Amazônia perdeu 690 milénio árvores por dia a mais com Bolsonaro do que com Lula
O desmatamento na Amazônia voltou a tombar no terceiro procuração de Lula (2023 a 2026), depois de quatro anos de subida durante o governo Jair Bolsonaro (2019 a 2022). Em média, a Amazônia perdeu 690 milénio árvores a menos por dia sob Lula 3 do que durante o governo de Jair Bolsonaro.
Esse número é resultado de uma estudo da InfoAmazonia com base nos dados do Prodes, sistema de monitoramento do Instituto Pátrio de Pesquisas Espaciais (Inpe) que gera a taxa solene de desmatamento. Para chegar à estimativa, calculamos o número de árvores derrubadas nos dois governos a partir da dimensão desmatada e multiplicamos pela média de 565 árvores por hectare de floresta na Bacia Amazônica, metodologia desenvolvida pelo PlenaMata, com base em estudo publicado por mais de 100 cientistas. Em seguida, dividimos o totalidade de árvores estimado pelo número de dias de cada período para chegar à média diária.
Em dimensão desmatada, os números contam a mesma história: nos dois primeiros governos Lula, a taxa caiu 62%; durante o governo Bolsonaro, subiu 54%; e, no terceiro procuração de Lula, já caiu 51%, em conferência a 2022.
Uma política interrompida
Para entender a preço da manutenção da atual política de combate ao desmatamento, vale voltar no tempo. Em 2002, quando Lula assumiu pela primeira vez a Presidência, recebeu uma Amazônia com a maior taxa de desmatamento já registrada neste século, de 27,7 milénio km². Foi nesse contexto que começou a estruturação do Projecto de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legítimo (PPCDAm), que mudou a história da gestão ambiental do país.
No terceiro procuração, Lula reduz desmatamento em 51% e pode registrar menor taxa da história
A dimensão desmatada de 2026 ainda é preparatório, mas os alertas do Paralisar indicam que a taxa pode permanecer inferior do menor índice já registrado pelo Prodes, em 2012. Passe o mouse sobre as barras para verificar a dimensão desmatada em cada ano.

Da geração do PPCDAm, em 2004, até 2012, quando a Amazônia registrou a menor taxa da série histórica do Prodes, de 4.571 km², a queda no desmatamento registrada foi de 83%. Nesse período, uma série de medidas foi implementada, entre elas a geração de Unidades de Conservação e Terras Indígenas, o fortalecimento dos órgãos de fiscalização, uma vez que o Instituto Brasiliano do Meio Envolvente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e investimentos em monitoramento.
Entre 2012 e 2018, em meio às turbulências do impeachment de Dilma Rousseff e a chegada de Temer, a perda de floresta voltou a subir, mas ainda de forma controlada — 2016 foi o pior ano do período, com 7,8 milénio km² de desmatamento.
Em 2019, Jair Bolsonaro assumiu e, em abril, o PPCDam foi interrompido e formalmente extinto. A novidade gestão concentrou esforços na geração do Juízo Pátrio da Amazônia Legítimo, que priorizava o uso das Forças Armadas por meio de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para o combate a incêndios e crimes ambientais.
À estação, especialistas passaram a questionar o papel do Tropa na realização do trabalho originalmente realizado pelo Ibama e pelo ICMBio, órgãos que detêm um grande conhecimento de campo e o objetivo de proteger a floresta e os povos tradicionais.
Em seguida, entre os anos de 2019 e 2022, a taxa voltou a crescer: uma subida de 53% em conferência com 2018, atingindo 11,5 milénio km². E é logo que Lula recebeu, mais uma vez, a gestão para proteger a maior floresta tropical do mundo.
A segunda grande queda
A novidade tempo do PPCDAm, lançada no primeiro ano do terceiro procuração de Lula, em 2023, estabeleceu uma meta mais ambiciosa: zerar o desmatamento proibido até 2030.
Para atingir esse objetivo, uma proposta do Projecto Setorial de Lavoura e Pecuária, analisada em estudo do Imazon, estima em 703 km² a dimensão de desmatamento lícito que poderia ocorrer em 2030, considerando a redução prevista a partir da taxa de 2022.
O resultado destas eleições pode ordenar se essa meta será alcançada e quando. Se a Amazônia mantiver a média de redução registrada entre 2023 e 2025 no governo Lula – 1.954 km² por ano –, a taxa de desmatamento chegaria ao patamar de 703 km² por ano em 2028. Se mantiver exclusivamente o ritmo de redução registrado no último ano – 787 km²–, esse patamar seria obtido em 2032.

Há, ainda, um segundo e fundamental ponto: o queimação. Em meio a um ano de El Niño, com possibilidade de uma seca histórica na Amazônia, uma taxa reduzida de desmatamento se torna uma das medidas mais eficientes para a redução de danos. Em 20 dias de setembro, o número de focos detectados pelo Inpe está muito inferior da média histórica de 25 milénio focos de calor para o mesmo período: não chega a 8 milénio.
“Na Amazônia e no Nordeste, a assinatura do El Niño é de seca prolongada. Quando ocorrem simultaneamente ondas de calor e secas, o risco de incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal dispara vertiginosamente”, explica José Marengo, climatologista e coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Meio Pátrio de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
No Brasil, as queimadas estão diretamente ligadas ao desmatamento. Com a redução de um, há a redução do outro, evitando que o El Niño tenha um combustível a mais para afetar as comunidades amazônidas.