O toque autoral da morada de Valdomiro Favoreto em Londrina
Last Updated on: 27th abril 2026, 09:52 am
Essa história faz segmento de uma jornada que sempre sonhamos em fazer. Com o projeto Histórias Brasil Adentro, estamos finalmente na estrada, percorrendo as cinco regiões do país para desvendar e comemorar os múltiplos jeitos de morar que só o Brasil tem. Cada material desta série é uma paragem em procura de casas com espírito, que falam sobre pertencimento, memória e identidade. Seja bem-vindo à nossa viagem!
Se precisássemos reunir a morada do designer (e também colono!) Valdomiro Favoreto em poucas palavras, elas seriam design e família. A primeira porque, para onde quer que se olhe neste lar, sempre há qualquer objeto ou pormenor de arquitetura que labareda a atenção pela maneira uma vez que os volumes e materiais são trabalhados. A segunda porque, para além da estética, os espaços se enchem de vida com a rotina de quem mora ali: Valdomiro, sua esposa Josiany e seus três filhos — todos meninos com pouca idade e muita pujança para trebelhar e ocupar os ambientes.
A morada fica na cidade de Londrina, onde Valdomiro nasceu e para onde retornou depois viver durante muitos anos em meio à zona rústico. Já Josiany, nascida em Pato Branco, se mudou para lá na idade da faculdade, quando decidiu cursar voga. Entre as vantagens de morar na maior cidade do interno do Paraná, eles destacam a possibilidade de levar uma vida urbana, mas sem precisar se mudar para uma capital — ali eles têm de tudo um pouco: os amigos e a família por perto, contato com a natureza e, simples, uma morada confortável para seus filhos.


Aliás, desde que os meninos chegaram, redescobrir a cidade pelo olhar das crianças tem sido um manobra uniforme e prazeroso. “Nós dois fomos criados morando em casas e sempre desejamos isso para o nosso horizonte também. A possibilidade de ter um jardim, entre outras vantagens, é o que nos encanta”.
Com projeto do escritório Todos Arquitetura, dos sócios Mauricio Arruda e Fábio Mota, o imóvel foi ganhando camadas ao longo dos anos. A teoria sempre foi ter uma morada que refletisse a identidade de seus moradores, mas que, ao mesmo tempo, remetesse a histórias prévias, com jeito de lugar muito vivido e elementos diferentes dos convencionais. Por isso, muitos dos detalhes são personalizados, uma vez que o piso de granilite verdejante e os armários da cozinha com portas revestidas em latão.










Para a decoração, Valdomiro trouxe objetos e móveis que já colecionava há tempos, além daqueles assinados por ele mesmo, uma vez que o rack onde fica a televisão, ou os vasos e esculturas de cerâmica. “Muitos dos móveis e objetos feitos por mim são peças únicas e especiais, mas zero de apego — diversas delas estão à venda”, ele conta.
Para inventar cada esquina, o morador se deixa guiar pela percepção, sem permanecer recluso a regras. Entre os variados estilos presentes na morada, um dos destaques vai para o mix entre mobiliário escandinavo e brasílio. “Cá convivem Zanine Caldas, Alvar Aalto, Jorge Zalszupin, móveis Cimo e Dominici. A maioria dessas peças são garimpos feitos no transcurso da nossa história.”
A boa distribuição dos ambientes se tornou ainda mais fundamental depois de Josiany e Valdomiro virarem pais. “Estamos sempre juntos, o living e a cozinha são integrados e os quartos ficam no marchar de cima. Com a chegada dos gêmeos, deixamos de ter o closet para transformar em quarto dos meninos”, eles explicam. Na espaço externa, o deck, que já foi muito usado para festas com os amigos, agora é um cantinho mais familiar, onde a pândega continua depois que os meninos chegam da escola.
Com o olhar amolado e as ideias borbulhantes de Valdomiro, coligado aos palpites espertos de Josiany, a morada segue em uniforme mudança, traduzindo a personalidade de cada um — assim uma vez que o momento da família — por meio de cores, composições e texturas. No termo, esse é o sigilo de continuarem sempre apaixonados pelo que construíram ali: “Amamos nosso ninho, e não teria uma vez que ser dissemelhante”.
Texto por Yasmin Toledo | Coordenação de tarifa por Bruna Lourenço | Fotos por Leila Viegas
