Narciso (Narcissus spp.) – Revista Jardins
O narciso anuncia a primavera quando o jardim ainda parece viver em modo de inverno. Entre folhas estreitas e verdes levantam-se flores luminosas, frequentemente amarelas ou brancas, porquê pequenas lâmpadas acesas nos dias mais curtos, têm ainda a particularidade de serem muito perfumadas. Impactam o espaço não unicamente com a flor mas também com o cheiro. É também uma das vegetais bolbosas mais fáceis de integrar num jardim e, quando encontra boas condições, pode revir e multiplicar-se durante muitos anos.
Características
Chamamos narciso às vegetais do género botânico Narcissus, pertencente à família Amaryllidaceae. O género é reconhecido botanicamente e possui uma ampla distribuição proveniente, que inclui Portugal e outras regiões da Europa, Setentrião de África e Ásia.
O narciso é uma vegetal herbácea perene que atravessa secção do ano em repouso sob a forma de bolbo subterrâneo. Quando chega o momento patente, deste pequeno reservatório de pujança emergem folhas lineares e hastes florais que podem sustentar uma ou várias flores, dependendo da espécie e do grupo a que pertencem.
A flor é inconfundível. À volta encontram-se seis tépalas — estruturas semelhantes a pétalas — e, no núcleo, uma diadema ou corona que pode apresentar a forma de taça, argola ou longa trombeta. É precisamente esta arquitetura que dá ao narciso o seu jaez tão reconhecível. Amarelo e branco são as cores clássicas, mas existem cultivares com tonalidades creme, laranja, salmão e combinações bicolores.
Também o porte varia bastante. Existem narcisos compactos, particularmente adequados a vasos e jardins de pedra, e outros mais altos, capazes de produzir manchas de grande impacto no jardim. Algumas variedades são ainda intensamente perfumadas.
A maioria floresce entre o final do inverno e a primavera, embora a quadra possa variar segundo a espécie, o cultivar e as condições climáticas. Esta flutuação permite prolongar bastante a presença do narciso no jardim, combinando variedades precoces com outras de floração mais tardia.


Utilização
Poucas bolbosas conseguem parecer tão naturais e, simultaneamente, tão elegantes. O narciso funciona muito muito em grupos, porque a repetição das flores reforça o efeito visual sem tornar a elaboração pesada.
Em canteiros e bordaduras pode ser combinado com outras vegetais de floração primaveril ou posto entre herbáceas perenes, que mais tarde esconderão a sua ramaria enquanto esta entra em senescência. Em vasos e floreiras, grupos densos de narcisos criam composições particularmente luminosas para varandas, terraços e entradas.
Outra utilização muito interessante é a naturalização em relvados, prados ou sob árvores e arbustos de folha velha. Uma vez instalados, os bolbos podem permanecer no terreno e formar progressivamente colónias maiores..
Para um jardim de aspeto mais natural, vale a pena evitar linhas excessivo rígidas. Espalhar os bolbos suavemente sobre o terreno e plantá-los onde caírem costuma produzir uma elaboração mais suasivo: a natureza raramente anda com régua.
Condições de cultivo
A melhor quadra para plantar narcisos é o outono, permitindo que os bolbos desenvolvam raízes antes do período de floração. Devem escolher-se bolbos firmes, saudáveis e sem zonas moles ou sinais de podridão.
O narciso prefere solos férteis, mas sobretudo muito drenados. O encharcamento persistente é um dos seus principais inimigos, uma vez que favorece o putrefacção dos bolbos. Desenvolve-se muito ao sol ou numa meia-sombra clara, evitando locais permanentemente escuros.
Uma vez que regra prática, plante cada bolbo a uma profundidade aproximadamente equivalente a no mínimo duas vezes a sua profundeza, com a extremidade pontiaguda voltada para cima. Depois da plantação, regue para acomodar a terreno em volta do bolbo.
Em vaso, é indispensável utilizar um recipiente com orifícios de drenagem e um substrato que não permaneça saturado. Para uma exposição temporária podem plantar-se os bolbos mais próximos uns dos outros, obtendo uma floração profuso e concentrada.

Manutenção
Depois de instalado, o narciso é uma vegetal pouco exigente. No solo, a chuva da chuva é frequentemente suficiente durante o período de desenvolvimento, sendo necessária rega complementar sobretudo em períodos prolongados de seca. Em vasos, deve vigiar-se a humidade com maior atenção, porque o substrato seca mais depressa.
Depois da floração, podem retirar-se as flores murchas para evitar que a vegetal gaste pujança na produção de sementes. Há, porém, uma regra que merece ser escrita em letras grandes: não namoro as folhas ainda verdes.
É através dessas folhas que o narciso continua a realizar fotossíntese e a reconstruir as reservas do bolbo que alimentarão a floração do ano seguinte. Deve deixar a ramaria amarelecer e secar naturalmente, o que normalmente acontece várias semanas depois da floração. Cortá-la excessivo cedo pode resultar em menos flores na primavera seguinte.
Com o passar dos anos, os tufos podem tornar-se excessivo densos e iniciar a florir menos. Nessa profundeza, os bolbos podem ser levantados e separados quando a ramaria estiver a desvanecer, replantando os bolbilhos noutros locais. É a forma mais simples de propagar o narciso e, simultaneamente, renovar as plantações.
Pragas e doenças
Os narcisos são geralmente resistentes, mas não estão livres de problemas. Lesmas e caracóis podem danificar folhas e flores, sobretudo durante períodos húmidos. Entre as pragas mais específicas encontra-se a mosca-do-bolbo-do-narciso (Merodon equestris), cujas larvas podem penetrar no bolbo e destruir os tecidos interiores. Utilizar bolbos firmes e provenientes de fornecedores de crédito reduz o risco de introduzir problemas no jardim.
Uma das doenças mais importantes é a podridão basal do narciso, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. narcissi. Pode provocar putrefacção do bolbo, amarelecimento precoce da ramaria, perda de vigor e carência de floração. Boa drenagem, bolbos saudáveis e eliminação dos exemplares afetados são medidas fundamentais de prevenção.
Também podem ocorrer viroses, reconhecíveis por estrias amarelas nas folhas, deformações e esgotamento progressivo das vegetais. Não existe tratamento curativo para vegetais infetadas por vírus, pelo que os exemplares suspeitos devem ser eliminados para limitar a propagação.
Curiosidades sobre o narciso
O nome Narcissus está tradicionalmente associado ao mito helênico de Narciso, o jovem que se enamorou da própria imagem refletida na chuva. A flor ligeiramente inclinada foi, ao longo dos séculos, imaginada porquê o próprio Narciso contemplando o seu revérbero.
Portugal faz secção da superfície de distribuição proveniente do género e possui narcisos espontâneos de privado interesse botânico. Narcissus jonquilla, por exemplo, é uma espécie nativa do Sul e Leste de Portugal e de regiões de Espanha.
Há ainda uma sobreaviso importante: apesar da semblante delicada, o narciso não é uma vegetal comestível. Todas as partes contêm substâncias tóxicas, encontrando-se no bolbo uma concentração particularmente elevada de licorina. A ingestão pode provocar náuseas, vómitos, dores abdominais e diarreia, e o contacto frequente com a suco pode fomentar irritação cutânea em pessoas sensíveis. Convém, por isso, não confundir os bolbos com cebolas e mantê-los afastados de víveres.
Talvez seja precisamente esse contraste que torna o narciso tão fascinante: guarda-se discretamente debaixo da terreno durante meses para, quando quase ninguém espera, levantar uma flor em direção à luz. No jardim, poucos anúncios da primavera são tão simples — ou tão convincentes.
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