A vegetação próxima aos rios ajuda a proteger o solo, reduzir a erosão e evitar que sedimentos cheguem aos cursos d’chuva. A redução dessa cobertura pode aumentar o assoreamento, afetar a qualidade e a disponibilidade da chuva e deixar a paisagem mais vulnerável a eventos climáticos extremos, uma vez que secas e chuvas intensas”, explica Bárbara Costa, crítico de pesquisa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e integrante da equipe Selado do MapBiomas.

A estudo incluiu todos os rios e cursos d’chuva mapeados, independente da largura, para entender onde a vegetação nativa dessas margens foi perdida, quais usos passaram a ocupar essas áreas e o que mudou ao longo desse pausa de 41 anos.

O também pesquisador do IPAM, Dhemerson Conciani, reforça que esses dados são fundamentais para entender a situação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e das matas ciliares. “Fornecendo subsídios valiosos para orientar políticas de conservação dos recursos hídricos e potencializar a construção de corredores ecológicos em cada bacia”, completa o pesquisador, integrante da equipe do Selado no MapBiomas.

No Selado nascem rios de seis grandes bacias hidrográficas do país, o que justifica a epíteto de “causa das águas” ao bioma. As bacias hidrográficas do Elevado Tocantins e Araguaia são as que sofreram as maiores perdas de vegetação nativa nas margens dos rios, concentrando 41% de toda a redução.

Enquanto no Elevado Tocantins a vegetação nativa a até 500 metros dos cursos d’chuva encolheu de 9,7 milhões para 6,8 milhões de hectares; no Araguaia a cobertura vegetal reduziu de 7,8 milhões para 5,1 milhões de hectares.

Matopiba concentra desmatamento do Selado

O levantamento do MapBiomas olhou ainda para a situação uma vez que um todo no Selado. De tratado com os dados, a perda totalidade de vegetação nativa no bioma foi de 51,7 milhões (34%) de hectares entre 1985 e 2025. No ano pretérito, restava menos da metade da extensão original do Selado (49,6%) com vegetação nativa.

Em contraponto, a superfície de agropecuária cresceu 110% no mesmo período e, em 2025, já ocupava praticamente metade do território original do bioma (48,9%), ou 97,9 milhões de hectares – maior que todo o estado de Mato Grosso.

O desmatamento da savana mais biodiversa do planeta foi puxado justamente pelos estados do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), por onde expande-se a fronteira agropecuária. Na última dezena, entre 2015 e 2025, os quatro estados concentraram 66% do desmatamento no bioma, predominantemente convertidos para a cultura.

Em 2025, o Selado concentrava quase metade (49,2%) da superfície de soja em todo o Brasil. No mesmo ano, 301 municípios deixaram de ter soberania de vegetação nativa em seus territórios.

Somente seis dos 13 estados com superfície no Selado mantêm mais da metade de sua cobertura original do bioma coberta por vegetação nativa. O Piauí é o líder, com 78,2% da sua cobertura original de Selado, e São Paulo o lanterna, com unicamente 14,7%.

As áreas protegidas ou de uso coletivo, que incluem terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação, ocupam 7,5% do Selado e reúnem 13,9% de sua vegetação nativa em 2025. Nelas, a perda desde 1985 foi de 500 milénio hectares.

Os dados fazem secção da Coleção 11 do MapBiomas de mapas anuais de cobertura e uso da terreno no Brasil de 1985 a 2025.

Oriente teor faz secção do projeto Selado em Tarifa, com pedestal do CEPF Selado

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Dependência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, da União Europeia, da Instalação Franklinia, da Instalação Hans Wilsdorf, do Fundo Global para o Meio Envolvente, do Governo do Canadá, do Governo do Japão, da Instalação Hempel, The Nature Conservancy e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é prometer que a sociedade social esteja envolvida com a conservação da biodiversidade. 

O Instituto Internacional de Instrução do Brasil (IEB) atua uma vez que a Equipe de Implementação Regional do CEPF. A missão do IEB é fortalecer os atores sociais e o seu protagonismo na construção de uma sociedade justa e sustentável, por meio de formação de pessoas, fortalecimento e pronunciação de instituições e grupos comunitários, e geração e disseminação de conhecimentos

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