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Incêndios já queimaram 150 milhões de hectares de vegetação no planeta em 2026

Incêndios já queimaram 150 milhões de hectares de vegetação no planeta em 2026

Do OC – Mais de 150 milhões de hectares de vegetação foram queimados no mundo todo entre janeiro e abril de 2026. É uma vez que se todo o Amazonas, maior estado brasílio em extensão territorial, tivesse sido incendiado. O número é tapume de 50% maior do que a média recente (2012-2025) e o duplo do mesmo período em 2024, ano mais quente da história até o momento. A estudo é da Rede Mundial de Atribuição (WWA) e foi divulgada na terça-feira (12). A rede acredita que o planeta pode estar diante de um ano severo de incêndios.

Para Simon Stiell, secretário-executivo da ONU para as Mudanças Climáticas, os números apresentados são mais uma prova clara de que o aquecimento global – impulsionado pelas emissões de gases de efeito estufa do carvão, petróleo e gás – está queimando uma grande proporção das áreas terrestres dos países. “Os custos dessa explosão de incêndios florestais, causada pelas mudanças climáticas, estão afetando os orçamentos nacionais e familiares, reduzindo a oferta de víveres e aumentando os preços, em um momento em que a crise do dispêndio dos combustíveis fósseis já está atingindo bilhões de pessoas e todas as economias”, afirma.

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A maior segmento da espaço queimada nos primeiros quatro meses de 2026 está no continente africano, com recordes na Gâmbia, Senegal, Guiné, Mauritânia, Mali, Gana, Togo, Benin, Burkina Faso, Níger, Nigéria, Camarões, Chade, República Núcleo-Africana, Sudão e Sudão do Sul. No totalidade, foram queimadas 85 milhões de hectares até abril neste continente, 23% a mais do que o recorde anterior. De harmonia com a estudo, é provável que o queimação continue. A WWA, no entanto, lembra que os incêndios florestais são extremamente subnotificados nos países africanos.

A Ásia aparece na segunda posição com 44 milhões de hectares queimados, quase 40% mais do que no ano anterior. Os maiores focos de incêndio foram registrados em Laos, Mianmar, Tailândia, no nordeste da China e na Índia – em abril, a temperatura ultrapassou 46°C em algumas áreas do país. 

No continente Americano, os Estados Unidos registraram queimadas quase o duplo da espaço do recorde anterior em 2022 para a mesma era do ano. O queimação foi impulsionado pela grande vaga de calor de março e pelas condições muito secas no primórdio do ano. A WWA verificou que o calor extremo de março foi tapume de sete vezes mais provável por desculpa das mudanças climáticas. O risco de agravamento dos incêndios é elevado, pois tapume de 50% dos Estados Unidos enfrentam condições de secas.  

No Canadá, a Colúmbia Britânica registrou um início precoce da temporada de incêndios florestais, com emissão de alertas de evacuação. Na segunda-feira (11), a vizinha Alberta também disparou avisos para as pessoas saírem de moradia por desculpa de um incêndio florestal fora de controle no centro-oeste da província. “Tive tempo para pegar meu cachorro e algumas coisas para transpor”, disse um morador à CBC. Ele não conseguiu encontrar os gatos dele. As duas províncias do oeste canadense são as com mais incêndios ativos no país no momento: a Colúmbia Britânica, com 35, e Alberta, com 21. 

No primórdio do ano, o Chile e a Argentina queimaram quase 10 hectares de vegetação por minuto. No Chile, mais de 20 pessoas morreram, mais de 52 milénio precisaram fugir e ao menos 1 milénio casas foram destruídas em janeiro. Na Patagônia Argentina pelo menos 3 milénio pessoas precisaram se mudar, incluindo turistas. 

Na Austrália, o calor extremo e as condições secas contribuíram para que a temporada de queimadas se estendesse mais do que o normal. A temporada de incêndios iniciada em 2025 se agravou em janeiro de 2026. Segundo o Copernicus, serviço climatológico da União Europeia, os incêndios registrados no período (final de 2025 e início de 2026) foram precedidos pela pior vaga de calor na Austrália desde o verão de 2019 e 2020.

El Niño favorece incêndios, mas mudança climática é principal fator

Os incêndios podem piorar com a chegada do El Niño, fenômeno originário. Apesar de incertezas, há possibilidades de que o El Niño deste ano seja muito possante. Segundo a estudo da WWA, embora não haja certeza de que haverá um “super El Niño”, é muito provável que qualquer evento de calor extremo ocorra, o que eleva o risco de incêndios florestais no segundo semestre e a verosimilhança de condições severas de calor e seca na Austrália, no noroeste dos Estados Unidos e Canadá e na Amazônia. A seriedade dos incêndios nessas regiões já está em propagação por desculpa das mudanças climáticas.

Daniel Swain, investigador climatológico do Instituto de Recursos Hídricos da Califórnia, explica que eventos de El Niño fortes, sem o aquecimento global, têm o potencial de provocar perturbações intensas em graduação regional e continental nos padrões de chuva, o que aumenta os riscos de inundações e secas, dependendo da localização. Esse efeito, no entanto, será consideravelmente amplificado pelo aquecimento global de quase 1,5°C.

“Na história moderna da humanidade, nunca experimentamos um evento El Niño possante ou muito possante em meio a condições preexistentes de aquecimento global”, diz.

No Brasil, os sinais de agravamento também já aparecem nos dados oficiais. Na Amazônia, o número de focos de incêndios de 1 de janeiro a 13 de maio é 51% maior do que no mesmo período do ano pretérito, segundo o INPE. O Pantanal aumentou 132%, a Caatinga 14% e a Mata Atlântica 1%.

