Mini apê com reuso e vista magnificiente em Salvador
Last Updated on: 28th novembro 2025, 04:11 pm
Essa história faz segmento de uma jornada que sempre sonhamos em fazer. Com o projeto Histórias Brasil Adentro, estamos finalmente na estrada, percorrendo as cinco regiões do país para desenredar e festejar os múltiplos jeitos de morar que só o Brasil tem. Cada material desta série é uma paragem em procura de casas com psique, que falam sobre pertencimento, memória e identidade. Seja bem-vindo à nossa viagem!
Já imaginou se, todos os dias, você pudesse penetrar a janela de mansão e se deparar com uma das paisagens mais emblemáticas de Salvador? Levante é um privilégio que a diretora criativa Paloma Saavedra vive sem fingir uso. Desde que se mudou para oriente mini apartamento no núcleo histórico, sua pasmo pela cidade só cresce. E não é para menos: foi em Salvador que Paloma nasceu, cresceu e formou sua núcleo. A capital baiana não é unicamente endereço, é segmento de quem ela é. “Só sou quem sou, desse jeitinho, porque sou daqui. Salvador me inspira e me preenche de uma forma que às vezes é até difícil explicar. Influencia minha maneira de falar com o outro, de chegar nos lugares e de enxergar a vida”, conta.
Essa conexão com a cidade é literalmente emoldurada pela arquitetura. O apartamento pertence a um casarão do século XVIII na frente da Cidade Subida, de frente para a Baía de Todos os Santos, muito no núcleo onde Salvador nasceu. Para Paloma, é próprio morar em um lugar tão velho, em que o pretérito divide espaço com uma virilidade pulsante e viva. Da janela, a vista alcança a Península de Itapagipe, a Igreja do Bonfim e a Ponta de Humaitá: um cenário que não a deixa olvidar — ainda muito — onde vive.





Por dentro, o prédio tem uma feitio curiosa. Fruto de um projeto de retrofit assinado pela arquiteta Naia Alban, o Casarão 28 (uma vez que foi batizado) teve sua estrutura original mantida, mas a segmento interna foi completamente transformada. É uma vez que se o pretérito abraçasse o presente: dentro dessa ‘caixa antiga’, novos usos surgiram. Hoje, o espaço abriga apartamentos de diferentes metragens, garagem e um salão no térreo, provando que a arquitetura histórica pode, sim, se reinventar. “Meu apartamento, por exemplo, tem uma proposta mais moderna, pois é todo acessível, com divisórias sutis entre cozinha, quarto e sala”, Paloma explica.
Essa intenção de edificar o novo sem extinguir o que já existia ganha forma por meio do reuso, com curadoria e mina realizados pelo Registro – grupo de arquitetos especializado em dar novos ciclos de vida aos materiais. Assim, peças de demolição e sobras — tanto originais do casarão quanto resgatadas de outras obras — viraram protagonistas no apartamento: a divisória da cozinha feita a partir de uma grade, a estante criada com esquadrias de madeira e o deck ao lado da leito, carinhosamente denominado de ‘palco’ pela moradora.


Quando Paloma enfim se mudou para o apartamento, a lanço de preencher e decorar o espaço foi um grande treino de reparo: primeiro ela definiu o que era forçoso para a rotina, depois esperou o próprio apê ‘pedir’ o restante. Alguns cantos foram resolvidos de subitâneo, mas outros exigiram tempo — a parede de quadros, por exemplo, só saiu do papel posteriormente seis meses de vivência. O resultado é um lar que abraça a dificuldade de quem vive ali, uma mulher plural, multidisciplinar e apegada aos detalhes. “Minha mansão me reflete muito: é colorida, enxurrada de elementos, toda enfeitada, tem um monte de textura, tem um monte de intenção, tem um monte de história”, diz.
Escolher um único destaque na decoração é tarefa impossível, já que zero está ali unicamente para preencher lacunas. Cada objeto carrega uma memorial, seja pela origem distante, por ser um presente querido ou alguma coisa feito por Paloma. Mas, entre tantas memórias espalhadas, um quina foi eleito uma vez que predilecto: a janela do meio. É ali que mora uma namoradeira de jacarandá, legado que passou da bisavó para a avó até chegar nela. A peça, que acompanhou Paloma em todas as casas onde viveu, parece finalmente ter encontrado seu lugar de sorte — um espaço milimetricamente pensado para ela.


Quando tem tempo livre, Paloma vive uma dualidade deliciosa: ou se entrega ao ociosidade integral, balançando na rede e admirando o mar, ou encontra calmaria na rotina de cuidados com a mansão. Cozinhar não é o seu possante, mas ela adora os rituais que giram em torno do receber, uma vez que arrumar a mesa, separar ingredientes, organizar a geladeira — inclusive, a coleção de ímãs na porta está no topo de sua lista de itens preferidos.
É nesses momentos cotidianos que a Consul se faz presente, garantindo que tudo funcione sem dor de cabeça. A geladeira e o novo purificador se tornaram essenciais: “O purificador foi uma grande mudança positiva. É muito maravilhosa a praticidade de ter chuva geladinha a literalmente um clique de intervalo. Sem falar que ele é verdinho, combina com todos os meus utensílios de cozinha”, Paloma brinca.
Os cuidados se estendem à lavanderia, um espaço onde a obrigação vira prazer — é quase uma terapia. Herdado da mãe e da avó, o sabor por manter tudo impecável transformou a hora de lavar roupa em um ritual, com recta a playlist tocando de fundo. Nesse cenário, a máquina de lavar é a aliada silenciosa que permite a Paloma curtir o que ela mais gosta: separar as peças e sentir o cheiro de roupa limpa se espalhando pelos cômodos. Para ela, a tecnologia entra justamente aí, funcionando de modo tão originário e eficiente que as tarefas domésticas viram um gesto de carinho com a mansão.







No término das contas, viver ali é encantar-se novamente todos os dias. Seja admirando a paisagem que desperta tanto afeto ou cuidando das tarefas simples da mansão, Paloma encontrou o estabilidade perfeito entre a matinada da cidade e a silêncio do seu refúgio. Agora, cabe à ela usufruir desse cotidiano e agradecer ao sorte por ter posto o apartamento em seu caminho:
“Nunca me esqueço do pôr do sol que vi, pela janela do meio, em minha primeira visitante ao apê antes de me mudar. Eu estava num processo de mudança muito sofrido, pois tinha oferecido tudo falso na tentativa anterior, até que essa mansão apareceu. Daí sentei, pausei, vi o firmamento ficando de todas aquelas cores e soube que ia permanecer tudo muito”, lembra.
A mansão, enfim, é mais do que um endereço com vista para o mar; é um lugar que acolhe sua história e, ao mesmo tempo, deixa o horizonte acessível para tudo o que ainda está por vir.
Texto por Bruna Lourenço | Coordenação de tarifa por Paula Passini e Dora Campanella | Fotos por Leila Viegas
Produção e Direção Criativa por Bruna Lourenço e Paula Passini
