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Estudo revela  impacto da poluição do ar nas árvores da Mata Atlântica paulista

Estudo revela  impacto da poluição do ar nas árvores da Mata Atlântica paulista

Um cenário muito divulgado das grandes cidades é o trânsito intenso e a fumaça industrial. Essas cenas urbanas, tão presentes no imaginário coletivo e tão comuns no cotidiano de milhões de pessoas, são as principais fontes de poluição do ar. Os efeitos dessa contaminação na saúde humana, por exemplo, incluem doenças respiratórias e cardiovasculares, que afetam principalmente crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Porém, não são somente os humanos que sentem os impactos dessa poluição; as vegetais também absorvem essas toxinas e oferecem importantes informações sobre a qualidade do ar dos locais que habitam.

Para compreender esta situação, um grupo de pesquisadores do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) de São Paulo investigou árvores nativas da Mata Atlântica e avaliou a resistência delas à poluição do ar. O estudo mediu a capacidade de murado de 350 árvores da Suplente da Biosfera do Cinturão Verdejante de São Paulo (RBCV-SP) de aglomerar toxinas e revelou que as vegetais têm sido intensamente contaminadas por poluentes gerados pela ação humana.

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“O veste desses organismos responderem de maneira integrada ao estresse ambiental permite calcular não somente o acúmulo de um determinado poluente, mas também uma vez que a vegetal responde ao conjunto de condições ambientais às quais está exposta. Aliás, o biomonitoramento pode simbolizar uma opção mais atingível em relação aos métodos de monitoramento físico-químico tradicionalmente utilizados pelas agências ambientais”, pontua Ricardo Nakazato, doutor em Biodiversidade Vegetal e Meio Envolvente pelo IPA e professor da Universidade Guarulhos (UNG).

O estudo mapeia quais árvores avaliadas estão ameaçadas pela poluição do ar e quais espécies são mais resistentes a essa contaminação. De conformidade com Ricardo, o principal objetivo foi “compreender uma vez que esse conhecimento poderia ser aplicado em projetos de reflorestamento e arborização urbana”.

A arborização urbana é o plantio controlado de árvores e vegetais de pequeno e médio porte dentro das cidades, em locais uma vez que calçadas, praças e quintais. Já o reflorestamento é o cultivo planejado de árvores e vegetais de diferentes portes em quantidades e áreas maiores. Essa prática tem objetivos específicos e é realizada em locais mais densos das cidades e em seu entorno, uma vez que áreas de preservação permanente (APPs), margens de rios e grandes parques. 

Além da melhora na qualidade do ar, essas ações promovem o bem-estar e a saúde humana e trazem, entre outros benefícios, a redução da sensação térmica nas cidades e o aumento da umidade do ar e da drenagem da chuva das chuvas. Esses serviços ecossistêmicos – uma vez que são chamados esses benefícios que a natureza oferece às pessoas – auxiliam no enfrentamento às emergências climáticas, pois podem evitar, por exemplo, ilhas de calor, enchentes, inundações e alagamentos nas cidades.

Poluição do ar sob a perspectiva das árvores da Mata Atlântica  

Planta da Suplente da Biosfera do Cinturão Verdejante de São Paulo (RBCV-SP), com destaque para os locais de coleta das amostras. Imagem: reprodução do cláusula. 

A RBCV-SP é considerada um hotspot ecológico global, ou seja, é uma suplente com rica biodiversidade e espécies endêmicas – que só existem no sítio. O Cinturão foi pronunciado uma Suplente da Biosfera pela UNESCO em 9 de junho de 1994, e reconhecido por sua capacidade de integrar a preservação dos ecossistemas urbanos e da biodiversidade com o desenvolvimento sustentável, a segurança cevar e a melhoria da qualidade de vida de milhões de pessoas.

Ao todo, o sítio abrange 78 municípios do estado de São Paulo e é responsável por  aproximadamente 20% do PIB pátrio, além de associar murado de 24 milhões de pessoas – quase 10% da população brasileira. A superfície engloba distritos urbanos, parques, reservas e áreas protegidas que contêm fragmentos de Mata Atlântica e do Compacto, com diferentes formas de uso da terreno – uma vez que zonas industriais, urbanização intensa, diversos tipos de cultura e remanescentes florestais.

Por essa combinação entre intensa pressão humana e cume valor de conservação, a RBCV-SP foi escolhida uma vez que sítio de estudo. “Com isso, fizemos um grande esforço amostral, culminando na coleta de murado de 350 árvores de 29 espécies diferentes em 4 parques localizados em São Paulo, Cotia e Iperó. Sob diferentes fontes de emissão de poluentes e condições climáticas”, relata Ricardo. 

Os resultados da pesquisa revelam que, das 29 espécies, 6 foram consideradas sensíveis à poluição, 17 moderadamente resistentes, 4 tolerantes e 2 variaram de conformidade com o sítio. “Esses estudos mostraram que o nível de tolerância ao estresse oxidativo induzido por distúrbios ambientais varia consideravelmente entre as espécies arbóreas nativas da Mata Atlântica”, explica a ecóloga Marisa Domingos, coordenadora da pesquisa no IPA e integrante do Núcleo de Estudo e Síntese de Soluções Baseadas na Natureza – BIOTA Síntese.

O guamirim-de-inverno (E. cerasiflora) – divulgado também uma vez que guamirim-flor-de-cereja e pitanga-cereja – é uma das espécies que demonstrou maior tolerância à poluição do ar. Árvore endêmica da Mata Atlântica, ou seja, que só existe nesse bioma, ela possui médio porte e pequenos frutos vermelhos que são consumidos tanto pelas pessoas uma vez que por diversos animais e aves. Os frutos dessa espécie, que amadurecem entre o inverno e a primavera, exercem uma função ecológica forçoso, pois fornecem iguaria aos animais em um período de escassez.  Suas flores brancas melíferas são ricas em néctar e pólen, atraindo também abelhas e polinizadores.

Já entre as espécies mais sensíveis à contaminação do ar está a peroba-rosa (A. polyneuron) – considerada uma das espécies mais ameaçadas da Mata Atlântica. Essa árvore, de grande porte, que pode ultrapassar 50 metros de profundidade, foi intensamente utilizada na construção social e na fabricação de móveis e hoje também sofre com os impactos nocivos da poluição.

Tanheiro (A. triplinervia).

O tanheiro (A. triplinervia) – divulgado uma vez que tapiá, tamanqueiro e boleiro – também demonstrou no estudo sensibilidade à poluição. Árvore de médio porte, essa espécie possui pequenos frutos vermelhos, que são consumidos por diversas aves – o que ajuda na dissipação de suas sementes e aumenta suas chances de sobrevivência e reprodução.

“Mais do que uma lista de espécies recomendadas para o reflorestamento e arborização urbana, o principal legado do estudo é o padrão estabelecido, que permite a inclusão e a avaliação de novas espécies no horizonte”, conclui Ricardo. 

A pesquisa completa, que foi financiada pela Instauração de Arrimo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio do núcleo BIOTA Síntese e pelo Projecto de Desenvolvimento Institucional em Pesquisa (PDIP/IPA), pode ser consultada na íntegra no cláusula publicado pelos pesquisadores na revista “Restoration Ecology”.

Tatiana Maria* —  doutoranda na Universidade de São Paulo e jornalista do núcleo Biota Síntese por meio da bolsa Mídia Ciência de Jornalismo Científico da Fapesp.

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