A Amazônia registrou, em fevereiro de 2026, a menor superfície desmatada para o mês em oito anos, segundo dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) realizado pelo Instituto do Varão e Meio Envolvente da Amazônia (Imazon). O levantamento publicado na última sexta-feira (27), aponta uma queda de 42% em relação ao mesmo período de 2025, com a superfície derrubada recuando de 119 km² para 69 km², equivalente sobre 5 milénio campos de futebol poupados em unicamente um mês. Trata-se do melhor resultado para fevereiro desde 2017, dentro da série histórica monitorada pelo sistema de alerta do instituto.
Apesar do recuo significativo, o desmatamento segue concentrado em estados historicamente pressionados pela expansão agropecuária e pela grilagem de terras públicas. Pará, Amazonas e Acre lideraram a derrubada no período, com destaque para a região conhecida uma vez que Amacro (Acre, Amazonas e Rondônia), onde o progressão da fronteira econômica continua impulsionando a perda de cobertura florestal.
Além do desmatamento, o SAD também registrou subtracção das nas áreas degradadas, uma vez que são conhecidas as áreas impactadas por atividades uma vez que queimadas e extração seletiva de madeira, que não chegam a derrubar completamente a cobertura vegetal, mas comprometem sua integridade ecológica. Em fevereiro, foram detectados 13 km² de florestas degradadas, o que representa uma redução de 93% frente ao mesmo período do ano anterior (211 km²).
Os dados mostram que entre os nove estados que compõem a Amazônia Legítimo, o Pará foi o que registrou a maior superfície desmatada entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, com 398 km². O aglomerado, no entanto, foi 54% menor que o registrado no período anterior, entre agosto de 2024 e fevereiro de 2026, que somou 863 km²
Outro ponto de atenção é a incidência de desmatamento em áreas protegidas. O monitoramento indica que secção dos alertas ocorreu dentro de unidades de conservação e terras indígenas, uma vez que é o caso da Espaço de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, que perdeu 34 km² de floresta no período, o equivalente a 16 campos de futebol por dia, considerada a unidade de conservação mais desmatada destes sete meses. No aglomerado do calendário do desmatamento, que vai de agosto a julho, os números também apontam redução em relação ao ciclo anterior.
Em levantamentos anteriores, o estado do Mato Grosso figurava com frequência entre os estados líderes em desmatamento, posição que, no aglomerado de agosto a fevereiro de 2026, passou a ser ocupada pelo Acre. Com uma redução de 51% na superfície desmatada, Mato Grosso caiu da segunda para a quarta colocação no período. Segundo a pesquisadora do Imazon, Larissa Amorim, o progressão do Acre está associado ao fortalecimento recente da fronteira agropecuária no oeste da Amazônia, principalmente na região conhecida uma vez que Amacro, que abrange áreas do Acre, Amazonas e Rondônia. “Esse movimento tem sido marcado pela expansão da pecuária e pela pressão sobre terras públicas ainda florestadas”, afirma. A pesquisadora ressalta que a mudança no ranking não representa uma perda de protagonismo de Mato Grosso, mas indica uma expansão territorial da dinâmica do desmatamento na Amazônia Legítimo.
A degradação florestal na Amazônia Legítimo permanece concentrada em poucos estados, com Mato Grosso e Pará respondendo pela maior secção da superfície impactada entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. Juntos, os dois estados somaram 1.932 km², sendo 1.255 km² em Mato Grosso e 677 km² no Pará, o que corresponde a 85% de toda a degradação registrada no período. Apesar da liderança, ambos apresentaram quedas expressivas, de 86% e 96%, respectivamente.
O Acre aparece na sequência, mas em sentido oposto: foi um dos poucos estados a registrar aumento, com subida de 50% na superfície degradada, que passou de 72 km² para 108 km². O oferecido reforça o deslocamento recente da pressão para o oeste da Amazônia. Também houve desenvolvimento em Roraima, onde a degradação avançou de 50 km² para 55 km². Nos demais estados da região, o cenário foi de retração, com quedas significativas em Amazonas, Rondônia e Maranhão, indicando redução generalizada deste tipo de impacto ambiental.