Mulheres são a força estratégica da restauração florestal brasileira
A restauração florestal no Brasil consolidou-se porquê uma das principais estratégias de enfrentamento da crise climática, de recuperação de ecossistemas e de fortalecimento das economias rurais. Nesse processo, a participação das mulheres tem sido decisiva em etapas estratégicas da prisão da restauração, porquê a coleta e o beneficiamento de sementes, o manejo de viveiros comunitários e a organização dos arranjos produtivos locais que sustentam os projetos nos territórios.
Estudo da Embrapa Florestas, com base nos dados do Sistema Vernáculo de Informações Florestais (SNIF) e da RAIS, indica que, entre 2010 e 2021, as mulheres responderam por muro de 21% da força de trabalho formal do setor florestal brasílico. Pode parecer pouco, mas esses dados adquirem maior relevância quando analisados à luz das desigualdades históricas de entrada das mulheres à terreno, ao crédito e à assistência técnica no campo.
Nesse contexto, a restauração florestal tem se mostrado um campo fértil para o protagonismo comunitário, e principalmente, feminino. Projetos bem-sucedidos têm sido capazes de promover o desenvolvimento econômico, fortalecendo e diversificando os meios de vida locais, seja através da oferta de empregos na própria prisão da restauração, ou do desenvolvimento de cadeias de valor a partir de recursos da sociobiodiversidade.
O beneficiamento de sementes nativas, lanço estratégica da prisão da restauração, constitui-se essencialmente porquê uma atividade de base familiar e comunitária, sendo que as mulheres representam muro de 60% dos coletores de sementes em todo o país, de conformidade com levantamento da Rede de Sementes do Compacto (RSC). Na maioria das redes e grupos de coletores, as mulheres respondem não unicamente pela coleta em si, mas pela organização dos grupos, pelo controle de qualidade, pela gestão dos recursos e pela transmissão de conhecimentos locais e tradicionais.
Essa taxa ocorre em meio a uma rotina marcada pela sobreposição de trabalhos. As mulheres rurais conciliam o trabalho produtivo no campo com o desvelo da mansão, dos filhos, dos idosos, a gestão da alimento, o manejo dos quintais produtivos e, muitas vezes, atividades comunitárias e associativas. Nesse contexto, a coleta de sementes nativas configura-se porquê uma atividade complementar às demais práticas produtivas, ampliando e diversificando as fontes de renda das famílias envolvidas.

O engajamento feminino não ocorre por possibilidade. Ele se conecta à trajetória histórica das mulheres na lavra familiar, no manejo agroecológico e na conservação da biodiversidade. Ao longo de gerações, foram elas as principais responsáveis pela diversificação produtiva, pelo desvelo com o solo, pela seleção de sementes e pela manutenção de sistemas agrícolas mais resilientes – competências que dialogam diretamente com os princípios da restauração florestal em larga graduação.
Outrossim, iniciativas de base comunitária tendem a fabricar ambientes mais favoráveis à liderança feminina do que modelos produtivos altamente mecanizados ou concentradores de renda. Arranjos de governança adequados e abordagens colaborativas promovem crédito e inclusão, e permitem que mulheres assumam posições centrais na produção, na fala lugar e na gestão coletiva. Esse envolvimento nas atividades de restauração ecológica e conservação ainda aflora valores relacionais e de pertencimento ao território.
A experiência da Ressemear, rede de coletores de sementes nativas vinculada ao Instituto Black Onça, ilustra essa dinâmica. Com ampla participação feminina, mais de 70% dos coletores capacitados e atuantes são mulheres da lavra familiar, demonstrando porquê projetos de restauração podem, simultaneamente, restaurar paisagens e promover inclusão social.
O protagonismo procedente das mulheres é reforçado quando criamos espaços seguros para sua participação na tomada de decisões coletivas, promovemos oportunidades de capacitação nas áreas de gestão e liderança, garantimos remunerações justas e a distribuição equitativa de benefícios, além de incentivarmos a participação dos jovens – filhos e netos – nas atividades da rede de sementes. Valorizar a participação feminina na restauração florestal não é unicamente reconhecer uma verdade já existente. É compreender que a efetividade das metas ambientais brasileiras passa, necessariamente, pelo fortalecimento dessas lideranças, com paridade de entrada a oportunidades. Sem isenção de gênero, não há restauração em graduação nem sustentabilidade de longo prazo.
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