Em março, o Ministério do Meio Envolvente e Mudança do Clima se reuniu com especialistas para debater sobre o clima e o risco de incêndios florestais em todos os biomas brasileiros. A pasta destacou a ocorrência do El Niño uma vez que um fator preocupante, principalmente entre outubro e novembro, período historicamente mais crítico no Pantanal, Ocluso e leste da Amazônia.

Friederike Otto, cofundadora da WWA e professora de Ciências Climáticas no Imperial College London, explica que, embora o El Niño possa provocar condições climáticas extremas ainda neste ano, não é motivo para pânico. Para a técnico, são as mudanças climáticas que devem ser motivo de preocupação. “O El Niño é um fenômeno originário. Ele vai e vem. As mudanças climáticas, ao contrário, pioram enquanto não pararmos de queimar combustíveis fósseis. Sabemos o que fazer. Temos o conhecimento e a tecnologia para nos afastarmos muito do uso de combustíveis fósseis”, afirma. 

A diplomata mexicana Patrícia Espinosa, ex-secretária-executiva da ONU para Mudanças Climáticas, reforça que os países precisam fazer a transição energética com muita rapidez. “Precisamos entender que a ação climática não é um dispêndio, mas um investimento. Essa mudança é provável. Porquê a revolução em curso nas energias renováveis ​​e na eletrificação está comprovada, nossa tarefa é acelerá-la e ampliá-la”, diz.

A WWA compilou diversas pesquisas que mostram a influência das mudanças do clima na piora do queimação. Um dos estudos concluiu que a mudança climática aumentou as chances de anos com extremos de incêndios em florestas ao volta do mundo em conferência com o período pré-industrial (1850-1900), o risco é maior em florestas temperadas e amazônicas. 

Outro cláusula apontou que as florestas da América do Setentrião estão queimando por mais tempo. As boreais, que armazenam grandes quantidades de carbono no tronco, e as de serra são as que mais padecem sob o queimação, com aproximadamente um terço dos dias de queimação ativo excedendo 12 horas. Foi estimado que as horas de queima anuais aumentaram 36% entre 1975 e 2024.

Pesquisadores verificaram que a espaço queimada de florestas durante o verão na Califórnia, nos Estados Unidos, aumentou cinco vezes entre 1996 e 2021, em conferência com o período de 1971 a 1995, sendo a maior segmento do propagação atribuída às mudanças climáticas. 

Incêndios prejudicam a saúde

A WWA também lembra que os incêndios florestais representam uma grave ameaço para a vida humana, pois pioram a qualidade do ar. Por exemplo, os incêndios que atingiram as florestas australianas em 2019 mataram diretamente 33 pessoas, mas estima-se que a fumaça provocou outras 417 mortes, 1.124 internações por problemas cardiovasculares e 2.027 por problemas respiratórios, além de 1.305 buscas por serviços de emergência por desculpa de crises de asma.

Um estudo publicado pela Fiocruz e WWF-Brasil em 2021 mostra que as queimadas na Amazônia foram responsáveis pelo aumento de internações hospitalares por problemas respiratórios entre 2010 e 2020 no Pará, Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Acre. No Amazonas, por exemplo, 87% das internações no período analisado estavam relacionadas às altas concentrações de fumaça.

Na era, a pesquisadora da Fiocruz Sandra Hacon explicou que as micropartículas que compõem a fumaça ficam depositadas nas cavidades dos pulmões, agravando os problemas respiratórios. “Vemos, portanto, um impacto à saúde e perda da qualidade de bem-estar das pessoas”, diz. 

Um relatório da Organização Meteorológica Mundial apontou que, além de prejudicar a população sítio, os incêndios na região amazônica em 2024 pioraram a qualidade do ar em diversas cidades distantes, uma vez que São Paulo, no Brasil, e Santiago, no Chile. A pesquisa teve uma vez que foco as partículas minúsculas, de 2,5 micrômetros ou menos, que são as mais nocivas, com poder de permanecer no ar por muito tempo e viajar longas distâncias. 

Quando o documento foi publicado no ano pretérito, Ko Barrett, vice-secretária-geral da OMM, enfatizou que as mudanças climáticas e a qualidade do ar não podem ser abordadas isoladamente. Os impactos climáticos e a poluição do ar “não respeitam fronteiras nacionais, uma vez que exemplificado pelo calor intenso e pela seca que alimentam incêndios florestais, piorando a qualidade do ar para milhões de pessoas”, afirma.

Os incêndios florestais também causam grandes impactos econômicos nos sistemas de saúde. No Canadá, entre 2019 e 2023, os impactos dos incêndios florestais na saúde e na economia associados à poluição do ar variaram de US$ 550 milhões a US$ 52 bilhões por ano. No período, foram registradas tapume de 1.900 mortes prematuras anuais atribuídas à poluição.

“No pronto-socorro subártico onde trabalho [no Canadá], vejo crianças com dificuldades respiratórias devido aos agravamentos de asma e idosos com pioras de doenças cardíacas quando o ar se torna inadequado para respirar”, comenta Courtney Howard, médica e presidente da Confederação Global para o Clima e a Saúde.

Em 2023, quando o Canadá enfrentou os piores incêndios florestais da história, o hospital em que trabalha precisou ser excretado. “Está cada vez mais evidente por que a OMS [Organização Mundial da Saúde] afirma que a mudança climática é a maior ameaço à saúde da nossa era e que não seremos capazes de nos adequar de forma saudável às atuais trajetórias de emissão de gases de efeito estufa”, diz Courtney.

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